capítulo dezenove

967 171 74
                                        

Você está preparada para o fim?

Querido, eu sempre estive.

               23 de outubro, 2016.

Olhei ao redor e examinei cada detalhe daquela casa. Tudo estava como antes, desde os móveis até os livros jogados em uma mesa qualquer.

A mesma merda.

Me encostei na porta enquanto pensava no mundo caótico lá de fora. O fim estava chegando para mim, já que eu tinha certeza que tudo estava insano demais.

Mas não podia ser agora.

Eu ainda preciso terminar mais uma coisa.

Suspirei fundo e fui até a cozinha beber alguma coisa. Eu preciso estar preparada para o que vai vir. Mas antes de qualquer coisa, meu celular apitou.

Você vem a festa da faculdade?

Era Noemy.

Mordi meu lábio inferior e guardei o celular no bolso. Eu não queria uma noite de festa. A única coisa que eu queria eram respostas.

Peguei um copo de vinho e virei tudo de uma vez. A adrenalina percorreu pelo meu corpo, me fazendo ter medo do que estava por vir.

Mesmo assim, com as mãos trêmulas e com o corpo fraco, fui até a sala. Puxei uma quantidade suficiente de ar para meus pulmões e fechei os olhos por dez segundos.

Nove.

Oito.

Sete.

Seis.

Cinco.

Quatro.

Três.

Dois.

Um.

— Franklin! — gritei olhando para todo canto daquele maldito lugar. E quanto mais eu gritava seu nome, mais certeza eu tinha que aquela era a hora certa dos jogos começarem.

Ele foi o começo de tudo.

E ele vai ser o fim.

— Vamos, porra! — gritei mais alto — Estou finalmente aqui. Eu estou pronta. Não está vendo?

Tentei relaxar por alguns segundos, mas pude escutar uma respiração atrás de mim. Não conseguia mais respirar. Eu estava perdendo o controle.

Eu estou

E tudo se confirmou quando ouvi sua voz atrás de mim. Ele estava calmo, como se nada o tirasse de sua paz

Vire-se para mim, Clark.

Me virei calmamente e vi aquele rosto com hematomas e seu corpo não estava mais mutilado. Ele estava apenas com a calça jeans e seu corpo estava costurado.

Eram linhas juntando aquilo que eu havia separado.

O que foi? Pensou que eu estava sofrendo?

Ele falou vindo até mim e me olhava como sua pior inimiga

O inferno é bom para pessoas como eu, garota.

O olhei por alguns minutos em silêncio. Eu estava na frente da pior pessoa que já apareceu na minha vida e eu precisa ter o controle daquilo.

— Eu não me arrependi. E eu me lembro de cada detalhe daquela noite,  desde os seus olhos vermelhos até de você me implorando para não matá-lo — falei apontando o dedo em sua direção — Daqui há algumas horas vários carros da polícia estarão aqui na frente. E sabe o que mais, Franklin? O delegado irá se gabar de ter pego a assassina de várias pessoas.

Ele me olhava atentamente, como se cada palavra que saía da minha boca fosse importante.

— Eles irão colocar uma algema em meus punhos e depois irão me jogar em uma cela e não sei quando sairei de lá, seu merda — agora eu estava apontando o dedo para seu rosto — Mas eu não me arrependo e não vou me arrepender. Sabe por quê?

Ele abriu a boca, mas antes dele falar qualquer coisa, continuei:

— Porque eu matei um estuprador de merda — sussurrei — Eu matei meu próprio pai e eu não estou nem aí.

Sem quebrar o contato visual, peguei meu celular e liguei para Robert. E quando ele finalmente atendeu, eu soube que cada palavra que eu falasse seria para cavar minha própria cova.

— Acabou! — murmurei olhando para Franklin que não esboçava nenhuma emoção.

— Tem certeza? — ele perguntou.

— Sim, Robert! — quando falei o nome da pessoa, Franklin ficou tenso.

Então eu desliguei. E antes que aquele homem começasse os questionamentos, peguei o telefone em cima da mesa de centro e dei para ele.

— Liga pra porra da polícia e diga que fui eu que te matei — entreguei o telefone a ele.

Ele soltou uma risada debochando da minha atitude.

Eu sempre soube que você era uma louca, mas você é bem pior

ele falou colocando o telefone na orelha.

Três

Dois

Um

Eu tenho uma denúncia a fazer! — ele exclamou e alguns segundos se passaram — Eu sei quem matou Franklin Clark — ele parou por um momento e olhou pra mim — Foi a própria filha e ela está na casa agora — ele fechou a boca e piscou algumas vezes — Eu tenho certeza.

Ele desligou o telefone e sorriu.

Pronto, querida!

— Você me dá... — antes que eu terminasse a frase vi o corpo de Franklin ser amerrassado até a parede.

Quando olhei para trás vi Devil indo até ele com ódio em seus olhos. Ele pegou no pescoço daquele homem e olhou bem para ele.

Se o inferno é um bom lugar para pessoas como você, então eu darei um jeito de ser o pior.

Franklin estava aterrorizado e eu pude escutar o barulho das sirenes. Então eu caminhei até eles e olhei para o Devil.

— Agora você pode realmente me deixar como fez — falei tentando me controlar para não gritar com ele pelo o que ele fez — Acabou.

Então eu fui até a porta e a abri e vi os policiais saindo de suas viaturas. Eles apontaram suas armas em minha direção.

— Eu matei Franklin Clark — gritei.







DEVIL.1Onde histórias criam vida. Descubra agora