Desejo.

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Giovanna POV.

Acordei com o alarme tocando e senti o corpo magro da Manoela me abraçando por trás. Era uma sensação maravilhosa acordar com ela depois de tanto tempo. O silêncio era tanto e eu conseguia ouvir seu pequeno e baixo ronco, e era encantador. Me virei com cuidado pra não acordar a menina de cabelo negro e a observei, ela dormia tão profundamente que era quase um pecado tê-la que acordar. Passei a ponta dos dedos em todo seu rosto e quando fui chegando perto do maxilar ela despertou, me olhou e abriu um sorriso. Só nessa hora eu pude ver o quanto esse sorriso me fez falta.

– Bom dia. – Ela disse ainda sorrindo.

– Bom dia. – Sorri também, foi inevitável – Dormiu bem?

– Incrivelmente bem e você?

– Muito bem. Vamos levantar então?

– Já são 06:30h?

– 06:45h.

– Tá muito cedo, meu Deus. – Ela reclamou.

– Eu sei que esta mas a gente precisa levantar, se não a gente não grava hoje.

– Você tem razão.

– E quando eu não tenho? – Pisquei e comecei a rir.

– Convencida. – Ela revirou os olhos.

– Não, realista. – Dei um beijo em seu rosto – Eu vou tomar um banho, vestir minha roupa e pegar minhas coisa, aí a gente vai pro seu apartamento pra você arrumar, tudo bem?

– Okay, te espero.

Dei um selinho rápido naquelas lábios e fui pro banheiro. Tomei um banho com calma, me enrolei na toalha e fui saindo do banheiro e entrando no quarto pra ir no meu closet pegar uma roupa. Manoela já tinha se levantado, estava sentada na ponta da cama com ela já feita. Quando me viu deu uma leve arregalada nos olhos, cinco anos só me fizeram bem e com isso meu corpo ficou mais bonito, com mais curvas.

– Ih, o que foi Manoela? Nunca viu uma mulher de toalha não? – Impliquei e ela caiu em si.

– Vai se arrumar, Grigio. – Revirou os olhos e virou o rosto.

Ri e caminhei até ela que ainda estava com o rosto virado. O jeito que ela estava sentada me permitia sentar em seu colo, foi o que eu fiz. Me sentei em seu colo só de toalha. Ouvi ela respirar mais forte e mordi o lábio. Coloquei minhas mãos em seu ombro e aproximei minha boca do seu ouvido.

– Manoela... – Chamei seu nome baixinho, mordendo o lóbulo da orelha dela em seguida. Senti suas mãos encontrarem minha cintura e apertar.

– Não faz isso, Giovanna... – Pediu.

– Eu não tô fazendo nada.

– Ah, que santa você. – Debochou.

– Olha pra mim. – Falei firme e ela obedeceu – Agora me beija.

Ela obedeceu mais uma vez, agora colando nossos lábios com vontade. Quando me dei por satisfeita quebrei o beijo e abri meus olhos, encontrando Manoela com uma expressão confusa em seu rosto, ri vitoriosa e sai do seu colo. Deixando-a ainda mais confusa. Fui pro closet e vesti um short cintura alta preto e uma regata branca com alguns detalhes. Peguei minhas coisas e fui pro quarto.

– Vamos? – Ela me olhou, se levantou e veio até mim colocando suas mãos em minha cintura.

– Só mais uma coisinha...

Buscou meus lábios e os envolveram em mais um beijo lento e intenso. Os beijos de Manoela sempre foram os meus preferidos e tinham um poder fora do comum de me deixar louca. Envolvi seu pescoço com meus braços, nossas línguas brincavam juntas e aproveitavam pra matar toda a maldita saudade. Ela foi quebrando o beijo com calma e deixou alguns selinhos depois. Abri meus olhos e encontrei o olhar felino de Manoela me olhando. Tirei meus braços do seu pescoço e peguei sua mão e puxei ela pra sala. Ela pegou suas coisas e fomos pro seu apartamento. Chegamos lá antes das 8h, entramos e me joguei no sofá. 

– Tá com fome? – Ela perguntou.

– Um pouco.

– Eu vou banhar rapidinho e a gente já sai pra lanchar, ok?

Assenti com a cabeça e ela caminhou pro banheiro. Na rua do apartamento da Manoela tem uma panificadora. Pego minha bolsa, a chave do apartamento dela e saio. Preciso correr se quero fazer uma surpresa. Desço as escadas o mais rápido que consigo e continuo correndo até chegar na panificadora. Percebo que tô fora de forma quando nessa curta corrida eu já estou quase morrendo sem fôlego. Entro na panificadora, compro alguns pães, croassants, dois cafés já prontos. O meu com leite e o dela do jeito que ela gosta, forte e sem muito açúcar. Pago tudo e início a corrida de volta. Entro no apartamento dela e vejo que ela não está mais no banheiro, coloco a coisas na mesa e tiro das sacolas. Respiro fundo e ouço ela chegando perto de mim.

– Vamos sair pra lanchar antes de ir?

– Não vamos precisar, eu já comprei o nosso lanche.

– Já? – Se aproximou mais e viu a mesa – Faz tempo que não como croassant.

– Eu sei que você gosta então comprei um de queijo e um de nutella.

– Obrigada. Vamos lanchar então?

Assenti com a cabeça e começamos a comer. Não enrolamos porque logo tínhamos que ir gravar nossas cenas e não podíamos chegar atrasadas. Manoela após colocar as coisas na pia, foi pro banheiro escovar os dentes e eu fui também. Depois de uns 5 minutos saímos da casa dela e seguimos para o local que ganharíamos. Chegamos faltando menos de 10 minutos para as 9h.

A manhã foi complicada, tivemos alguns problemas técnicos mas no fim conseguimos gravar todas as cenas de hoje. Saímos de lá era quase 13h da tarde. Manoela estava me dando uma carona pra casa quando minha mãe me ligou.

Ligação On.

– Oi mãe.

– Oi filha, já saiu da gravação?

– Acabei de sair. Tá tudo bem?

– Tudo. E como você está?

– Cansada. A manhã foi corrida. – Ri – Tá trabalhando agora?

– Não, eu liguei pra avisar que vou aí te visitar.

– Sério? Que dia?

– Estou pensando em ir hoje, aqui tá uma loucura e eu preciso de um pouco de paz. – Riu.

– Então vem hoje mesmo, mãe. – Manoela me olhou e sorriu.

– Você vai ter mais gravação essa semana?

– Só amanhã a noite, que vai ser uma externa.

– Você já resolveu aquele assunto?

– Qual?

– Manoela.

– Não... – Menti. E dei graças a Deus por esse celular não estar no viva voz.

– Eu chegando aí a gente vai ter outra conversa, viu Giovanna Grigio?

– Tá... – Segurei pra não rir. Conversei mais um pouco com ela e desliguei.

Ligação OFF.

– Tia Jane tá vindo?

–Sim, amanhã. – Menti. Desculpa, tô mentindo demais, eu sei.

– Depois manda um beijo pra ela. – Fiquei em silêncio arquitetando uma coisa na minha cabeça e Manoela ficou sem graça – Não, quer dizer, não precisa... Ela deve me odiar. – Falou a última frase quase baixinho, como se fosse só pra ela.

– Ela não te odeia. – Falei fazendo ela se assustar e me olhar.

– Não?

– Pelo contrário, ela adora você.

– Você tirou um peso das minhas costas.

– Foi ela que abriu meus olhos.

– Hm? – Murmurou confusa.

– Ontem a tarde ela me ligou e a gente conversou bastante sobre você, sobre a gente e sobre o que eu estava sentindo. Eu estava extremamente confusa, com medo dos meus sentimentos por você e ela me fez ver que a vida é curta demais. – Ri tímida.

– Eu faço ideia do seu medo... – Suspirou.

– Não vou mentir pra você, Manoela, eu ainda tô um pouco confusa e... – Me interrompeu.

– Vamos com calma, ok? Sem pressa. Quando toda essa confusão que você está sentindo passar, a gente senta e conversa, por enquanto só vamos nos curtir, nos conhecer de novo. Combinado?

– Combinado. – Sorri.

Terminamos aquela conversa e ficamos em silêncio o resto do trajeto pra minha casa. Ela parou em frente ao meu prédio e me puxou pra um beijo calmo.

– Está entregue, senhorita. – Brincou.

– Quer subir? – Ela pensou por alguns segundos.

– O que você acha de ir lá pra casa hoje?

– Eu só não posso posar. – Falei.

– Porque? – Perguntou em um tom desanimado.

– Minha mãe chega aqui amanhã de manhã, tenho que estar aqui pra recebe-la, não concorda?

– Concordo, Grigio. – Sorriu – Pelo menos a tarde você quer passar comigo lá em casa? Te trago aqui mais tarde.

– Óbvio que eu quero. – Dei um beijo em seu rosto – Só deixa eu pegar uma roupa porque quero tomar um banho mais tarde, ok?

Ela assentiu com a cabeça e sai do carro, subi até meu apartamento e peguei uma peça de roupa fresca. Meu carregador e uma garrafa de vinho. Coloquei em uma bolsa e sai, fui até o porteiro e entreguei minha chave.

– Oi seo Gilberto, tudo bem?

– Oi senhorita Giovanna, trabalhando demais mas bem, e você?

– Também. – Ri – Minha mãe vai chegar aqui mais tarde e vai vir pegar a chave com o senhor, você me faz o favor de entregar?

– Claro que sim, menina.

Agradeci e voltei pro carro, Manoela me esperava sorrindo.

– Vamos?

– Agora.

Ela deu a partida no carro e seguimos para seu apartamento. Conversamos sobre algumas coisas no caminho e me lembrei de avisar minha mãe sobre a chave na portaria. Peguei meu celular na bolsa e mandei uma mensagem pra ela.

“[14:32] Grigio: Mãe, eu vou estar na casa da Ana hoje a tarde e não sei que horas vou chegar. Ela vai me ajudar a estudar as falas da minha personagem, ok? Quando você chegar é só pegar a chave na portaria com o seo Gilberto. Beijos e faça uma boa viagem, tô morrendo de saudade.”

Manoela estava tão concentrada no trânsito que nem percebeu eu mexendo no celular. Uma de suas mãos estava em minha coxa, e eu queria do fundo do meu coração que estivesse em outro lugar. Ri baixinho com esse pensamento pervertido conseguindo a atenção dela pra mim.

– O que foi? – Me olhou.

– Nada não.

– Fala.

– Quer mesmo saber?

– Sim, ué.

– Estava pensando em como eu queria que sua mão estivesse em outro lugar.

– Outro lugar? – Sorriu maliciosamente e começou a subir a mão de encontro a minha intimidade. Mordi o lábio em expectativa mas ela parou no meio do caminho. Bufei.

– Aff, Manoela.

– Calma, Grigio. – Revirei os olhos e a ignorei.

Entramos no estacionamento do seu prédio e ela estacionou o carro. Depois subimos pro seu apartamento, coloquei minhas coisas em seu sofá e a observei colocando as coisas na mesa de centro da sala. Ela me olhou e sorriu, se ela pelo menos fizesse ideia do tanto que eu estou subindo pelas paredes... Ah, Manoela, se prepara porque hoje você não escapa.

■■■■

Eu prometi que voltaria esse fim de semana e aqui estou, rs.
O que será que a Giovanna vai aprontar?
Será que Manoela vai resistir ao charme e as provocações de Giovanna?
Me conta o que vocês estão achando e as suas teorias.

mais duas coisas...
Primeira: A partir do próximo capítulo a gente vai entrar na reta final da fanfic, okay?
Segunda: Eu tenho uma fanfic no Spirit, Griperti,  nela eu falo sobre a transexualidade, Manoela é um rapaz trans. Se eu trazer ela pra , vocês acompanhariam? A fanfic se chame Stranger. Quem tiver Spirit, vai ler e aprender um pouquinho sobre e ajudar o tio, por favor rs.

É isso e até semana que vem. Eu acho.
Eric.

A vida imita a arteOnde histórias criam vida. Descubra agora