Capítulo 7

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"O amor pode nos quebrar"

- Eu Sou SoL

Capítulo 7

Uma vez, eu me apaixonei por um garoto da minha sala. O nome dele era Miguel. Ele era diferente, não era popular nem nada parecido, mas tinha um sorriso maravilhoso que me desarmava completamente. Era lindo, amava usar moletom, como se o mundo fosse um lugar para se aconchegar.
Nunca me declarei para ele, mas em cada canto que eu olhava, em cada respirar, eu só o via. E, no entanto, ele nunca me causou arrepios com apenas um olhar, e eu nunca senti borboletas no estômago quando ele chegava perto.

Naquela época, o que eu sentia por Miguel era uma admiração doce, uma espécie de carinho tranquilo que eu confundia com amor. Era seguro, compreensível. Mas Lumar... Lumar era uma tempestade. E essa tempestade me assustava mais do que qualquer dor física que meu acidente já me causou.

Após uma semana e nove horas de observação agoniante, eu contei cada dia, segundo, minuto e hora na minha pequena varanda. Fingia ler e estudar, numa tentativa inútil de não me sentir uma completa obcecada. Finalmente, no oitavo dia, ela surgiu. Aqueles olhos azuis, que mais pareciam uma máquina de raio X lendo meus ossos, continuavam com sua paleta de cores favorita: roupas escuras. Mas desta vez não trajava a jaqueta de couro. Em seu braço esquerdo na parte próxima ao cotovelo , um grande curativo, o que me fez confirmar, com um aperto no coração, que ela realmente havia se machucado naquela fatídica noite.

Ouço seus passos lentos, um ritmo que acelerava o meu próprio batimento, subindo os pequenos degraus da minha varanda. Desvio meus olhos para o chão, como se ali pudesse esconder a turbulência dentro de mim.

Não posso demonstrar uma obsessão pela sua ausência e nem tampouco uma alegria desmedida pela sua presença. Volto minha atenção para meu livro de estudos de gramática, tentando focar em algo que não fosse ela.

— Você é muito estudiosa para quem não frequenta a escola — sua voz cortou o silêncio, rouca e familiar.

Uma semana e nove horas sem vê-la, e é apenas isso que ela fala? Sério? Me senti uma estúpida, uma completa idiota por ter passado esse tempo preocupada.

Cada célula do meu corpo gritava para que eu a abraçasse, para perguntar onde ela esteve, se estava realmente bem, o que aconteceu com o braço. Mas uma voz mais forte, mais fria, me mandava manter a distância, a pose. Eu não podia parecer fraca, não podia parecer... interessada, em algo que eu mesma ainda não ousava nomear.

— Você está bem? — pergunto, tentando, em vão, não demonstrar um pingo de emoção, apesar do tremor na voz.

— Humrum — ela responde friamente. — E você?

— Por que conversamos como duas estranhas no WhatsApp? — ela questiona, a voz carregada de algo que não consegui decifrar.

— Talvez porque somos. Você não me conhece, e nem eu te conheço.

E isso me deixa ainda mais idiota, pois passei uma semana observando a casa dela sem nem a conhecer direito. O que eu estava fazendo?

— Então você quer me conhecer melhor? — questiona com um sorriso de lado que fez meu coração saltar.

Deus, eu quero morrer.

Por que ela está fazendo isso? Jogando conversa fora, sem explicar o que realmente aconteceu, sem tocar na ferida que me consumia. Eu ignoro sua presença, forçando-me a fazer anotações importantes no rodapé do livro, como se aquilo fosse a coisa mais urgente do mundo.

— Está me ignorando? — sua voz se tornou mais aguda. — Muito bem. Eu iria te pedir um favorzinho, mas acho que você não quer falar comigo, então vou embora.

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