Olá, pessoa que lê,
Antes de mais nada, obrigado por chegar até aqui. Para quem acompanhou a primeira versão, sabe que este capítulo não existia. Por um surto de inspiração — ou talvez uma tentativa de traduzir em palavras o que sinto — decidi revisitar esta história, completá-la e oferecer um epílogo digno.
Este capítulo extra traz uma nova perspectiva, ampliando detalhes, emoções e nuances que antes ficaram apenas implícitas. Espero que apreciem esta versão revisitada.
Com carinho,
A.
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Pov Camila
"Despedidas doem demais, então um 'até logo!' é melhor. Me desculpe por não estar aí quando você acordou, mas seria pior do que já está sendo. Eu amo você. Se cuide, mi cariño."
Essas foram as últimas palavras que escrevi a ele, a última vez que estivemos juntos. Eu deveria ter ficado mais um pouco, apenas para vê-lo acordar, sentir o calor da manhã, ouvir seu respiro tranquilo — mas não fiquei. E agora a ausência dele ecoa em cada canto do apartamento.
O céu de Nova Iorque estava pesado, carregado de nuvens que pareciam suspensas só para esperar o meu desespero. O apartamento ecoava cada passo, cada respiração, como se o vazio deixado por ele tivesse se materializado no ar. Passei a mão pelo violão encostado na parede; a madeira fria parecia me devolver lembranças que eu não queria revisitar. No sofá, o tecido ainda guardava o cheiro dele, misto de perfume e cafeína. Cada objeto me lembrava que ele não estava mais ali, que nada além da minha própria impaciência poderia preencher aquele vazio.
Passei a noite acordada, olhando o telefone. Cada notificação era um pânico contido, cada silêncio, um martírio. Ele havia sumido. Não deixara rastros, nem família, nem amigos, nem eu. Tudo que eu tinha era uma sensação sufocante de abandono, misturada à raiva, à saudade e à culpa por não ter conseguido segurá-lo antes que ele se afastasse.
Uma lembrança surgiu de repente: a última vez que ele apareceu de surpresa no estúdio, chovendo torrencialmente, encharcado até os ossos, segurando flores murchas de esquina. Ele riu do próprio desastre, a água escorrendo pelo rosto, e eu não consegui conter o riso também. — Sobreviveram à tempestade, pelo menos — disse, meio culpado, tentando parecer sério. E ali, naquele instante, o mundo parecia simples. Agora, meses depois, só restava a lembrança e a dor silenciosa que vinha junto com ela.
Liguei mais uma vez. Nenhum sinal. Só a chamada indo direto para a caixa postal. Levantei-me abruptamente, como se o corpo não suportasse mais a inércia, e comecei a andar de um lado para o outro. Meu coração disparava, a garganta seca, a respiração curta. Peguei a chave e saí, sem rumo. A madrugada em Nova York estava fria, com a neve fina começando a se acumular nas calçadas. Cada passo ecoava solitário, como o som de um vazio que se expandia dentro de mim.
Nos dias seguintes, tentei racionalizar: talvez ele só tivesse precisado de um tempo, talvez estivesse em algum estúdio, talvez tudo não passasse de mais um dos sumiços impulsivos de Lawrence. Mas a verdade se impunha a cada tentativa frustrada de contato. O celular abandonado no apartamento dele, desligado, era como um corpo sem vida. Ninguém sabia de nada. E foi nesse desespero que recorri à Dinah.
— Eu preciso que você me ajude — disse, a voz embargada, quase um sussurro.
Dinah me recebeu em casa, abriu espaço no sofá e me envolveu num abraço forte, daqueles que pareciam segurar o mundo no lugar.
— Camz, eu não sei o que aconteceu, mas... se nem a família dele sabe, como a gente vai descobrir? — questionou, com cuidado.
— Não importa. Eu sei que você consegue achar alguém que saiba. Qualquer pista, qualquer pessoa. Eu não posso simplesmente aceitar que ele sumiu.
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Lost // lj + cc // trans
FanfictionEntre marcas antigas e cicatrizes recentes, Lawrence tenta se reconhecer no reflexo da própria pele. Camila é refúgio e incêndio, porto seguro e vertigem. No choque entre desejo, medo e entrega, nasce uma história que queima como segredo: perdido po...
