Capítulo 18

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Já era tarde da noite quando escuto alguém bater na porta do meu quarto,me levanto relutante da cama e destranco a mesma e já abrindo lentamente vendo a luz que vinha do corredor,tampei meus olhos que ardiam com tanta claridade pois eu estava deitada no breu do meu novo quarto. No meio de tanta luz pude ver meu pai que abre um belo sorriso ao me ver e logo vai entrando e acendendo a luz:
-Sara...Acho que está na hora de conversarmos você não acha?
*ele se senta na minha cama e bate a mão em um lugar vazio para eu me sentar*
Sento ao seu lado mas continuo meio distante,não queria muito contato visual muito menos físico com ele. Fico olhando para minhas mãos que estão na minha coxa e brinco com as minhas unhas esperando ele dar continuidade ao seu breve discurso eu espero!

-Sei que essa fase,no caso,a saída da adolescência para a fase adulta é difícil,mas isso não significa que você não está mais na responsabilidade de seus pais
*ele fala se chegando mais perto de mim*

-Você sabe que é difícil??? Desculpa você foi ausente minha vida inteira e agora quer dar um de pai do ano
*me levanto da cama e para em sua frente*

-Me poupe,se poupe,nos poupe por favor né paizão!!!
*falo num tom irônico*

-Sei que não sou o pai que você precisa mas agora tu está na minha responsabilidade e vai fazer o que eu mando pronto acabou minha filhinha
*fala num tom irônico também e vai indo em direção à porta do meu quarto*

-amanhã tua super mãe vai vir aqui pra te ver!! Apesar de tu ser uma peste como filha ela ainda se preocupe contigo!!

Com essas últimas palavras ele fecha a porta do meu quarto e automaticamente eu me jogo na cama,pego um travesseiro e coloco o mesmo em meu rosto e grito o mais alto que eu consigo!
Pra minha felicidade,depois do meu mini piti eu acabei ficando com dor de garganta! Porr4 Sara se tu fosse mais burra eu te colocava pra pastar!!
Meio preguiçosa,tento apagar a luz jogando travesseiros no interruptor,depois de algumas tentativas eu acabo conseguindo porém acabo ficando sem travesseiros , Affffff, eu devo merecer né Buda rosa!
Acabo dormindo sem travesseiro,sem jantar e sem tomar banho,resumindo eu tava pior que mendigo em dia de chuva.
(...)

Acordo às 7:00 AM e resolvo fingir que estou muitoooo feliz em morar aqui.
Tomo um banho demorado e depois faço minhas higienes. Coloco um vestido largo e branco e logo desco as escadas para tomar o café da manhã que teria que ser um banquete de rei para saciar a fome de dragão que eu tava.
Pra mim surpresa encontro meu pai na mesa junto com minha mãe,acabei congelando no penúltimo degrau e olho pra eles:

-Bom dia pessoas que dizem ser ótimos pai
*falo irônica com um sorriso falso na cara indo em direção a mesa*

Sento o mais distante que posso deles. Minha mãe me olhava com um olhar que poderia matar qualquer um que não tivesse um convívio de 18 anos com ela.
Começo a comer e eles me encaram como se eu tivesse feito algo de errado,ops pera aí ,eu sou toda errada:

-que foi? Tenho que pedir permissão pra comer também??
*falo com a boca cheia de pão*

-Sara,vim aqui por que estava preocupada com você mas pelo visto esta muito bem né minha filha
*ela fala se retirando da mesa vinda até mim e me dá um beijo na testa*

Aquilo doeu bem mais que um tapa na cara,um soco no estômago ou um puxão de orelha.
Acho que acabei de conhecer a palavra REMORÇO.
Meu pai me olhava com uma cara feia,se levantou da mesa e vou levar a minha mãe até a porta.
De repente,aquela fome que eu tava foi embora,sumiu,evaporou.
Coloquei a mão na cabeça com os cotovelos apoiados na mesa e deixei algumas lágrimas escaparem.
O que tava acontecendo comigo? Será que era TPM? Eu tinha que tomar jeito ou ia acabar afastando todos que eu amo.
Meu pai voltou pra mesa e não disse uma palavra. Pensei em dar um abraço nele e dizer que eu ia mudar mas acho que não seria uma boa hora né?! Simplesmente retirei meu prato da mesa e fui pra varanda,sentei em uma cadeira que tinha ali e olhei pro céu. Pensei em conversar com ela,minha parceira,minha irmã mais velha. Ela morreu há 4 anos mas parecia tudo tão recente. Desde quando ela morreu eu deixei de ser a mesma mas não posso colocar a culpa da minha revolta nela né?! Bati um papo maneiro ali com ela,acho que isso me aliviou mais um pouco.
Logo vejo meu pai se aproximar e sentar ao meu lado:

- eu também falo com ela às vezes,penso escutar a voz dela,a risada,mas logo volto pra realidade
*ele fala meio triste*

Ele e a Rosie era muito ligados,ela sempre vinha vê-lo,eu nunca vinha junto por raiva,medo,sei lá,acho que nunca fui muito fã do meu pai. Não tocamos mais no assunto dela pois a morte dela foi horrível.
Rosie estava na casa de uma amiga quando começou a pegar fogo,elas não conseguiram sair,morreram queimas. Não fui ao velório dela,na verdade eu passei a ocultar que um dia ela já esteve conosco mas eu não conseguia, tanto a presença dela quanto a ausência foi e é notada até hoje.

-Sinto falta dela,sinto falta de quando a gente era uma família,eu,você , a Rosie e a mamãe. Quando você foi preso tudo mudou pai. Quero que as coisas voltem a ser como antes
* olho pra ele e como resposta ele sorrio*

Sinti uma paz naquele momento e foi aí que eu soube que pra tudo mudar,eu teria que mudar também,ser um ser humano mais sociável se assim posso dizer!

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