Eleven

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O sol batia forte, e meu olhar não conseguia se desgrudar de Camila. Ela estava linda de biquíni preto, tomando sol, respirando lentamente, quase dormindo — o verdadeiro significado de mulherão da porra. Meu corpo reagia sozinho; sentia o desejo percorrendo cada parte de mim, e não era só físico, era também saudade, afeição, tudo misturado.

Enquanto observava Camz, minha mente voltou para a infância, quando eu ainda tentava entender quem eu era. Brincadeiras com meus irmãos, momentos de descoberta no espelho, tentando me reconhecer como homem trans, cada pequena vitória de me aceitar me moldando para os dias como este: estar perto de quem amo, sentindo meu corpo e minha alma alinhados, desejando alguém de forma intensa e verdadeira.

Dinah estava lendo algo, Mani esticada tomando sol, maravilhosa — perfeita para descrever a cena. Ally foi a primeira a notar minha presença, e eu fiz sinal de silêncio para ela, mas não adiantou muito.

— LAWRENCE É VOCÊ MESMO?!

Ela pulou no meu colo me abraçando forte, cheia de saudade — assim como eu estava.

— Sou eu, em carne e osso. Senti sua falta, baixinha.

— Eu também. Você está se cuidando? Espero que sim.

— Uhn! Pode ficar tranquila, quando não sei o que fazer, recorro a alguém.

— Bom mesmo! Venha pro sol, você precisa tomar e muito.

Demos risada com seu comentário e logo senti Mani me abraçar.

— EU NÃO CREIO QUE É VOCÊ, LAWR!

Ela ficou em silêncio, mas nem precisava de palavras.

— Sinto muito por ter sumido, você está linda, Mani.

— Eu não estou linda, eu sou linda e maravilhosa.

Rodopiou, balançando o corpo, se gabando da própria beleza.

— Sim, Mani, você é demais.

Ri, abracei-a novamente e dei um beijo na sua têmpora. Nesse meio tempo, Camila ainda estava na mesma posição.

— Pode cair o mundo que ela vai estar dormindo.

Nós quatro concordamos com o comentário da DJ. Fui até o lado de Camz, imaginando:

"Acordar de forma carinhosa ou jogar ela na piscina junto comigo?"

Escolhi a segunda opção. Peguei Camz no colo e corri em direção à piscina.

— BOMBA!!!

— Que? LAWRENCE?

Ela se soltou no ar. Quando retornamos à superfície, fui recebido com tapas e xingamentos:

— EU VOU TE MATAR, LAWRENCE! SEU IDIOTA, RIDÍCULO, PALHAÇO!

— Para, que isso dói, Camz! — falei, rindo.

Ela continuou:

— Você é um... um... bobo! E o que está fazendo aqui?

Cheguei perto dela, abracei-a, imobilizando seus braços:

— Surpresa! Vim pra cá porque estava com saudades.

— Sei... agora me solta, porque não quero falar com você.

Fez bico de birra, e eu, por impulso, dei um beijo rápido. Nem pensei direito e ela amoleceu.

— Pronto, agora posso te soltar.

As meninas começaram a berrar:

— O que a gente perdeu nesse um ano? Vocês estão juntos? Camila gamou no branquelo ou isso é desde sempre?

— Não, a gente não está juntos ainda. E aconteceu muita coisa, mas só agora eu tomei coragem.

— HMMMMMMMMMMMMM! — As três fizeram em conjunto, deixando Camz com vergonha.

O dia foi muito legal, nos divertimos bastante... até que Camila recebeu uma ligação do empresário.

— Mas eu tenho alguns meses, isso não é justo, Simon! — disse, tentando manter a calma.

Eu e Dinah observávamos seu andar de um lado para o outro no quarto.

— Será que acabou? Quero dizer, as férias? — perguntou Dinah, jogando-se na cama.

Suspirei, sabendo como Simon era. Ele não deixaria a folga de Camz passar sem cobrar resultados.

— Eu não vou voltar, SIMON! VOCÊ SABE QUE EU TENHO ESSE DIREITO! QUE SE FODA O CONTRATO! EU NÃO VOU VOLTAR! — disse ela, a voz firme, mas tensa.

Do outro lado da linha, eu podia imaginar o tom imperativo e manipulador dele: exigências de datas, metas de vendas, pressão para começar a produção do próximo álbum, insistindo que "não há tempo para descanso", que "os fãs não podem esperar" e que qualquer atraso seria "inaceitável". Era uma forma de assédio moral — usando o contrato e a fama dela como arma para controlar sua liberdade.

Ela desligou o telefone, visivelmente exausta, e Dinah comentou baixinho:

— Ele sabe que você tá aqui, Lawr. Por isso quer que eu volte.

— Por quê? — me levantei e fui em sua direção.

— Porque ele é um crápula — respondeu, olhando para o chão, respirando fundo.

Abracei Camz e fiz cafuné, tentando passar alguma sensação de segurança. Dinah também abraçou e disse:

— Você precisa sair dessa gravadora, Mila. Ele é um idiota.

Suspirei, sentindo meu peito apertar. A ligação havia acabado, mas a pressão sobre ela não. Eu sabia que Simon não deixaria barato, e que Camila ainda estava refém de uma indústria que cobrava cada minuto da sua liberdade e criatividade.

Lost // lj + cc // transOnde histórias criam vida. Descubra agora