Apertei o interfone e o Big Rob, segurança da Camila, me liberou. Estacionei na garagem e logo a vi. Camz estava encostada na porta, me esperando. Linda como sempre. Camiseta branca, calça de moletom que realçava suas curvas e aquele sorriso que parecia sempre feito só pra mim.
— Oi, Lawrence.
— Oi, Camila.
O abraço que trocamos foi como se não nos víssemos há anos, embora tivessem se passado apenas algumas horas. Havia algo naquele gesto — um aperto que misturava saudade, desejo e um pouco de nervosismo.
[...]
— Tá, eu tiro... mas só se você não olhar agora.
Ela queria ver a cicatriz, aquela que o médico jurava que com o tempo ficaria menos vermelha. Camila fechou os olhos com impaciência infantil, mas o corpo carregava uma tensão madura.
— Já tirou? Anda logo, Lawrence.
Respirei fundo, tirei a camiseta e hesitei alguns segundos antes de deixá-la abrir os olhos. Estávamos sentados na cama. Ela se inclinou para mais perto e, sem pensar muito, colocou-se muito próxima a mim.
— Posso tocar? — sussurrou, a voz baixa, quase um fio de vento.
Assenti em silêncio. Seus dedos deslizaram sobre a cicatriz, com cuidado extremo, como se tentasse decifrar cada memória marcada na minha pele. A ponta dos dedos dela tocava a linha vermelha com delicadeza, quase reverência, e cada pressão parecia traduzir preocupação, carinho e uma admiração silenciosa. Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo algo se dissolver dentro de mim — o medo, a dor, a vergonha de tantos anos.
— Elas doem? — perguntou, a voz carregada de suavidade e hesitação.
Abri os olhos e neguei com a cabeça. O olhar dela mergulhou no meu, como se quisesse decifrar cada pedaço de mim.
Em seguida, me envolveu num abraço apertado. Seu corpo pressionado contra o meu, a respiração quente contra meu ombro.
— Queria ter estado com você quando passou por isso... sinto muito por não ter feito. — murmurou.
Afaguei seus cabelos, deixando um beijo leve no alto de sua cabeça.
— Tá tudo bem, Camz. Você sempre esteve comigo, nem que fosse só em pensamento.
Ela ergueu o rosto, e eu fiquei ali, encarando seus traços. Quatro anos haviam passado, e diante de mim não estava mais apenas a garota que conheci, mas uma mulher — intensa, delicada, que ria fácil, mas carregava uma força capaz de me desmontar. O impulso foi mais rápido que a razão: capturei seus lábios.
Ela congelou no início, surpresa. Mas logo se entregou, e o beijo ganhou vida própria. Havia ternura no gesto, mas também uma fome discreta, escondida nas camadas da intimidade. Os lábios dela eram macios, com um sabor único; sua língua roçava na minha num ritmo lento, como quem queria prolongar cada segundo.
Quando o ar faltou, ela se ajeitou em meu colo, nossas testas encostadas. Ficamos alguns instantes em silêncio, respirando juntos, até que ela riu baixinho:
— Você é louco.
Ri junto, ainda ofegante.
— Eu sei... mas eu precisava fazer isso.
— Não vou negar... eu gostei. Mas, Lawr...
— Eu sei, relaxa. Só... deixa eu te beijar de novo? É caso de vida ou morte.
Beijei seu pescoço em selinhos lentos, sentindo o arrepio que percorria seu corpo contra o meu. Ela mordeu os lábios, tentando disfarçar o riso, mas antes de aprofundar o beijo, murmurou quase entre suspiros:
— Você não consegue ser sério nem nessas horas.
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Lost // lj + cc // trans
FanfictionEntre marcas antigas e cicatrizes recentes, Lawrence tenta se reconhecer no reflexo da própria pele. Camila é refúgio e incêndio, porto seguro e vertigem. No choque entre desejo, medo e entrega, nasce uma história que queima como segredo: perdido po...
