Capítulo três.

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               04 de julho, 2006.

            O vento balançava meu cabelo, deixando que alguns fios entrassem em contato com meu rosto. Minhas mãos estavam no pescoço de Jimmy, fazendo-o lutar para que o ar chegassem aos seus pulmões.

Sua boca estava aberta e sua voz estava rouca. Então ele segurou meus braços, tentando afasta-los de seu pescoço. Seus olhos estavam arregalados e a cor azul deles havia perdido o brilho.

— Não é bom brincar com as pessoas, Jimmy? — perguntei com um sorriso sarcástico no rosto, lembrando de que eu, Alyson, sempre fui o alvo de Jimmy na escola — Me fale agora o que sou para você, garoto. Faça suas brincadeiras agora.

— Alyson... — ele sussurrou, enquanto seu corpo ficava fraco.

Encarei o rosto do garoto que sempre achou que estava no topo da cadeia alimentar na escola. Mas agora, eu estou. Eu sempre estive ali, sendo tratada como a esquisita da escola e tendo que ouvir ele falar para os amigos coisas ruins dos meus pais.

— Alyson, por favor! — ele continuou a dizer com a voz rouca e eu tirei minhas mãos de seu pescoço, fazendo-o respirar novamente.

Ele se levantou um pouco, mas eu ainda estava por cima dele. Levei minha mão até meu bolso, tirando um estilete velho do meu pai de lá. Segurei o cabelo de Jimmy com força, trazendo seu rosto para mais perto.

— Implore, Jimmy! — berrei.

— Por favor, Alyson! — ele começou a chorar, fechando os olhos com força — Pelo o amor de Deus, Alyson.

— Não posso perdoa-lo! — gritei passando o estile em seu pescoço, fazendo-o jorrar sangue.

Soltei seu cabelo, fazendo-o cair no chão. Encarei seu rosto e me aproximei de seu ouvido.

— Adeus, Jimmy.

Me levantei, saindo de perto de seu corpo. Encarei o terreno abandonado para me certificar que ninguém viu aquela cena.

Limpe-se do sangue sujo dele, minha querida.

Então olhei para meu corpo e vi algumas gotas de sangue. Suspirei fundo e peguei o estile.

O que você está sentindo com tudo isso, Alyson?

Escutei a voz do homem que dizia ser o próprio demônio em meu ouvido e, em seguida, sua risada sarcástica. Eu não podia vê-lo agora, mas senti o cheiro ruim de seu cigarro perto do meu rosto.

Nada Devil, não sinto nada.

Fui até minha mochila que estava jogada perto do corpo de Jimmy, tirando um pano e uma garrafa d'Água de lá. Limpei-me rapidamente e entreguei as coisas para Devil que, agora, resolveu estar em minha frente, me deixando olhá-lo.

— Você deve sumir com essas coisas! — falei pegando minha mochila e a colocando em minhas costas — Pegue o estilete também! — estendi o objeto em sua frente e ele logo o pegou.

Eu sumirei com as coisas sim, mas não se preocupe, eles não vão desconfiar de uma garota de oito anos, pequena Alyson.

(...)

22 de setembro, 2016.

Me sentei em uma das cadeiras, esperando minha mãe e algumas pessoas do trabalho do meu pai serem interrogados. Olhei para meu relógio, vendo que o mesmo estava marcando três horas da tarde.

Você está com medo de ser descoberta, garota?

Ouvi a voz de um menino ao meu lado, quando me virei vi Jimmy em pé ao meu lado, com seu pescoço aberto. Ele cheirava mal, me fazendo revirar os olhos. Havia alguns vermes em seu pescoço, comendo seus restos.

Não era a primeira vez que eu o via, já que ele gostava de me atormentar durante as noites, dizendo que um dia eu pagaria por sua morte e pela morte das outras pessoas.

O corte em seu pescoço estava preto e algumas gotas de sangue pingavam no chão. Mas só eu podia ver aquilo.

Você vai pagar, Alyson.

Ele berrou em minha frente, mas permaneci com o rosto sério. Eu não tinha medo dele, e nem de ninguém que entrasse em meu caminho.

— Vamos Alyson! — minha mãe falou saindo da sala com algumas lágrimas no rosto.

Não duvido que você a mataria também.

Me levantei, passando direto pelo corpo do garoto. Caminhei até minha mãe, ficando ao seu lado. Seus olhos estavam marejados e ela fungava o nariz toda hora.

VOCÊ VAI PAGAR POR TUDO, ALYSON.

Escutei o garoto berrar enquanto saímos da delegacia. Caminhei em silêncio com minha mãe, já que ela só ficava assim, em silêncio. Nenhuma palavra era dita nas refeições e em momento algum.

Quando chegamos em casa alguns minutos depois, Lauren subiu rapidamente para seu quarto, como sempre. Andei até a cozinha, pegando um vinho e o colocando em uma taça.

Pensei que quando o matasse, ele sumiria — pensei bebendo o vinho rapidamente.

Não, minha querida, ele só se tornou seu pesadelo — a voz de Devil ecoou em minha cabeça, fazendo-a doer — Como todos os outros.

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