Capítulo 16

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REPOSTADO [2021]

Henrique:

Ao passar pelos portões da mansão em que cresci, fui invadido por lembranças da infância, quando minha única preocupação era descobrir os esconderijos de Estevam. Ele era bom em se esconder e o jardim enorme era perfeito para crianças.

O carro andava devagar por uma longa calçada sinuosa. Quando estacionou, pedi para que William me esperasse ali mesmo.

Na porta fui atendido por Helga, a governanta. Depois que minha mãe faleceu, Helga foi uma figura materna para mim e meus irmãos. Ela era zelosa, amorosa e presente, características que eu nunca poderia usar para descrever o pai que tive.

Helga era baixinha e gordinha. Tinha 60 anos, já era aposentada mas continuava trabalhando para meu pai. Ela não tinha família, morava em um espaçoso e confortável quarto na mansão à qual se dedicou por décadas de sua vida. Minha irmã ainda morava com meu pai, e Helga era muito apegada à ela.

Os olhos azuis da senhora de origem alemã percorreram meu corpo, me examinando.

- O que aconteceu com você, meu menino? - ela perguntou, assustada.

Me inclinei, dando um beijo em seu rosto, tomando cuidado para não sujá-la.

- Esse sangue não é meu. - disse, fazendo pouco caso.

- Saber que você está coberto pelo sangue de outra pessoa não é muito tranquilizador. - ela me deu um sorriso amarelo.

- Meu pai está? - perguntei, passando pela porta.

- Está, no escritório. - fechou a porta. - Você quer comer alguma coisa, meu filho? Está magro, precisa se alimentar direito!

- Não, obrigado. - sorri para ela. - Logo vou pro meu apartamento tomar um banho e tirar essa roupa, aí como algo lá.

Ela assentiu, me olhando amorosamente.

- Vou falar com ele. - avisei, me afastando.

Saí do saguão e fui para o escritório de meu pai. Fui surpreendido ao abrir a porta.

Meu pai estava aos amassos com sua secretária, sobre sua mesa. Ao me verem ambos se afastaram rapidamente, ajeitando suas roupas.

- Não sabe bater? - meu pai rosnou, irritado.

- Foi mal, eu não quis atrapalhar a reunião de vocês. - respondi, rindo involuntariamente.

- Que merda aconteceu com você? - ele perguntou, me olhando da cabeça aos pés.

Eu ignorei sua pergunta. Apenas continuei o encarando. A secretária de pouco mais de 30 anos passou por mim, saindo da sala apressadamente.

- Porque temos um hospital sendo gerenciado pela corporação Tavares e porque estou sabendo disso só agora? - questionei, assim que ficamos sozinhos.

- É ilusão sua achar que você sabe tudo o que se passa naquela empresa.

- Isso não responde minha pergunta. - rebati

- Ele ia fechar, estava sucateado. Eu comprei, passei para a Tavares Corporation e ele foi reerguido. Acionistas novos apareceram e aquele hospitalzinho de quatro andares indo à falência virou o Hospital Helena Tavares, enorme e inovador!

- O nome da minha mãe.- constatei, respirando fundo. - E porque não há registros de nada disso? Porque eu não sabia disso?

- Você não assiste aos noticiários, garoto? - indagou, rindo. - A reforma do hospital foi notícia por dias, e os registros estão lá, anexados à divisão de hotelaria da Corporação Tavares.

Quando Conheci Luíza [em revisão]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora