Luíza:
Estou em um cômodo escuro, sentada no chão, abraçando meus joelhos. A luz do corredor entra por baixo da porta, vejo sombras e ouço passos. Meu estômago se contrai, estou com tanto medo. Ouço a voz de André, ele conversa com um homem.
- Ela está pronta. Você vai gostar dela.
- É novinha? - o outro pergunta.
- Tem 17. Do jeitinho que tu gosta. - André responde, parecendo se divertir com a situação.
Um calafrio percorre meu corpo, fecho os olhos e peço para que qualquer entidade divina me proteja. Mas novamente, ninguém ouve meus pedidos.
A porta se abre, vejo a silhueta de André. Ele acende a luz e seus olhos me encontram. Ele caminha em minha direção.
- Por favor! - peço, chorando. - Por favor, André! Não faz isso!
Ele ignora minhas súplicas, segura meu braço e me puxa, fazendo eu me levantar. Esperneio e tento afastá-lo, mas ele é muito mais forte que eu.
Miguel entra no quarto com uma seringa na mão, ele vem em minha direção e se prepara para injetar em mim quando um homem surge na porta.
- Não! Eu gosto delas conscientes. - ele diz.
Ele é mais velho, deve ter mais de cinquenta anos. Sua voz rouca me faz ter calafrios. André me segura com força contra a parede enquanto Miguel fala com o homem.
- Tem certeza? Essa aqui é bem agitada.
André ri, aproveito o seu segundo de distração e acerto um chute em seus testículos. Ele se curva de dor e imediatamente Miguel me dá um soco na cabeça, com toda sua força. Caio quase perdendo a consciência, vejo o vulto do homem se aproximar. Minha visão está turva, não consigo ver seu rosto. Ele se abaixa e acaricia meu cabelo.
- Prefiro quando elas são relutantes. - ele sorri para mim, levantando-se.
Ainda estou caída no chão, André chuta meu estômago e eu me contorço de dor.
- Vagabunda! - ele grita, ajeitando seu cabelo.
Eu choro. É tudo que consigo fazer. Já nem sei mais há quantos dias estou sendo torturada, violentada e humilhada. Começo a torcer pra que André me mate logo. Não tenho mais esperanças.
- Isso fecha nosso contrato? - André pergunta, e o homem assente. - Ótimo! - André sorri vitorioso.
Eles dão um aperto de mãos. Miguel se abaixa ao meu lado, puxa meu braço com força e enfia a agulha, injetando apenas metade de seu conteúdo.
- Ela ainda vai chorar e tentar se defender, mas não vai ter força. - Miguel explica.
- Ótimo. Podem me deixar sozinhos com ela. - o velho sorri.
Miguel sai de imediato. André dá uma última olhada para mim, com desprezo, e sai, batendo a porta do quarto.
Tento me levantar, mas estou cambaleando. Talvez pelo soco, talvez pela droga que Miguel injetou em mim. Fico de pé com dificuldade, me apoio na parede esperando minha visão voltar ao normal. Olho para meus braços, que estão repletos de hematomas, cortes e marcas de injeção.
Cambaleio um pouco para o lado e vejo meu reflexo em um espelho na parede. Sou um rascunho de ser humano, mal consigo ver meu rosto sob tanto hematoma e marca de violência. Estou com os cabelos soltos e visto uma camiseta branca, que vai até minhas coxas.
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Quando Conheci Luíza [em revisão]
RomanceFugindo de lembranças dolorosas e de pessoas perigosas, Luíza vai para a capital do estado em busca de um recomeço. Quando a jovem pensa que poderá viver sem medo o passado ressurge, abrindo suas feridas. Giovanni é um empresário de sucesso mas guar...
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