Capítulo 31

5.9K 412 7
                                        

REPOSTADO [2022]

Luíza:

Quando Henrique chegou já era noite. Eu e Amanda estávamos na bancada da cozinha, tomando café, quando ouvimos sua voz grave, falando ao telefone. Ouvi a voz de Henrique se afastar, enquanto ele subia as escadas.

- Aconteceu alguma coisa. - constatei, pensando alto.

- Acha que é algum problema no trabalho?

- Não sei, acho que não. Será que eu devo ir conversar com ele?

- Melhor não. Dá um espaço pra ele. - Amanda sugeriu.

Em silêncio, concordei com minha amiga. Henrique era um cara solteiro, morando sozinho, sem grandes problemas em sua vida pessoal, e de repente tem uma namorada e os amigos dela morando em seu apartamento, enquanto rolava uma guerra de máfias ao fundo e um tiroteio de trilha sonora. A vida dele também virou de cabeça pra baixo, e era previsto que em algum momento seu auto controle acabasse. 

Amanda continuou seu café com os olhos presos ao seu celular, rolando o feed do Instagram. Após alguns minutos, Henrique desceu as escadas e foi até a cozinha. Reparei em seus cabelos ainda um pouco molhados, ele parecia mais calmo depois do banho.

- Amanda, sabe onde o Thalles está? - Henrique perguntou, apoiando seus cotovelos na bancada.

- Ele foi com o Rafa no apartamento do Álvaro. Tinha umas roupas do Rafa lá, eles foram buscar.

- Você pode ligar pra eles, por favor? Precisamos conversar, é urgente. - seu rosto estava tenso.

- Claro, eu vou ligar agora. - Amanda disse, percebendo que era importante.

- O que aconteceu? - perguntei, preocupada.

- Nada, por enquanto. - ele respondeu, virando as costas.

Saiu da cozinha, parecendo desorientado. Fui atrás, apenas para observa-lo. Ele entrou em seu escritório, do outro lado da sala de estar, e fechou a porta.

Amanda falou com Thalles ao telefone, e em poucos minutos ele e Rafael estavam de volta. Estávamos preocupados. Ficamos na sala de estar, deslocados, aguardando por Henrique.

Enquanto Amanda e Thalles conversavam sobre o bebê, meu olhar ficou preso à Rafael. Ele estava tentando se adaptar sem a tipoia, mas ainda tinha dificuldades em mover o braço atingido. Ele estava tão focado em tentar dobrar o braço que nem percebeu que eu estava o observando.

- Ainda dói? - perguntei, chamando sua atenção.

- É, nunca tomei tantos analgésicos na vida. - riu sem humor, com o olhar em seu braço.

- Nem me fale. Meu hálito já tinha o cheiro de dipirona. - disse, fazendo sorrir genuinamente.

- E você, ainda sente dor? - ele perguntou, seus olhos saltaram do meu rosto para a minha barriga e voltaram.

- Na barriga ainda dói, as vezes. No ombro cicatrizou bem mais rápido.

- A gente vai ter muita história pra contar pros netos, né? - ele sorriu, como se imaginasse a cena.

Sorri também, acenando com a cabeça. - Mas antes de poder contar pros nossos netos, vamos poder contar pro nosso afilhado. - falei mais alto, chamando a atenção de Amanda e Thalles.

- Nada de histórias de gente levando tiro pro meu bebê! - ela protestou, pousando a mão em sua barriga.

Todos rimos da reação de Amanda, e era em breves momentos como aquele que eu percebia que tinha uma bela família ao meu lado. 

Quando Conheci Luíza [em revisão]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora