P.O.V - Julie Baker
Abri meus olhos, sentindo um peso dentro deles. Olhei em volta, vendo um lugar pequeno e bagunçado. Minha cabeça doia, e eu estava confusa pela noite passada.
Ouvi passos e enrijeci meu corpo pelo medo. A porta foi aberta e era só o Ryan.
-Bom dia, Baker! - Ele disse com um sorriso no rosto e uma bandeja de comida na mão.
-Hã...bom dia. O que aconteceu ontem? Depois que eu dormi? - Perguntei sem graça, pois de um jeito ou de outro, nós transamos. Espera, o que deu em mim ontem? "Conheci" um cara e já fui pra cama com ele.
-Bom, te trouxe pra minha casa, você meio que acordou, vomitou em todo o meu chão lá na sala, dormiu denovo. Eu fui dormir no sofá, e agora estamos aqui.
-Desculpa por ter sujado seu chão - Falei rindo.
-Sem problemas. Eu já limpei e agora ta cheirosinho!
-Ta, mas como vou pra casa agora?
-Oh, me fala onde é que eu te levo de carro, não se preocupe. Toma, você deve estar com fome! - Ele me entregou a bandeija e coloquei no meu colo.
Lá tinha pão, queijo já cortado, uns pedaços de bolo, um copão de suco e sucrilhos.
-Eu não vou comer tudo isso. Senta aqui comigo - Bati do meu lado na cama e ele se sentou. Começamos a comer. Sim, eu não tinha escovado os sentes. Aliás minha escova nem estava ali.
Acabou que no final a bandeja estava limpa. Nem farelos tinha.
-Tenho que ir - Me levantei, calçando meu salto, e enquanto isso, tentando lembrar como era o endereço do AP onde estávamos.
Fui para o banheiro, peguei um pente que estava lá encima da pia e penteei meus cabelos em um coque. Limpei meu rosto e tirei a maquiagem borrada.
-Vamos? - Falei quando sai do banheiro e o vi sentado na cama do mesmo jeito de quando eu sai.
-Você fica perfeita sem maquiagem... - Ouvi sinceridade em sua voz e vi sinceridade em seu olhar também. Senti minhas bochechas arderem de vergonha. Eu não estava esperando isso.
-Valeu - Dei um sorriso de canto.
-Enfim, vamos - Ele se levantou e eu o segui.
A casa dele era pequena, mas bem confortável. E bagunçada. Entramos em seu carro, que não era um dos melhores mas era novo e bonito. Ryan deu partida assim que falei o endereço.
-Você mora sozinho? - Começei logo a puxar assunto.
-Sim. Desde os meus dezoito anos.
-Quantos anos você tem agora?
-Vinte e três. Sou velho pra você?
-Não! - Respondi de imediato. Mas espera, como assim velho pra mim?
-Ótimo - Ele sorriu. - Hã...poderia me passar seu telefone? Sei lá, poderimos se encontrar mais vezes.
Não respondi na hora. Então quer dizer que ele se interessou de verdade em mim. Estava insegura. Acabei de sair de um "relacionamento" conturbado, não sei se estava pronta para conhecer outra pessoa agora.
-Mas se não quiser me ver mais vezes, beleza. Tipo, sem pro...
-Não! Não é nada disso, eu...passo sim. Onde você anota?
Ele pegou um bloquinho de notas e uma caneta. Fui falando enquanto ele ia anotando, ao mesmo tempo que prestava atenção na pista.
Chegamos meio rápido. Todo caminho eu fui rindo. O Ryan era legal e engraçado. Tive a oportunidade de conhecer ele bem melhor, assim como ele me conheceu. Bom, menos a parte do meu último relacionamento.
-Obrigada pela carona - Falei quando sai do carro, que ele fez questão de abrir a porta pra mim.
-Não precisa agradecer!
-Quer entrar?
-Hã...não precisa!
-Claro que precisa. Vem - Fui puxando ele, que travou o carro e se deu por vencido.
Subimos até meu andar, fomos até minha porta, que estava aberta. Entrei, vendo a minha mãe, Sam e Angie. Que chorava.
-Onde você estava?! - Minha mãe se levantou assim que me viu.
-Por quê nós sempre nos separamos nas festas?! - Sam disse.
-Sua filha estava chorando a horas, nada resolveu. Esqueceu que tem uma filha?! Quem é esse rapaz?!
-Oh, me desculpe. Sou o Ryan Jones. - Ele apertou a mão da minha mãe.
-Ele que me trouxe - Contei só uma parte da história.
-Ah...então, obrigado, Ryan - Minha mãe disse e ele apenas assentiu.
-Você tem uma filha?! Ta de brincadeira?! - Ele disse quando eu peguei a minha bonequinha no colo - Você não parece que já é mãe. Eu...sério, eu não acredito! Você é tão nova!
-Pois é - Fui simples. Começei a balança-la devagarzinho e cantatarolar baixinho, até ela se acalmar. Tirei meu peito e ela atacou na hora.
-Vai mostrar seu peito assim? Na frente dele? - Sam disse.
-Mães fazem isso na frente até de uma multidão. Nunca viu?
-Acho que já estou indo. Preciso trabalhar também.
-Onde trabalha?
-Em um bom restaurante. Como garçom...uma merda, eu sei. Mas é o que temos pra hoje!
-Não! Não é uma merda! - Sorri - Pelo menos você luta pra ter seu próprio dinheiro. É melhor do que roubar.
Falei doida para elas entenderem a referência. E elas entenderam, pois se entreolharam.
-É verdade - Ele sorriu - Eu tô indo. Tchau para todas vocês!
-Tchau - Falamos em coro.
Ficamos em silêncio até ele sair pela porta e o barulho dos passos dele forem ficando mais longes.
-Agora conta tudo! - Sam disse se sentando no sofá.
-Detalhes! - Minha mãe fez a mesma coisa.
-Vocês transaram não é? - Sam me olhou profundamente nos olhos e eu fiquei até sem graça. - SABIA!
-Meu Deus! - Minha mãe passou a mão no rosto.
-Parem! A gente não transou, ok?
-Ok, e eu não fiquei com ninguém na festa porque fiquei bêbada!
-Você ficou com alguém? - Gargalhei. - E a conexão com o Nolan?
-Eu fiquei bêbada! E não muda de assunto!
-Bla bla bla - Rolei os olhos e sai andando para o quarto.
-Não foge! - Ouvi a voz da minha mãe mas não dei atenção.
Agora só queria aproveitar o dia com a minha filha, minha melhor amiga e minha mãe. Aproveitar Londres!
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Loving Dangerously
FanfictionE se você se apaixonasse por um gangster? Mesmo com tantas brigas, diferenças e obstáculos esse amor poderia permanecer? Enfrentaria tudo e todos para ficar com quem você ama? Um amor contruido encima do ódio daria certo? By: SwagBizzle1994
