Capítulo 30

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Henrique:

Na manhã seguinte fomos ao hospital. Ver meu primo daquela forma me destroçou. Haviam cabos monitorando seus sinais vitais e um tubo em sua boca, levando o oxigênio para seus pulmões.

Rafael permaneceu em pé, ao lado da cama, olhando para aqueles fios e monitores. Matteo sentou-se do outro lado do quarto, em silêncio.

- Os médicos já disseram algo sobre o caso dele? - Rafa perguntou, cruzando os braços sobre seu peito.

- Pra mim, não. Vou falar com os pais dele, talvez já tenham alguma informação.

- Ele vai ficar bem. Ele é forte, eu sei que ele vai ficar bem. - Rafael resmungou, com os olhos fixos no rosto de Álvaro.

- Nós precisamos estar preparados. André está morto, mas Miguel é ainda pior que o irmão dele. É de Miguel que precisamos ter medo. - comentei, verdadeiramente abalado.

- E eles precisam ter medo de Henrique Tavares, porra! - Matteo rebateu, enérgico. - Se for preciso, mais homens virão da Itália. Quantos forem necessários. Essa guerra não é só sua, Henrique. Nós vamos matar um por um, por ordem da Cosa Nostra.

A convicção de Matteo me passou confiança. Apesar de que ele não fosse o tipo de homem que suja as próprias mãos, ele tinha poder e dinheiro o suficiente pra que centenas de outros homens sujassem por ele.

Antes que aquela conversa continuasse, meu celular tocou. Caminhei até o corredor para atender.

- Boa tarde, senhor Henrique. - ouvi a voz estridente de Sabrina.

- Algum problema?

- O senhor pediu para avisa-lo se o senhor Guilhermo tivesse alguma outra reunião com os acionistas. Será hoje, às 21h. Também preciso da sua assinatura em alguns papéis e...

- Merda! - resmunguei. - Obrigado por avisar. - desliguei, apressado.

Quando me virei para retornar ao quarto de Álvaro, vi Germano, Martha e Natasha no final do corredor. Elas choravam abraçadas, enquanto ele conversava com um médico de meia idade. Abri a porta do quarto rapidamente.

- Vocês precisam sair! Rápido! - disse, segurando a porta aberta.

Rafael e Matteo se olharam confusos e saíram do quarto sem maiores explicações. Fechei a porta e os vi de costas, seguindo pelo corredor. Quando me virei, atrás de mim estavam meus tios e minha prima.

- Henrique, você também foi avisado? - Tia Martha perguntou, secando as lágrimas.

- Sim, tia. Acabei de chegar. - a abracei, carinhosamente. - Sinto muito, tenho certeza que ele vai melhorar logo. - ainda chorando, ela afastou seu corpo e virou-se para seu esposo, abraçando-o.

- Sabe como isso aconteceu? - Tio Germano perguntou, quase sussurrando.

- É melhor sairmos do corredor. - disse, abrindo a porta do quarto.

Eles entraram e eu fechei a porta, dando uma última olhada no corredor.

- Pelo que soube, ele reagiu a um assalto. - foi a primeira mentira que me veio à cabeça.

- Mas o tiro foi nas costas. - Natasha comentou, confusa.

- Talvez ele tenha tentado correr, eu não sei. Teremos que esperar ele acordar para nos dizer. O que o médico disse? - perguntei, olhando para o rosto cansado de meu tio.

- O médico disse que ele perdeu muito sangue, que a bala se alojou perto do pulmão e isso complicou a cirurgia. - explicou, cabisbaixo. - Agora ele está em coma induzido, os médicos vão manter ele assim por enquanto.

Quando Conheci Luíza [em revisão]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora