Capítulo 20

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Luíza:

- Você só pode estar ficando louco, porra. - Álvaro resmungou, incrédulo.

- O Álvaro tem razão, isso é muito arriscado. - Thalles interviu, tentando fazer Henrique mudar de ideia.

- É a melhor forma de sabermos o que vamos enfrentar. - Henrique insistiu, falando tranquilamente.

O plano dele era simples e objetivo. Entrar na boate como o playboy hedonista que costumava ser, e assim poder averiguar o local.

- É perigoso. - eu disse, encarando seu rosto.

- Eu acho uma excelente ideia. - Amanda deu de ombros. - Eles não sabem que Henrique está envolvido nisso. Talvez até deixem alguma informação escapar, depois de algumas doses.

- Vocês só podem estar brincando! - Álvaro esbravejou, revirando os olhos. - A tua ideia é entrar no covil dos caras como um mero visitante? Porra, Henrique. Eu não vou deixar você se matar desse jeito.

- Bem, na verdade Amanda tem razão. Eles não sabem que Henrique está envolvido. Os homens que nos viram resgatando Luíza, morreram. Eles seriam os únicos que poderiam saber do envolvimento de Henrique. - Rafael ponderou.

- Eu não estou pedindo sua permissão. - Henrique disse firme, olhando para Álvaro. - Essa nem é uma briga sua, você não precisa se meter nisso.

- Toda briga sua é minha também. - Álvaro passou os dedos por seu cabelo castanhos. - Família sempre, lembra? - encarou Henrique, com o rosto tenso.

- Sempre. - Henrique murmurou. - André e Miguel nem desconfiam que eu sei das merdas deles, ou que eu e Luíza estamos juntos. - falou, mais tranquilo. - Eu entro lá, bebemos, conversamos e assim poderei sondar, ver quantos são e se há mais algum figurão envolvido nisso.

- Você não vai sozinho. - Álvaro impôs, encarando seu primo. - Se quer fazer essa loucura, eu vou junto.

Eles conversaram por horas sobre aquele assunto. Eu apenas ouvia na maior parte do tempo, temendo pela segurança de todos. William e outro homem da segurança saíram, e voltaram com muitas armas dentro de malas. Eles começaram a montar e distribuir os objetos pela sala de estar, que em poucos minutos ficou parecendo uma tenda militar.

Os rapazes colocaram coletes à prova de balas e armas de porte pequeno sob as roupas. Havia uma tensão no ambiente, todos sabíamos que seria uma missão arriscada.

Thalles e Amanda estavam um pouco afastados, mas posso ouvir ela pedindo pra ele tomar cuidado. Ela não suportaria perde-lo.

Me senti tão perdida. Observava a todos, como se fosse uma mosquinha pairando no ambiente. Álvaro e William estavam colocando as armas maiores em bolsas pretas, enquanto as menores ficariam em seus corpos. Henrique estava conversando com Rafael, parecia estar passando instruções, e Rafael ouvia atentamente.

Eu permaneci estática, apenas observando. E por alguns segundos acreditem que ninguém estivesse me vendo ali. Eu estava sendo esmagada pelo sentimento de culpa. Eu nunca quis nada daquela loucura para nenhuma daquelas pessoas, que estavam literalmente colocando suas vidas em risco... Por mim. Era confuso. Ao mesmo tempo que me sentia verdadeiramente acolhida e amada como nunca antes, também me sentia um fardo cada vez mais pesado.

Quando Henrique finalmente me notou, imóvel como se fosse parte da mobília, caminhou em minha direção. Ele segurou minha mão e me levou até seu escritório. Entramos, deixando a porta aberta.

- Você está bem? - perguntou, olhando em meus olhos.

Balancei a cabeça em um sinal positivo.

Quando Conheci Luíza [em revisão]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora