REPOSTADO [2021]
Henrique:
Ao passar pelos portões da mansão em que cresci, fui invadido por lembranças da infância, quando minha única preocupação era descobrir os esconderijos de Estevam. Ele era bom em se esconder e o jardim enorme era perfeito para crianças.
O carro andava devagar por uma longa calçada sinuosa. Quando estacionou, pedi para que William me esperasse ali mesmo.
Na porta fui atendido por Helga, a governanta. Depois que minha mãe faleceu, Helga foi uma figura materna para mim e meus irmãos. Ela era zelosa, amorosa e presente, características que eu nunca poderia usar para descrever o pai que tive.
Helga era baixinha e gordinha. Tinha 60 anos, já era aposentada mas continuava trabalhando para meu pai. Ela não tinha família, morava em um espaçoso e confortável quarto na mansão à qual se dedicou por décadas de sua vida. Minha irmã ainda morava com meu pai, e Helga era muito apegada à ela.
Os olhos azuis da senhora de origem alemã percorreram meu corpo, me examinando.
- O que aconteceu com você, meu menino? - ela perguntou, assustada.
Me inclinei, dando um beijo em seu rosto, tomando cuidado para não sujá-la.
- Esse sangue não é meu. - disse, fazendo pouco caso.
- Saber que você está coberto pelo sangue de outra pessoa não é muito tranquilizador. - ela me deu um sorriso amarelo.
- Meu pai está? - perguntei, passando pela porta.
- Está, no escritório. - fechou a porta. - Você quer comer alguma coisa, meu filho? Está magro, precisa se alimentar direito!
- Não, obrigado. - sorri para ela. - Logo vou pro meu apartamento tomar um banho e tirar essa roupa, aí como algo lá.
Ela assentiu, me olhando amorosamente.
- Vou falar com ele. - avisei, me afastando.
Saí do saguão e fui para o escritório de meu pai. Fui surpreendido ao abrir a porta.
Meu pai estava aos amassos com sua secretária, sobre sua mesa. Ao me verem ambos se afastaram rapidamente, ajeitando suas roupas.
- Não sabe bater? - meu pai rosnou, irritado.
- Foi mal, eu não quis atrapalhar a reunião de vocês. - respondi, rindo involuntariamente.
- Que merda aconteceu com você? - ele perguntou, me olhando da cabeça aos pés.
Eu ignorei sua pergunta. Apenas continuei o encarando. A secretária de pouco mais de 30 anos passou por mim, saindo da sala apressadamente.
- Porque temos um hospital sendo gerenciado pela corporação Tavares e porque estou sabendo disso só agora? - questionei, assim que ficamos sozinhos.
- É ilusão sua achar que você sabe tudo o que se passa naquela empresa.
- Isso não responde minha pergunta. - rebati
- Ele ia fechar, estava sucateado. Eu comprei, passei para a Tavares Corporation e ele foi reerguido. Acionistas novos apareceram e aquele hospitalzinho de quatro andares indo à falência virou o Hospital Helena Tavares, enorme e inovador!
- O nome da minha mãe.- constatei, respirando fundo. - E porque não há registros de nada disso? Porque eu não sabia disso?
- Você não assiste aos noticiários, garoto? - indagou, rindo. - A reforma do hospital foi notícia por dias, e os registros estão lá, anexados à divisão de hotelaria da Corporação Tavares.
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Quando Conheci Luíza [em revisão]
RomansaFugindo de lembranças dolorosas e de pessoas perigosas, Luíza vai para a capital do estado em busca de um recomeço. Quando a jovem pensa que poderá viver sem medo o passado ressurge, abrindo suas feridas. Giovanni é um empresário de sucesso mas guar...
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