Fourteen

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Acordei antes de Camila. Sua carinha amassada, alguns fios de cabelo espalhados, contrastava com a respiração calma e serena. Levantei com cuidado para não acordá-la e fui ao banheiro tomar um banho, observando alguns roxos e marcas que ela havia deixado em meu corpo. Sorri lembrando dela enquanto gemia silenciosamente, mas logo afastei os pensamentos e me espreguicei, sentindo minhas costas arder.

— Caralho, Camila...

Havia arranhões vermelhos em minhas costas, ardendo a cada movimento. Só queria descobrir como seria o banho. Saí do banheiro, enxugando o cabelo que já pedia corte, e Camz ainda dormia tranquila. Liguei para a recepção para pedir o jantar e, de quebra, uma rosa — queria dar algo que fosse além do prazer físico.

Meia hora depois, junto com o jantar, ela acordou, com a cara amassada, me encarando. Deu risada e se jogou de volta na cama.

— Tá ficando louca? — perguntei, sorrindo, e me sentei na ponta da cama.

Ela virou de barriga para baixo, esticando a mão para alcançar a minha:

— Talvez você tenha me deixado louca.

— Que calúnia, Srta. Cabello — respondi, sorrindo, pegando a rosa que havia pedido.

— Pra você.

Ela cheirou a rosa, suspirando.

— Obrigada, Lawr. — disse corada. — Eu amei essa rosa.

Pulou em meu colo, estilo abraço-coala. O lençol caiu, deixando-a nua. Fiquei tenso, e ela percebeu, ficando ainda mais corada.

— Vou tomar banho, já volto — disse, saindo do meu colo e indo em direção ao banheiro.

Sentei na espreguiçadeira da varanda, observando a movimentação das pessoas minúsculas na rua principal. Minutos depois, senti Camz próxima, o cheiro doce de seus cabelos recém-lavados me envolvia. Ela beijou meu pescoço delicadamente e sentou entre minhas pernas. Cada fio molhado que caía eu enxugava com cuidado, e a cada vez que seu pescoço ficava livre, eu depositava um beijo, sentindo-a sorrir sem precisar de palavras.

Após o jantar, entre risadas e histórias antigas, decidimos ver um filme. Ela escolheu uma animação qualquer, mas eu não conseguia tirar os olhos dela. Em um desses momentos, soltei as palavras que guardava há muito tempo:

— Camila, eu te amo.

Ela pausou o filme, me encarando. Seu peito subiu e desceu mais rápido, como se o ar tivesse sumido por um instante:

— O que disse?

— Disse que te amo. Queria dizer isso há muito tempo, mas sentia medo da dimensão desse sentimento e acabava agindo como se não fosse isso. Me desculpa por demorar, mas eu realmente estou apaixonado por você. Desde que te conheci, sinto isso por ti. Eu sou tolo por você, e talvez você seja demais para mim, porém estou realmente perdido por essa sua imensidão castanha.

Ela piscou, os olhos marejando, e meu coração quase parou. Quando abriu a boca, sua voz saiu trêmula, carregada de algo que misturava alívio e desespero:

— Lawrence, você sabe que eu... o Simon vai surtar se descobrir que estamos juntos. Eu amo você...

— Shiuuu... — coloquei o dedo sobre seus lábios. — Eu quero que o Simon se foda. Nada vai me impedir de ficar com você. Só você tem a decisão de me mandar embora.

As lágrimas escorreram, e ela riu nervosa, apertando minhas mãos contra o peito.

— Eu não sei o que dizer. Lawr... eu amo muito você.

Ela se jogou em meus braços, me abraçando com tanta força que parecia querer se fundir à minha pele. O coração dela batia descompassado contra o meu, e, no calor daquele aperto, era como se jurássemos sem palavras que nada nos separaria.

Comecei a cantar baixinho, quase como uma prece proibida:

Tell me pretty lies
Look me in the face
Tell me that you love me
Even if it's fake
'Cause I don't fucking care, at all

Ela se aninhou mais, os olhos fechados, a boca roçando meu ouvido. Sussurrou com a voz embargada, mas carregada de desejo e medo:

— I'm so fucking scared. I'm only a fool for you.

Dessa vez não houve hesitação. Segurei seu rosto entre minhas mãos e a beijei como quem não aceita mais voltar atrás. Nossos lábios se chocaram com força, com fome, com a urgência de quem sabe que o mundo pode ruir, mas ainda assim prefere arder junto. Foi um beijo de sangue e alma, um pacto silencioso. E, no fundo, eu sabia: a partir dali, não existia mais volta — só nós dois, queimando até o fim.

Lost // lj + cc // transOnde histórias criam vida. Descubra agora