capítulo 8

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Às vezes fugir não é a melhor saída:"

Eu Sou Sol

                            

                                Capítulo 8

A noite fria se arrastou, e o dia amanheceu com a mesma agonia que me roubara o sono. Diferente de tantas outras vezes, o que me mantivera acordada não era o corpo, mas a mente, agitada pelo eco da proximidade de Lumar, o turbilhão de sentimentos que ela e, agora, o Lions, haviam despertado.

Cada célula do meu corpo ainda vibrava com a memória daquele quase toque, daquele olhar. E, para completar o cenário da minha mente conturbada, o dia começaria com uma nova batalha: os cinco passos do tratamento. Não era como uma receita de bolo, em que se acrescenta um toque pessoal e tudo se ajusta. Não. Aqueles passos eram rígidos — uma fórmula sem margem para erros, sem espaço para improvisos. O primeiro deles, "compreender o pânico e assumir uma atitude certa", parecia simples no papel, mas era um abismo a ser transposto.

Meu psicólogo, o Dr. Lucas, chegou pontualmente. Ele tinha o hábito de segurar minha mão durante a explicação, um gesto que era ao mesmo tempo um conforto e um lembrete da gravidade do que eu enfrentava.

— Sol, precisamos que você relaxe. Entendo que é difícil, mas é fundamental controlar essa ansiedade — ele dizia, a voz calma, mas com a firmeza de quem sabe o caminho, enquanto eu tentava absorver cada palavra. — O pânico, veja bem, é quando sua mente interpreta um estado interno como perigoso, gerando pensamentos negativos, fantasiando catástrofes... e isso, Sol, alimenta as reações. Por isso, vamos seguir os cinco passos. Você está comigo?

Apenas balancei a cabeça em sinal positivo, sentindo o peso daquelas palavras se assentar em mim.

— Ótimo! Então, o segundo passo: o desenvolvimento da capacidade de regulação emocional — ele continuou, caminhando em minha direção. — Isso envolve trabalhos respiratórios, e também exercícios com atenção e presença. Parece complexo?

Confesso que os dois últimos me pareceram um mistério, algo distante da minha realidade.

— Tranquila, hoje só faremos o trabalho respiratório — Dr. Lucas percebeu minha confusão, um leve sorriso nos lábios. Ele se ajeitou no sofá da minha sala e segurou minhas mãos novamente. — Agora, respire fundo e solte. Sinta o ar.

Respirei. Expirei. Repeti o processo por três longos minutos. Ele não soltava minha mão, mantinha o aperto firme, como se temesse que eu fosse me desintegrar ou fugir a qualquer instante.

Passamos para o terceiro passo, que consistia em "aumentar a janela de tolerância à excitação interna".

Eu teria que aprender a controlar meu corpo diante de situações que minha mente tornasse catastróficas. Dr. Lucas andava em círculos pela sala enquanto me explicava amplamente, e eu só consegui focar na primeira parte: o rangido que seus passos causavam no piso da sala já estava me deixando em nervos. Fiquei aliviada quando, enfim, passamos para o quarto passo.

— O quarto passo... talvez esse seja o mais difícil para muitos, Sol — ele disse, a voz mais grave, como se soubesse o peso da tarefa. — É sobre aprender a trabalhar com os pensamentos automáticos negativos. — Como farei isso? — perguntei, a voz embargada pela seriedade do desafio.

Ele sentou-se novamente no sofá da minha sala, de frente para mim, de um jeito que seus olhos castanhos escuros se fixaram nos meus, penetrantes.

— Você precisará ser forte, sim, mas não sozinha — ele me assegurou. — Terá que desenvolver a auto-observação, identificando e diferenciando esses pensamentos catastróficos que trazem a ansiedade. É um processo de aprender a observar e reconhecer os padrões de pensamentos e as expectativas catastróficas sem ser dominado por eles. Aprende-se a ancorar o ego no "eu que observa", e não no tumultuoso "eu que pensa". É um trabalho de autoconhecimento profundo.

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