No meio da escuridão, eu caminhava por um corredor estreito, as paredes se fechando lentamente em minha direção. Quanto mais tentava avançar, mais estreito ficava o espaço, como se estivesse sendo engolido. O som dos meus passos ecoava, misturado ao da minha própria respiração curta e pesada.
Uma porta surgiu no final do corredor, a única saída. Corri em direção a ela, mas parecia cada vez mais distante. Quando finalmente alcancei a maçaneta e girei, senti um alívio breve — até que a porta bateu com força, sozinha, bem na minha frente.
O impacto me atravessou como um trovão no peito. Fiquei preso, sem ar, tentando empurrar a madeira fechada.
Foi nesse instante que acordei de supetão, o coração disparado, suando frio. O som seco da porta batendo no sonho parecia ainda ecoar no quarto silencioso.
Acordei umas seis horas depois com meu celular tocando, busquei por ele com o olho meio fechado. O visor mostrava que era a "Camila".
— Oi, Camz. — Minha voz saiu mais rouca do que o habitual.
— Oi, Law. Você tá bem? É que tô ligando faz um tempinho já.
— Ah, tava dormindo, desculpa. Mas tô bem... e você? — Me ajeitei na cama, tirando a camisa.
— Tudo bem. Fico aliviada que está tudo tranquilo. Aliás, você quer sair pra tomar café comigo amanhã?
— Taylor me chamou pra tomar café com eles amanhã, Camz. E tem um tal de Felipe que quero saber quem é.
— Olha o cheiro de ciúmes, Lawr, tá sentindo?
— Hahaha, muito engraçada, Camz. Que tal a gente fazer uma maratona hoje, o que acha?
— Por mim, pode ser. Quero passar um tempo com você.
"Isso é bom... eu acho."
— Entendi. O que você tá fazendo? — perguntei, levantando e descendo as escadas.
— Tô deitada, vendo o que os meus fãs estão falando da tour no Twitter.
— Ahh, pelo que vi rapidamente, a vibe estava bem positiva. — Sorri ao ouvir a empolgação dela.
— Sim, está mesmo. Apesar dos haters de plantão... Mas vai ser noite de amigos sem ninguém pra incomodar? — Abri a geladeira, mas não havia nada. Peguei uma maçã.
— Sim, se você quiser.
Sentei no balcão, mordendo a fruta.
— Ok, vou pedir pizza. Até daqui a pouco?
— Uhn... daqui uma hora tô aí.
— Beleza, bonito. Beijo.
— Beijo, Camz.
Desliguei o celular e, depois de comer a maçã, fui tomar banho. Coloquei uma calça de moletom cinza, camiseta de mangas pretas e chinelos. Em seguida, fui ao estúdio para guardar a mala com os equipamentos. Retirei as câmeras, lentes e baterias, deixando tudo sobre a mesa.
— Amanhã... — apontei para elas — eu arrumo, limpo e guardo vocês.
Depois de "organizar" as câmeras, conferi as notificações no celular: grupo da família, um cliente, Camz, Ally. Bloqueei a tela, coloquei uma música e percebi que já estava na hora de sair.
Fui até a garagem e busquei minha saudade diária: a Ducati Diavel Carbon.
— Rod, cuide da casa durante a noite. Volto pela manhã.
— Ok, Sr. Jauregui. Vai com cuidado.
— Pare de me chamar de senhor, me sinto com oitenta anos.
Ele riu e soltou um "okay". Saí em disparada rumo à casa da Camz. Pilotar moto é uma sensação tão incrível que nem sei explicar. É liberdade pura.
A cada curva, parecia deixar para trás não só o peso da rotina, mas também as dúvidas que me perseguiam. Era como se o vento me atravessasse e limpasse tudo, preparando meu corpo e minha mente para algo novo. Estar com ela era isso: um intervalo entre o caos e a calma, um espaço onde eu podia respirar.
Na estrada, entre o rugido do motor e a noite aberta, percebi que a liberdade não está só na velocidade, mas também no risco de se entregar. E talvez o maior risco fosse justamente esse: me permitir viver o que nascia entre nós.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Lost // lj + cc // trans
FanfictionEntre marcas antigas e cicatrizes recentes, Lawrence tenta se reconhecer no reflexo da própria pele. Camila é refúgio e incêndio, porto seguro e vertigem. No choque entre desejo, medo e entrega, nasce uma história que queima como segredo: perdido po...
