[CONCLUÍDA] Após a morte do filho, Jonas decide ir até as últimas consequências para mudar a forma como a sociedade enxerga a homossexualidade - mesmo que para isso tenha que lutar contra cada homofóbico que apareça pelo caminho.
1° Lugar no concur...
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— Vai! Vai logo, filho da puta. Pula logo!
Acordei com aquela voz ecoando na minha mente e senti tontura. Demorei vários segundos para conseguir me mexer, a ressaca estava forte e os cortes em minhas mãos ardiam.
Tentei lembrar onde passei a noite e olhei ao redor. Encontrei um quarto pequeno, com cortina marrom e uma cama de solteiro no centro. Confesso que senti alívio por não estar na sarjeta.
Passei a mão no cabelo e percebi que havia um band-aid grudado na minha testa — alguém havia limpado e tentado fazer o melhor para que meu machucado parasse de sangrar. Senti o queixo doer, o lado esquerdo do rosto estava inchado e entendi que tudo devia ser resultado da briga no bar. Que merda. Por que não consegue se controlar, Jonas?
Nunca fui de caçar confusão, mas me defender foi algo que aprendi desde o fundamental. Meu pai era lutador profissional e fez questão de me ensinar a vencer qualquer idiota que aparecesse pelo caminho. Queria ter feito o mesmo com Damien, mas falhei nessa tarefa.
Devagar, tentei me recordar da noite anterior. Não era a primeira vez que acordava em um lugar estranho, então agi com naturalidade. Fui até o banheiro, levantei a tampa do vaso e me aliviei um pouco. Beber fazia minha bexiga quase estourar e meu fígado devia estar aos prantos pela quantidade de álcool que precisava filtrar.
Lavei as mãos e ajeitei o cabelo, dobrei a manga da blusa e tentei deixar minha aparência o mais decente possível.
Apenas quando abandonei o quarto e caminhei pelo apartamento encontrei Yuri e me lembrei onde estava. O garoto, quando percebeu minha presença, se levantou de um pulo e ficou sem reação. Aquilo devia ser tão constrangedor para ele quanto era para mim.
— Bom dia, professor Jonas.
— Pode me chamar só de Jonas - falei, cansado - Depois de me ver desmaiar bêbado não precisamos de formalidades.
— Tudo bem, sem problemas. Você se sente melhor?
Para alguém que viu o vídeo do filho se matar e ouviu pessoas aleatórias incentivarem ele a pular, estava ótimo.
— Estou bem, obrigado pela ajuda. Espero não ter causado problemas com seus pais.
— Meu pai viajou a trabalho, não se preocupe com isso.
Ele coçou o pescoço, olhou para a mesa e apontou.
— Preparei algo para a gente. Imaginei que estaria de ressaca, então fiz o café o mais forte possível.
Quis recusar o convite, mas o garoto logo puxou uma cadeira e sentou-se do outro lado da mesa.
Olhei o pão e o bolo de cenoura e não senti vontade alguma de comer. Estava enjoado e com a cabeça prestes a explodir. Foram os olhos de Yuri fixos em mim, ansioso para que eu experimentasse algo, que me fez sentar e pegar uma fatia do bolo. Tentei ignorar o cheiro de queimado.