Capítulo 29

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Luíza:

As primeiras estrelas da noite já começavam a aparecer no céu. O apartamento estava submerso em um silêncio sepulcral. Ninguém queria falar a primeira palavra. Ninguém queria dar início àquela conversa.

Estávamos há horas sem notícias, e já começávamos a temer pelo pior.

Um som vindo da porta de entrada chamou nossa atenção. Em sincronia, todos nos viramos, ansiando por quem a atravessaria.

Era Henrique, mas estava muito diferente do homem que costumava ver. Suas roupas não eram formais, ele usava uma camiseta preta, calças cargo pretas e coturnos pretos. Tudo estava coberto de uma grossa camada de poeira, assim como seu rosto e seus cabelos cor de mel. 

Ele se aproximou, cabisbaixo. Visivelmente exausto, como se carregasse uma tonelada sobre seus ombros. Passou para o outro lado da sala, servindo-se uma dose de conhaque.

Todos tínhamos perguntas para fazer, mas ninguém conseguia falar nada. Apenas esperávamos que Henrique dissesse algo, mas sua cara não parecia trazer boas notícias.

- Cadê a minha irmã? - Thalles perguntou, e pude sentir o medo em sua voz.

- No hospital. - Henrique respondeu, sem tirar os olhos da garrafa e do copo em suas mãos. - Só por precaução, pra termos certeza de que ela está bem.

Thalles suspirou, aliviado, abraçando Amanda.

Sem dizer mais nada, Henrique subiu as escadas, levando consigo a garrafa de Remy Martin.

- Percebeu que Álvaro não está aqui? - Beatriz perguntou, acomodando-se ao meu lado no sofá.

- O que quer dizer?

- Algo aconteceu com Álvaro. Ele não morreu, se fosse isso Henrique já teria falado. Eu conheço meu irmão, ele está se isolando porque está preocupado.

Beatriz estava certa. Eu podia imaginar como Henrique estava se sentindo, eu já havia passado por aquela situação, e eu queria que ele soubesse que não estava sozinho.

- Vou falar com ele. - sussurrei, avisando Beatriz.

Enquanto Amanda, Thalles e Rafael conversam sobre Nathalie, me afastei sutilmente e subi as escadas, seguindo os passos de Henrique.

Entrei no seu quarto, vi suas roupas espalhadas pelo chão, formando uma trilha até o banheiro. Me aproximei a passos lentos, vendo sua silhueta através do vidro embaçado. Atravessei a porta do banheiro, que já estava aberta.

- Henrique. - minha voz saiu fraca e trêmula, deixando transparecer todo o meu nervosismo.

Ele não respondeu. Apenas virou-se para mim, passando a mão no vidro, tornando-o transparente novamente.

Meus pés pararam de se mover. Encarei seu rosto, seus olhos cansados e tristes, seu cabelo molhado enquanto a água quente escorria por sua pele.

- Quer conversar? - perguntei, hesitante.

- Não. - ele disse, com a voz embargada. - Acho que preciso ficar sozinho.

- É isso que você quer?

- Não. - balbuciou, desviando o olhar, encarando o chão.

Puxei a chemise xadrez de meus ombros, deixando-a cair no porcelanato. Tirei a regata preta de dentro da calça jeans de cintura alta e a ergui, passando-a pela minha cabeça. Em seguida abri o botão e o zíper da calça, agora sob o olhar de Henrique.

- O que está fazendo? - ele perguntou.

Eu não respondi. Eu nem saberia o que responder, só queria ficar com ele, fazê-lo entender que ele não estava sozinho, que não precisava lidar com aqueles sentimentos sozinho.

Quando Conheci Luíza [em revisão]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora