Prólogo

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Eu Sou SoL

Me disseram que com o tempo a gente
esquece.

Mas o tempo só ensinou a lembrar em silêncio.

Às vezes ainda ouço minha mãe cantar baixinho pela casa.
Vejo meu pai rindo com um suéter verde que só ele achava bonito.
Mas quando abro os olhos, só tem o teto — e o vazio.

Eles morreram.
E tudo em mim morreu um pouco junto.
As pernas, o riso, a fé.

Mas aí ela apareceu.
Não como salvação — não sou ingênua.
Ela apareceu como quem joga luz num porão esquecido.
E me obrigou a olhar pro que restou.

Eu não era só a garota na cadeira de rodas. Eu era Sol.
Mas às vezes até o Sol duvida de si.

Dizem que o amor cura.
Mas ninguém fala do que ele reabre.
Do que ele desenterra.

Ela me viu.
E isso doeu mais do que a perda, mais do que a ausência.
Porque me fez querer de novo.
E querer dói quando se aprendeu a viver sem.

Não haverá beijo ao pôr do sol.
Não porque não merecemos,
mas porque algumas histórias queimam em silêncio.

Essa é a história de duas garotas.
Uma que já havia perdido tudo.
E outra que parecia ter vindo para acender o que restou.

Eu Sou SoLOnde histórias criam vida. Descubra agora