Mais um dia sem conseguir dormir por causa da insônia. Virou rotina agora, já estou com olheira e tudo. No caminho até a escola fiquei quieta o tempo todo. Comprimentei meus amigos e fui pra sala de aula. Sentei na frente pois minhas notas estavam piorando e eu não entendia o motivo de não conseguir prestar atenção. Essa minha falta de atenção que eu nunca tive antes e agora estou tendo, só piora a minha vida.
- Bianca?-o professor chama.
- An?-olho pra ele.
- Devo te dar falta?
- Me desculpe.-suspiro.
Não acredito que me distraí de novo. Como eu consigo isso?
O sinal para o intervalo toca e todo mundo levanta pra sair da sala.
- Bianca venha cá.
Olho pro professor e volto caminhando até ele.
- Sim?
- Suas notas estão piorando a cada bimestre que passa, elas despencaram sem paraquedas. Elas estavam ótimas e do nada ficaram horríveis. Estou fazendo o máximo que posso pra te ajudar, porque quando chegar no final do ano, elas tem que estar pelo menos razoáveis.
- Agradeço a ajuda e vou me esforçar pra elas melhorarem.-sorrio.
- Assim espero, não gostaria de dar aula pra você e pro Nathan de novo.
- Você não é o primeiro que diz isso.-dou de ombros e vou pro intervalo.
Não sei porque os professores falam isso sobre nós, somos alunos exemplares. Nathan estava parado me esperando do lado de fora da sala.
- Ele também disse que não quer dar aula pra nós no ano que vem?
- Sim.
- Agora só falta a professora de Educação física.-ele ri.
- Sim.
- Também quero churros.-diz Nathan.
Chegamos aonde estava todo mundo menos a Milena e o Brayan como sempre. Eles estavam comendo churros. Eu amo churros de verdade, um amor platônico, mas não me deu vontade nenhuma de comer um.
- Compra.-diz Sophia.
- Oi e tchau.-digo andando pra outro lugar.
- Calma aí.-diz Anne.
Me viro e olho pra ela.
- Que?
- Porque não fica com a gente?-Bruno pergunta.
- Por causa de mim?-Felipe levanta a sobrancelha.
Franzo a testa e olho pra ele, tinha nem notado que ele se recuperou do resfriado.
- Você melhorou?-pergunto.
- Faz uma semana que eu estou vindo pra escola, não notou?-ele diz confuso.
Balanço a cabeça dizendo que não.
- Isso é porque você está se afastando de nós, agora só vive sozinha, nem conversa mais com os amigos.-diz Nathan.
Olho pra ele depois pro Felipe.
- Vocês estão se falando?-pergunto.
- Na medida do possível.-Felipe da de ombros.
- Não muito.-explica Nathan.
Mas como que tudo isso acontece e eu nem sabia de nada? Tenho ficado tanto tempo assim longe deles?
- Hm. Nos vemos depois.-saio de perto deles.
Entro e uma cabine do banheiro desocupada e sento no chão. Abaixo a cabeça e coloco a mão entre meus cabelos. De novo não.
O táxi chega e eu entro. Passo o endereço ao motorista e olho pra janela até o carro parar em frente a um prédio. Pego o dinheiro na bolsa e dou ao motorista.
- Pode ficar com o troco.-digo saindo do carro.
Entro no prédio e vou até o elevador. Só vim aqui uma única vez e foi a muito tempo. O elevador abre e eu caminho até a recepcionista. Apoio a mão no balcão e olho pra ela.
- Pois não?-ela pergunta enquanto lixa a unha.
Nem pra tirar a atenção dessa unha e olhar pra mim. Que falta de educação.
- Gostaria de falar com a Doutora Moura.
- Tem hora marcada?-ela continua olhando pra unha.
- Não, mas pode avisar que a sobrinha dela está aqui.-levanto a sobrancelha.
Ela para de lixar a unha e me olha. Da um sorrisinho sem graça e sai de trás do balcão.
- Por aqui senhora.-ela diz.
- Só tenho quinze anos, por favor, senhora não.-reviro os olhos.
- Claro, claro.-ela concorda.
Ela pede pra eu esperar e entra em uma sala.
- Pode entrar.-ela sorri.
Entro na sala e ela fecha a porta. Olho pra frente e vejo a mulher de cabelos pretos me encarando.
- Bianca, aconteceu alguma coisa?-ela pergunta preocupada.
- Não, fique calma.
- E ao que devo a honra da sua visita?-ela ri.
- Eu preciso de ajuda e como a senhora é psicóloga. Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça.-explico.
- Sente-se.
Sento no sofá que tinha lá e ela me encara.
- Diga-me o que está acontecendo.
Agora que eu estou aqui não tem como voltar atrás.
- Vem acontecendo umas coisas desde o ano passado, mas eu pensei que não era nada demais, que iria passar. Mas eu estava errada, elas só pioraram, e eu estou com medo.
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Nada normal
Roman pour AdolescentsBianca, uma adolescente de 15 anos, que tem uma família completamente pirada. Ela só queria ter uma vida normal com pais responsáveis e uma vó que não seja loucona. Entre aventuras e confusões ela se vê indecisa sobre o garoto que ela gosta. (Plági...
