Eight

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Apertei o interfone e o Big Rob, segurança da Camila, me liberou. Estacionei na garagem e logo a vi. Camz estava encostada na porta, me esperando. Linda como sempre. Camiseta branca, calça de moletom que realçava suas curvas e aquele sorriso que parecia sempre feito só pra mim.

— Oi, Lawrence.

— Oi, Camila.

O abraço que trocamos foi como se não nos víssemos há anos, embora tivessem se passado apenas algumas horas. Havia algo naquele gesto — um aperto que misturava saudade, desejo e um pouco de nervosismo.

[...]

— Tá, eu tiro... mas só se você não olhar agora.

Ela queria ver a cicatriz, aquela que o médico jurava que com o tempo ficaria menos vermelha. Camila fechou os olhos com impaciência infantil, mas o corpo carregava uma tensão madura.

— Já tirou? Anda logo, Lawrence.

Respirei fundo, tirei a camiseta e hesitei alguns segundos antes de deixá-la abrir os olhos. Estávamos sentados na cama. Ela se inclinou para mais perto e, sem pensar muito, colocou-se muito próxima a mim.

— Posso tocar? — sussurrou, a voz baixa, quase um fio de vento.

Assenti em silêncio. Seus dedos deslizaram sobre a cicatriz, com cuidado extremo, como se tentasse decifrar cada memória marcada na minha pele. A ponta dos dedos dela tocava a linha vermelha com delicadeza, quase reverência, e cada pressão parecia traduzir preocupação, carinho e uma admiração silenciosa. Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo algo se dissolver dentro de mim — o medo, a dor, a vergonha de tantos anos.

— Elas doem? — perguntou, a voz carregada de suavidade e hesitação.

Abri os olhos e neguei com a cabeça. O olhar dela mergulhou no meu, como se quisesse decifrar cada pedaço de mim.

Em seguida, me envolveu num abraço apertado. Seu corpo pressionado contra o meu, a respiração quente contra meu ombro.

— Queria ter estado com você quando passou por isso... sinto muito por não ter feito. — murmurou.

Afaguei seus cabelos, deixando um beijo leve no alto de sua cabeça.

— Tá tudo bem, Camz. Você sempre esteve comigo, nem que fosse só em pensamento.

Ela ergueu o rosto, e eu fiquei ali, encarando seus traços. Quatro anos haviam passado, e diante de mim não estava mais apenas a garota que conheci, mas uma mulher — intensa, delicada, que ria fácil, mas carregava uma força capaz de me desmontar. O impulso foi mais rápido que a razão: capturei seus lábios.

Ela congelou no início, surpresa. Mas logo se entregou, e o beijo ganhou vida própria. Havia ternura no gesto, mas também uma fome discreta, escondida nas camadas da intimidade. Os lábios dela eram macios, com um sabor único; sua língua roçava na minha num ritmo lento, como quem queria prolongar cada segundo.

Quando o ar faltou, ela se ajeitou em meu colo, nossas testas encostadas. Ficamos alguns instantes em silêncio, respirando juntos, até que ela riu baixinho:

— Você é louco.

Ri junto, ainda ofegante.

— Eu sei... mas eu precisava fazer isso.

— Não vou negar... eu gostei. Mas, Lawr...

— Eu sei, relaxa. Só... deixa eu te beijar de novo? É caso de vida ou morte.

Beijei seu pescoço em selinhos lentos, sentindo o arrepio que percorria seu corpo contra o meu. Ela mordeu os lábios, tentando disfarçar o riso, mas antes de aprofundar o beijo, murmurou quase entre suspiros:

— Você não consegue ser sério nem nessas horas.

Lost // lj + cc // transOnde histórias criam vida. Descubra agora