Twenty Two

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— Lawrence...—  A voz dela me arrepiava inteiro. Camila estava nos meus braços, quente, entregue. Arranquei sua blusa preta da tour e não encontrei nada por baixo. Sorri satisfeito.
— Muito bom, Cabello. — Mordi seu lábio inferior, enquanto suas pernas se enlaçavam em volta da minha cintura.

Cada mordida nos seus seios pequenos fazia seu corpo estremecer. Avançávamos tropeçando até o quarto, como se a urgência fosse maior que qualquer lógica. A joguei na cama, faminto, sugando o bico do seu seio direito, enquanto lutava com a minha calça.

— Espere... — ela sussurrou, mas o olhar pedia o contrário.

Arranquei minha calça, ficando só de cueca, e antes que ela pudesse protestar, puxei sua calça junto da calcinha de renda branca. Tracei um caminho de beijos do tornozelo até a coxa, mordendo a pele macia, até pairar sobre a sua virilha. O cheiro doce me entorpeceu.
— Me diz, Camila... por que você sempre está pronta pra mim?

Ela gemeu, o corpo arqueando quando toquei seu clitóris, brincando com pressão e ritmo.

— Camila?! Por quê?! — pressionei mais forte, quase implorando pela resposta.
— Não sei, Lawr... só me fode e para de me torturar!
— Vai ser um prazer. — Sorriso predador.

E então...

Acordei.

O coração disparado, a respiração falhando. Suor escorrendo pelas têmporas. Olhei ao redor: nada de Camila, nada de lençóis revirados em prazer. Só o quarto branco e silencioso daquela casa afastada. Só eu e o vazio.

Levantei, cambaleando até a cozinha, buscando água para acalmar a mente. O céu lá fora estava limpo, a lua cheia cortando a escuridão do mar grego. Respirei fundo, apoiado na pia de mármore frio, tentando afastar a imagem dela.

— Sem sono, Lawrence?

Quase deixei o copo cair. A voz veio calma, mas carregada de ironia contida. Me virei e encontrei Ariana, encostada no batente da sala, um livro fechado nas mãos.

Ela estava ali, de pernas cruzadas no sofá, lendo à meia-luz, quando percebeu meus passos no corredor. Ariana não era uma estranha, tínhamos nos conhecido anos atrás, durante uma das tours da Camila. Ela trabalhava nos bastidores, sempre discreta, mas nossa convivência acabou virando amizade. Depois de consolidar sua carreira como produtora de eventos, Ariana entrou numa espécie de "férias eternas", como ela mesma dizia, largando tudo para viver viajando. Encontrá-la na Grécia, justamente agora, parecia mais do que coincidência: era um respiro no meio do meu próprio exílio.

— Sonho meio ruim. — respondi, seco, tentando não entregar nada.

Ela ergueu uma sobrancelha. — "Meio ruim"? Essa sua cara diz o contrário.

Balancei a cabeça, desviando o olhar. — Nada, Ari. Deixa quieto.

Ela fechou o livro e se levantou devagar, se aproximando da janela ao meu lado. Ficamos em silêncio por alguns segundos, observando a lua refletida no mar. O cheiro de sal e das oliveiras no jardim se misturava à brisa.

— É estranho, né? — ela disse, sem me encarar. — Ter tudo em um dia... e nada no outro.

Não entendi de imediato onde queria chegar, mas não a interrompi. Ariana nunca falava por acaso. — Só espero não me arrepender do que decidi. Tomara que, no futuro, tudo isso faça sentido.

Olhei para a lua e, inevitavelmente, Camila me invadiu de novo. Apertei o copo entre as mãos, engolindo em seco. — Vai melhorar, Ari. Vai sim. Que tal voltarmos a dormir?

Ela sorriu de lado, passando na frente e lançando um olhar quase cúmplice. — Boa noite, Sr. Jauregui.

Revirei os olhos. — Já falei pra não me chamar assim...

— Você é um zé ruela, Lawr. — retrucou, rindo baixinho, antes de sumir pelo corredor.

Apesar do caos interno, sorri. Ariana era uma lembrança boa no meio de tantas ruins. Talvez fosse por isso que o destino a tinha colocado de novo no meu caminho, para suavizar, pelo menos um pouco, os fantasmas que eu carregava.

Deixei-a no quarto e fui ao meu. Tentei dormir, em vão. Peguei papel e lápis e desenhei até o corpo ceder. Quando o relógio marcou cinco da manhã, apaguei a luz, deitei novamente e fiquei encarando a parede.

O último pensamento antes do sono me vencer foi dela. Camz.

Lost // lj + cc // transOnde histórias criam vida. Descubra agora