" As estrelas mortas em teus olhos."
Eu sou Sol.
12.5 Capítulo Especial
Há um vazio em meus olhos e uma dor cortante em meu coração. Não atrevo a escrever isto em meu diário. É como um segredo me matando de dentro para fora, como um câncer me apodrecendo já em estado paliativo. Não há remédio, e se houvesse, não tomaria. Prefiro morrer a dizer em voz alta que aquilo realmente aconteceu.
Passo as mãos trêmulas em meu rosto na tentativa falha de jogar para longe aquilo que rasgou a minha identidade. Mas as memórias daquele dia voltam e voltam como um disco arranhado.
Lágrimas brotam dos meus olhos enquanto encaro meu reflexo.
- Quem eu sou?
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Flashback
- Eu não sabia que você gostava de poesia - digo com um sorriso tímido, como se descobrir aquilo fosse a melhor coisa do mundo.
- Diz isso só porque uso preto e tenho um péssimo senso de humor? - me leu errado de novo, diz ela, sentada no chão do meu quarto.
Ela tinha esse jeito de chegar e parar o tempo. Suas roupas escuras, seus olhos azuis tomavam conta do lugar, me prendiam como quem atranca um navio.
- Da última vez que vim ao seu quarto foi por aquela janela - diz, apontando e dando um sorriso singelo.
- Correção: invadiu - digo enquanto dou uma leve mordida no lanche feito pelo meu avô.
Ela veio sem aviso, como da última vez, mas desta vez havia sido convidada pelos meus avós. Eles estavam preocupados. Eu estava mais para baixo nos últimos dias.
- Você fica surpresa por eu gostar de poesias, mas esse livro não estava aqui antes - diz, pegando um livro da Emily Dickinson.
E continua deslizando os dedos pelos livros na minha pequena estante, como quem procura segredos e códigos nas entrelinhas. Como se quisesse me ler a cada livro que seus dedos tocavam.
- É que meus livros preferidos ficam guardados na gaveta próxima à cama. Assim, não preciso me esforçar tanto para pegá-los. Como terminei de ler esse recentemente, o devolvi para a estante - digo, apoiando o queixo em uma das mãos, e a observo.
Ela fica tão atraente com camisa preta colada e calça jeans. É como uma personagem de um livro perambulando pelo meu quarto enquanto vasculha minhas coisas.
- Emily Dickinson é uma obra de arte. A história de amor dela é muito triste - diz, devolvendo o livro à estante.
- Mas todas as histórias de amor são tristes. A dela me impacta um pouco mais... Em pensar que ela amou a Sue em silêncio, enquanto seu coração agonizava em saudade - digo com uma tristeza terna na voz.
Ela me encara, mas não se espanta. É como se se reconhecesse ali, nas minhas palavras.
- Morreu aguardando a volta do amor da vida dela, mas aquele amor não a pertencia. E então, fez a Sue ser presente em cada poesia, com medo de que ela desaparecesse - completa, sentando-se ao meu lado.
- Não penso em viver um amor assim, mas acho linda a forma como ele é descrito.
Eu estou deitada, mas a sua proximidade me causa um leve arrepio, como se eu estivesse sobre o inverno do Everest. Apenas a observo enquanto ela recolhe o prato de cima do meu colo e o coloca sobre o criado-mudo.
Por que ela é tão gentil, mas tão dura?
- Você já está se sentindo um pouco melhor? - diz, cobrindo os meus pés.
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Eu Sou SoL
RomansaSoL, uma jovem de 17 anos, tornou-se paraplégica aos 16 e, desde então, encontra refúgio em seu quarto, isolando-se do mundo exterior. A ausência de afeto romântico e a inexperiência de um primeiro beijo pesam sobre ela. No entanto, o destino reserv...
