Fifteen

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Semanas depois...

— Vamos lá, atende Camila.

Minha paciência já tinha esgotado. Precisava da resposta sobre as fotos, sobre as filmagens, para organizar a divulgação. O cronograma estabelecido havia sido todo alterado, e o pior, ninguém sabia quem ou quando, e se realmente era definitivo.

Mas nada. Nem Camila, nem alguém da equipe, ninguém. A chamada seguia direto para a caixa postal, como se o mundo inteiro conspirasse contra mim.

"Ei Camz, você deve estar ocupada, mas assim que puder me retorne ou diga para alguém da sua equipe ligar referente à divulgação das filmagens e imagens da tour. Beijos, L."

Desliguei e me joguei no sofá. O teto me encarava, impassível. Batidas suaves na porta me arrancaram de minha própria cabeça.

— Entra — disse, sem sequer me mover.

Vero entrou, rosto carregado de preocupação:

— Você viu alguma rede social hoje?

Neguei, pegando o celular que estava sobre a mesa. Abri o Twitter. A dor veio em flashes:

"Camila Cabello é vista com novo namorado em Los Angeles, em passeio romântico."

"Shawn Mendes e Camila Cabello vistos juntos em restaurante."

"'ShawMila', o novo casal do momento. Veja fotos."

Sentei-me, incapaz de respirar direito, sentindo minha mente explodir em silêncio. E eis que percebi a quantia de notificações, porém, nenhuma era dela.

— Vero, ligue para Dinah.
— Sim, L... mas espera ouvir o que ela tem a dizer primeiro.

Balancei a cabeça. Minutos depois, Dinah apareceu no FaceTime, começando a falar antes que eu pudesse respirar:

— Lawr, você está bem? Eu tô afim de matar aquela bunduda! Ela não falou nada pra ninguém. Dou um rim meu que é coisa daquele empresário de merda! Lawrence?!

— Dinah... eu pedi Camila em namoro essa semana... e daí some e volta com essa palhaçada... Eu sou muito besta por acreditar que poderia ter algo com ela.

Comecei a soluçar. Vero entrou com um copo d'água para me acalmar, mas meus dedos buscaram o algo mais forte, porque nem um oceano poderia suprir esse abismo que estava sentido. Um gole de gin rasgou minha garganta, preenchendo minha mente com uma névoa ainda mais densa.

— Lawr... espera ela se pronunciar — disse Dinah, distante.

— Ela nem me responde, nem sobre nós, nem sobre trabalho... Eu só queria respostas sobre o calendário de divulgação... e não sobre nós — respirei fundo, garganta apertada — sou burro mesmo.

E então, por um instante, Manhattan surgiu na minha mente, como um sopro de memória:

O Pier 57. O vento frio do Hudson cortando a pele, e o calor de Camila ao meu lado segurando minha mão. Luzes refletindo na água, dançando só para nós dois. Caminhávamos lado a lado, quase sem falar, mas cada passo carregava segredos, promessas não ditas.

— Lembra quando quase perdi a coragem de falar com você? — ela murmurou, encostando a cabeça no meu ombro.

— Lembro — respondi, coração apertado, sentindo cada palavra gravar-se em mim.

O perfume dela misturava-se ao sal do rio. Cada fio de cabelo tocava minha pele. Ela inclinou a cabeça, e sussurrou:

— Nunca imaginei sentir algo tão intenso.

E eu, sem conseguir conter:

— Camz... eu te amo.

Seus olhos castanhos enormes me encararam, refletindo as luzes da cidade e a imensidão do que sentíamos. Ela sorriu, tremendo levemente:

— Eu também te amo, Lawrence. Mais do que consigo colocar em palavras.

O mundo inteiro desapareceu naquele instante. Luzes, vento, água — tudo sumiu. Restava apenas nós, respirando, tocando, sentindo. Cada toque, cada suspiro, gravando para sempre a intensidade daquele amor que florescia em silêncio.

O flash voltou para estúdio. Dinah ainda falava no FaceTime, mas eu mal escutava. Cada palavra era distante, ondas que não chegavam à costa da minha dor. Desliguei. O whiskey queimava meu peito, minha cabeça girava.

Encostei-me na cadeira e olhei para a foto dela na tela do computador: Camila sorrindo. A cidade barulhenta ao fundo, tão intensa quanto minha mente. Cada luz refletida parecia amplificar o vazio que ela deixava, a impossibilidade de tocar aquela imensidão castanha que me consumia por dentro.

— Você não tinha esse direito, Camila Cabello... ou tinha? — murmurei, engolindo em seco, sentindo a cidade inteira gritar junto com meus pensamentos.

Lost // lj + cc // transOnde histórias criam vida. Descubra agora