Fugindo de lembranças dolorosas e de pessoas perigosas, Luíza vai para a capital do estado em busca de um recomeço. Quando a jovem pensa que poderá viver sem medo o passado ressurge, abrindo suas feridas.
Giovanni é um empresário de sucesso mas guar...
Era verão, fevereiro mais precisamente. Já haviam pessoas com colares coloridos e latas de cerveja nas mãos, parecia que todos estavam ansiosos para o Carnaval. Enquanto tocava uma música repetitiva ao fundo, minha atenção estava toda concentrada naquele copo de whisky entre meus dedos.
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Giovanni Tavares, 30 anos.
Fui disperso de meus devaneios quando ouvi uma risada suave. Uma mulher, acompanhada de duas amigas. Elas sentaram-se uma ao lado da outra, ao meu lado esquerdo, debruçando seus cotovelos no balcão do bar. Elas sorriam, pareciam comemorar algo. Com um gesto com a mão esquerda pedi mais uma dose ao garçom, decidido a sair daquele poço de auto piedade.
- Posso te pagar uma bebida? - falei alto, fazendo-a olhar para mim.
- Não sei se é uma boa ideia. - ela respondeu, tímida. - Acho que já bebi o suficiente.
- Não é pra beber mais que o suficiente que as pessoas vão à bares? - provoquei.
- Talvez. - deu de ombros. - Você está comemorando algo?
Ela era hipnotizante. Seus cabelos escuros presos em um rabo de cavalo exibiam seu pescoço esguio, suas orelhas com vários brincos e seus ombros aveludados. Ela usava um perfume doce e pouca maquiagem. Com aqueles olhos, ela não precisaria de maquiagem alguma. Seus olhos eram grandes e escuros como seu cabelo. A pele naturalmente bronzeada era como uma moldura em uma obra de arte.
- Não estou. - respondi, bebendo o resto da bebida que havia no copo em um único gole. - Estou lamentando. - completei.
- Dia difícil? - perguntou, voltando sua atenção para mim.
Ela parecia interessada em me ouvir. Foi estranho, porque eu quis ser ouvido por ela também.
- Dia, não. Uma década inteira. - desabafei, sentindo um sorriso amarelo surgir em meu rosto. - E você, está comemorando ou lamentando?
- Comemorando.
Ela estava me deixando intrigado, eu não conseguia decifrá-la. Ao mesmo tempo em que percebi sua atenção se voltando para mim, ela parecia fechada, eu quase podia ver os muros altos a sua volta. Ela não estava flertando comigo, estava apenas sendo gentil.
- Comemorando o que? Qual a sua história? - perguntei, curioso.
- Nem queira saber minha história - disse, dando um gole em sua bebida. - Hoje eu sou apenas uma garota em um bar. - completou, forçando um sorriso.