Capítulo 21

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Henrique:

Era madrugada quando chegamos em casa. Luíza estava dormindo em um dos sofás, e no outro estava Amanda. Assim que abri a porta, Rafael levantou-se de uma das poltronas e caminhou em minha direção. Álvaro, Thalles e William entram logo atrás de mim.

Apesar dos olhos curiosos de Rafael estarem fitando meu rosto ferido, ele não perguntou nada, apenas se certificou de que estávamos todos bem.

Eu soltei minha arma sobre o aparador e caminhei até o bar. Me servi uma dose de Bourbon sem gelo e virei em um gole só.

Luíza e Amanda acordaram com os ruídos, praticamente ao mesmo tempo. Seus olhos aflitos percorreram o apartamento, se certificando do mesmo que Rafael.

- Como foi? - Luíza perguntou, com medo da resposta.

- Ah, foi ótimo. - Álvaro disse, irritado. - Provavelmente teremos uma guerra com a máfia mexicana, mas fora isso, tudo certo. - concluiu, se aproximando de mim.

Álvaro serviu um dose pra si, da mesma garrafa que eu abri, e em dois goles esvaziou seu copo.

- Henrique, precisamos ter uma conversa. - William disse, cruzando os braços sobre seu peito largo. - O que fizemos essa noite foi muito imprudente. Nossos próximos passos precisam ser tomados com cautela. Meu trabalho é te manter seguro, mas isso fica mais difícil quando você escolhe confrontar aliados do Cartel Del Golfo.

- Eu acho que vamos precisar de mais homens. - Thalles ponderou, sentando-se ao lado de Amanda. - André e Miguel tem um exército a disposição deles. E com certeza virão mais do México. A máfia mexicana não vai deixar eles desamparados.

Liguei a TV conectando meu celular à ela. Mostrei as fotos que tirei do arsenal que encontrei na boate. Os olhos de todos estavam fixos na tela, surpresos.

- Quero que descubra se esse armamento é deles ou se eles estão traficando armas. - disse, olhando para William, que assentiu.

- Todas essas caixas são armas? - Amanda indagou, com os olhos arregalados ainda na tela da televisão.

- Provavelmente. - respondi. - E se isso for um estoque pessoal, significa que eles tem muitos homens para todas essas armas.

- Você sabe o que fazer. - Álvaro me olhou fixamente, me fazendo entender do que estava falando.

- Não vejo outra saída. - admiti, derrotado.

- Espera aí, do que vocês estão falando? - Thalles estava com um olhar confuso sobre mim.

Luíza e Rafael também me olhavam, com a mesma expressão.

Eu não queria mentir para ela, mas como contar algo assim?

- Falamos disso amanhã. Eu preciso de um banho, de uma noite de sono e de um tempo pra pensar. - respondi, desligando a TV.

- Vou ficar aqui essa noite, se não se incomodar. - Álvaro disse.

- Claro! Sem problemas, tem dois quartos livres. - dei de ombros.

- Duvido que eu consiga dormir, mas... Se me derem licença, eu preciso relaxar um pouco. - Álvaro disse, pondo-se em pé. - Boa noite pra vocês. - concluiu.

- Boa noite. - respondemos todos, em uníssono.

Álvaro se afastou, subindo as escadas. Alguns minutos depois Thalles, Amanda e Rafael também foram, me deixando a sós com Luíza. Sentei-me ao seu lado, beijei seus lábios, mas senti que ela estava distante.

- Tudo vai ficar bem, Luíza. - eu sussurrei, olhando em seus olhos.

- Eu rezo pra que fique. - ela disse, afagando seu rosto tenso. - Porque eu nunca vou me perdoar se algo grave acontecer com algum de vocês.

Quando Conheci Luíza [em revisão]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora