Fugindo de lembranças dolorosas e de pessoas perigosas, Luíza vai para a capital do estado em busca de um recomeço. Quando a jovem pensa que poderá viver sem medo o passado ressurge, abrindo suas feridas.
Giovanni é um empresário de sucesso mas guar...
Fui acordada com um golpe de água gelada em meu rosto. Olhei para os lados, tentando entender onde estava. Havia uma luz amarela no ambiente e dois homens ao meu lado. Estava amarrada em uma cadeira, meu corpo estava encharcado, e havia gosto de sangue em minha boca.
- Você faz muitas escolhas erradas, garota. - um deles disse, com os dentes cerrados.
- Vocês são soldadinhos do André? - indaguei, engolindo saliva e sangue.
A resposta para minha pergunta foi um soco contra o meu rosto. Mas eu não poderia deixar que eles vissem o quanto eu estava aterrorizada.
- Você lembra do homem que matou quando fugiu? - o homem tatuado perguntou, com a voz branda.
Permaneci em silêncio, enquanto o pavor percorria cada centímetro do meu corpo.
- Ele era meu irmão. -disse, apontando uma arma para a minha cabeça, a alguns passos de distância. - Você roubou o carro dele, o dinheiro dele, e depois o matou, com quatro tiros. Lembra disso? - insistiu, me fitando.
Não havia um dia sequer que eu não pensasse naquele homem. Saber que eu tinha tirado a vida de alguém me assombrou por muito tempo.
Encarei-o por alguns segundos e reconheci seu rosto. Ou melhor, suas tatuagens. Ele tinha os cabelos longos e loiros, sempre soltos e desgrenhados. Seu rosto também era tatuado, e foi a tatuagem no topo de sua testa que me permitiu reconhece-lo. Uma frase ilegível, rente ao cabelo.
Ele era amigo e braço direito de Miguel. Sempre estava na fazenda, liderando os soldadinhos do exército Cavalera. O irmão dele era o homem que matei durante minha fuga, era o dono do carro que roubei e do dinheiro que encontrei. Também era muito próximo de Miguel.
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Otávio voltou a golpear meu rosto com um soco. Senti um corte se abrir em minha sobrancelha e o sangue quente escorrer pelo meu rosto, misturando-se às lágrimas involuntárias. Meu corpo estava consumido por raiva e medo. Nem ao menos sentia a dor dos golpes, apenas calor, como se minha pele estivesse em brasa.
Eu tinha certeza que iria morrer, mas não lhes daria o gosto de me verem com medo novamente.
Eles se afastaram. Caminharam para um canto escuro da sala, a luz forte estava contra meu rosto, ofuscando minha visão. Eles cochichavam, pareciam debater o que fariam comigo. O tatuado olhou para mim por cima do ombro, voltou a cochichar e ambos saíram da sala.
Horas se passaram. A adrenalina em mim despencou, me deixando com todas as dores de uma vez só. Senti o lado esquerdo de meu rosto inchando, não conseguia abrir um dos meus olhos. Lutei para me manter acordada, mas meu corpo estava apagando. O desgaste físico foi mais forte, me fazendo perder a consciência.
Henrique:
Acordei com o celular tocando ao meu lado. Estiquei o braço para alcança-lo, e assim que vi o nome de Amanda na tela, me ligando às 01h da manhã, soube que havia algo errado.