Vigésimo

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É difícil fingir que nada está diferente. Ando pelas ruas com Will e não consigo ignorar uma parte de mim que ainda dói ao pensar em David. É difícil aceitar que as coisas acabaram daquele jeito confuso, mas é a vida. Esperamos tantas coisas dela e todas as vezes essa desgraçada faz questão de nos mostrar que não temos controle de nada. É uma sensação de merda saber que as coisas saíram do seu controle e suas expectativas caíram por terra.

No fundo sabia que queria David, não entendo bem o porque mas eu sinto. Tão forte que dói na maioria das vezes, o que me faz pensar que se de fato o amo não gosto tanto disso. Sempre quis me apaixonar de verdade por alguém, mas não está sendo nada legal.

Por outro lado, Will parece ser extremamente o oposto. Sinto todas as coisas boas com ele e mais um pouco. Ele parece ser perfeito e até agora não vejo motivos pra não estar apaixonada por ele. Mas é diferente, no fundo eu sei que é. Com Will eu não sinto que vou cair de um penhasco toda vez que o beijo, não fico nervosa ao olhar no fundo dos seus olhos, não sinto vontade de grudar meu corpo no dele todo o tempo e nem sinto girar a cada abraço. Amo eles de formas diferentes e sei dentro de mim o amor que me molda completamente.

Eu poderia largar tudo nesse exato momento e ir atrás de David? Dizer tudo o que estou pensando? Poderia. Mas não fui. Porque sei que estou pronta pra enfrentar todos os problemas, mas ele não. O que é bem irônico, porque desde o início achei que ele era o mais corajoso dos dois. Eu e David somos o imperfeito na sua melhor forma e com isso nós com certeza teríamos muitos problemas pela frente, com certeza eu passaria por cada um deles pra estar do seu lado, mas ele não. E sinceramente não adianta lutar muito por uma pessoa que não quer ser salva.

Então naquela tarde de sexta me esforcei o máximo pra ignorar que algo estava errado e curtir meus últimos momentos com Will.

"Não acredito que não vou te ver de novo."

"Não diz isso! Eu não vou morrer, só vou ali e já volto." Sorri lhe puxando para mais perto de mim.

Estávamos na estufa e já podia sentir que nosso tempo estava acabando. O sol estava se pondo e eu sinta uma nostalgia estranha dentro de mim.

"Quero saber um segredo seu Will."

Seus braços me abraçaram mais forte e eu sentia todo o conforto do mundo. Eu era muito baixinha em comparação a Will então era maravilhoso sentir ele se encolher um pouco pra me aconchegar em seus braços. Era bom poder sentir que é amada, faz a vida fazer sentido. No final do dia é isso que coloca um sorriso no meu rosto, pensar que apesar de toda a tristeza e dificuldade que passei ainda consegui encontrar o amor.

"Você sabe tudo."

"Óbvio que não sei, queria poder ter mais tempo pra descobrir cada detalhe seu."

"Você vai, não vou sumir da sua vida completamente acredite nisso."

"Promete?" Olhei em seus olhos que sorriam pra mim.

"Prometo."

"Agora o segredo!" Ele gargalhou e me colocou de frente pra ele.

"Você é muito insistente!"

"Sei disso." Ele queria parecer bravo comigo mas não conseguia.

"Tá, eu..." Ele teve um ataque de risos me puxando junto. "Não acredito que vou contar isso."

"Vai logo." Insisto dando beijinhos no seu pescoço.

"Eu não sou tão corajoso quanto pareço. Na maioria das vezes quando vou gravar uma cena, ir pra premiações, me encontrar com você...eu me xingo um pouco sabe?"

De Repente AméliaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora