Sixteen

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Todo momento havia algum ser me mencionando em algum post:

"ShawMila"

"novo casal do momento"

"namoro de marketing"

E eu só consegui fazer uma coisa: soltar nas redes um pequeno trecho da música do álbum dela.

@Ljauregui
"Is a good reason to go // Something's gotta give."

Em instantes, o tweet se espalhou, citado por vários usuários. Alguns com pena, outros com raiva. Ri de um comentário que dizia ser "injustiça", mas a risada não passava de um alívio frágil, incapaz de apagar a sensação de estar despedaçado e exposto.

Bebendo, perdido em pensamentos que rodopiavam como tempestades. Quem eu era? Quem eu queria ser? O que significava ser Lawrence Jauregui diante de um mundo que insistia em me rotular, diminuir e comparar, enquanto meu coração queimava por Camila, por nós, por algo que ninguém parecia capaz de entender?

Levantei-me, cambaleando, e fui até a cozinha. Peguei uma garrafa de água, mas então meus olhos caíram sobre as outras disponíveis ali: vinhos, whiskeys, vodkas — sempre presentes como decoração, hoje transformados em ferramentas de sobrevivência. Escolhi o whiskey. A água poderia acalmar meu corpo, mas meu coração precisava de fogo.

Cada gole era um pequeno ato de rebeldia. Uma tentativa de sentir o calor de Camila sem que ninguém pudesse tocar. Misturava dor e desejo, medo e coragem. O álcool queimava na garganta e acendia o que eu precisava sentir: a intensidade do que nos unia.

Sentei de novo no sofá, a cidade de Los Angeles à noite brilhando lá fora, tão barulhenta quanto minha mente. Cada notificação no celular era uma lâmina.

Era impossível escapar do julgamento alheio, mas também impossível apagar o calor do amor que eu sentia. Pensei em Camila, no brilho do rosto dela iluminado pela luz suave de um quarto qualquer, no perfume que ainda parecia impregnar o ambiente. Cada memória era um puxão para fora do abismo, mas também um lembrete cruel de que o mundo não permitiria que simplesmente existíssemos.

Minha mente divagou: a primeira vez que percebi ser diferente, o medo de me revelar, a tensão entre ser quem sou e quem todos queriam que eu fosse. Agora, coração acelerado, amor queimando dentro de mim, mídia me julgando, empresário ameaçando silenciosamente, eu percebi: nada seria fácil. Nunca.

Peguei o celular. Rolei o feed. Cada comentário cruel, cada insinuação maldosa, cada comparação descabida me cortava, mas também despertava algo dentro de mim: raiva, desejo de proteção, vontade de agir.

— Chega — murmurei para mim mesmo. — Chega de medo. Chega de esperar aprovação.

Levantei-me, cambaleando, fui até a janela. Los Angeles brilhava, indiferente aos meus dramas. Mas para mim, naquele instante, tudo girava em torno de Camila, do que sentimos, do que ainda poderíamos ser.

Decidi que precisava falar com ela. Não pela mídia, não pelo empresário, não pelos haters. Mas por nós. Pelo que éramos e pelo que poderíamos ser.

Peguei o celular e digitei rapidamente:
"Camz, preciso te ver. Agora. Não importa o que digam, só nós dois. L."

Apertei enviar e sentei de volta, coração disparado, tensão crescendo, medo e expectativa consumindo cada parte de mim. Cada minuto de silêncio parecia uma eternidade; cada notificação, uma punhalada ou uma esperança.

Todo momento lembrava-me de quem eu era e de como o mundo via alguém como eu — homem trans, apaixonado, vulnerável. Cada gesto de afeto conquistado parecia um milagre frágil, que eu segurava com medo de perder.

Lost // lj + cc // transOnde histórias criam vida. Descubra agora