Decolamos depois que Camila tirou incontáveis fotos com os fãs brasileiros. A energia deles é contagiante, mas eu não estava com cabeça para nada. Passei a maior parte da viagem dormindo, e Camila, de vez em quando, falava algo perto de mim.
Chegamos em LA por volta do meio-dia. O clima estava fresco, o céu limpo. Após todos se despedirem, fui direto para casa. Mesmo sendo férias, ainda teria muito material para editar.
Taylor estava me esperando. Estranhei de início, mas logo me senti bem por tê-la ali. Ela me analisou, me puxou para um abraço longo... mas logo soltou quando sentiu meu curativo.
— Lawrence, você está bem? O que houve?
— Nada... — murmurei, entrando e largando minhas malas ao lado do sofá. Rod deixou as maletas de equipamento perto da escada, se despediu e fechou a porta.
— Nada?!? — Taylor me olhou séria.
— Little Sis, calma. Camz me ajudou logo depois... quer dizer, eu pedi ajuda a ela. Você tá bem?
Peguei um copo, coloquei um pouco de whiskey. Eu sabia que beber logo não era boa ideia, mas precisava aliviar a tensão.
— Estou bem. Mas... espera aí. Você pediu ajuda pra Camila? — Taylor arqueou a sobrancelha. — Lawzito, olha pra mim. E para de beber, nem comeu direito e já tá com o copo na mão.
Ela se aproximou, passou a mão no meu rosto.
— Tem certeza que esse "nada" não é... a Camila?
Não respondi. Apenas soltei um suspiro. Taylor sorriu de canto.
— Ok. Isso explica tudo. Jauregui, não faz isso mais, tá? Ela tá com você, assim como todos nós. Eu sei que você sente receio de tudo, mas você é foda demais, grandão.
— Sim. E eu sou grato por ter vocês ao meu lado. Te amo, baixinha. — Bati continência, arrancando a gargalhada dela.
— Também te amo. Senti sua falta. O Chris é insuportável... você também, mas bem menos que ele.
Beijei o topo da cabeça dela, rindo baixo.
— Também senti sua falta. Dos dois, na real.
Ela se afastou. Encarei-a. Taylor havia crescido. Não era mais a menina com medo do monstro no armário, mas sim uma mulher cheia de vida, inteligente, dona de si — da porra toda, na verdade.
— Vai jantar com a gente hoje?
— Não. Tô cansado. Amanhã passo para tomar café com vocês, que tal?
— Não é o que eu queria, mas serve. Tenho que ir, irmãozinho. Se cuida e me liga mais tarde.
— Pode deixar. O Rod te leva.
— Não precisa. Vou pra casa do Felipe agora, ele deve estar me esperando.
— Espera aí... quem é Felipe?
Ela gargalhou, beijou minha bochecha e foi até a porta.
— Relaxa, Lawr. Ele só é um amigo.
— HAHAHA... quem é mesmo Felipe, Taylor? Sabe que sou curioso.
— Amanhã você conhece. Agora tchau, descansa.
— Taylor! — fui atrás dela, mas já estava entrando no carro do tal Felipe.
Neguei com a cabeça e voltei para a sala. O ambiente parecia estranho: vazio, mas cheio... igual à minha mente.
Minha cabeça voltou para a Taylor. Dei risada sozinho da cara de pau dela: soltar a bomba e ir embora.
— É, Lawrence... sua irmãzinha cresceu. E amanhã, talvez, você conheça o seu provável cunhado.
Subi para o quarto, pensando em tomar um banho... ou simplesmente dormir.
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Lost // lj + cc // trans
FanfictionEntre marcas antigas e cicatrizes recentes, Lawrence tenta se reconhecer no reflexo da própria pele. Camila é refúgio e incêndio, porto seguro e vertigem. No choque entre desejo, medo e entrega, nasce uma história que queima como segredo: perdido po...
