23 · Ele

125 15 0
                                        

No início da semana Isabella me chamou para jantar preocupada por eu estar andando distante. Expliquei que nada tinha mudado, era apenas algumas coisas que me deixava confuso. Não entendia o porque de ter conseguido contar para Maísa o que me preocupava e não ter contado a ela, mas preferir não pensar sobre isso. Estávamos ficando sem assunto, logo ela falou sobre Maísa e o Gabriel.
— A essa altura eles devem estar jantando juntos também. Fico feliz, ela merece alguém que cuide bem dela. – mesmo tentando esconder fiz uma cara de incômodo – Não concorda que eles combinam?
— Não concordo. – respondi sério
— E nós?
— O que temos haver com eles?
— Não, não é isso. Será que não estamos indo devagar demais? Maísa conheceu Gabriel há pouco tempo e cada vez estão se aproximando​ mais. Entre nós dois as coisas estão o oposto, parece que só nos afastamos.
— Não é isso.
— Será que você não pensa em me pedir em namoro?
— Isabella, meus pais estão passando por problemas agora. Não tenho ido nem a loja trabalhar, estou completamente sem tempo.
— Nuno desculpa, mas isso está parecendo desculpas.
— Isabella.
— Melhor eu ir. Acabo de receber uma mensagem, é a algo que tenho que resolver.
— Irei te levar para casa.
— Tudo bem.

Não sei como lidar com isso, estou confuso. Eu gosto da Isabella, mas não como uma mulher, sim como uma amiga.

Após deixar a Isabella em casa, encontrei com a Maísa caminhando em direção a casa da Dandara. Não hesitei e acenei, rapidamente estacionei o carro e fui até ela que havia sentado em um banco embaixo da árvore.
— O que faz aqui? Não deveria estar em um encontro? – pergunto curioso
— É eu estava.
— Não foi legal?
— Foi, até que foi. Mas ele disse que tem sentimentos por mim.
— Quê? – perguntei assustado sem conseguir disfarçar.
— É eu sei, acho que ele está brincando comigo.

Eu queria dizer que não, falar que os sentimentos dele podem ser mesmo sinceros, mas não quero a aproximar dele. Também não quero mentir para ela.
— Talvez ele esteja indo rápido demais.
— Você acha? – fiquei sem chão ao perceber que ela estava sendo sincera nas perguntas. Dava para perceber que ela não tinha nenhuma experiência em relacionamentos.
— Quantos... – fiquei tão nervoso que levemente gaguejei. – Quantos anos você tem?
— 20 e ele 23.

Fico em silêncio ao notar que ela ainda falava sobre ele.
— E você, onde estava? – ela pergunta.
— Jantando?
— Sozinho?
— Com a Isabella. – respondo envergonhado
— Vocês namoram?
— Somos amigos. – consigo ficar ainda mais sem jeito.
— Ela me falou que vocês estão se conhecendo, mas não como amigo.
— É.
— Porquê ainda não a pediu em namoro?
— Porquê essa pergunta?
— Parece que você está sempre fugindo dela, ou das perguntas sobre ela.
— Não quer ir pra casa? – tento mudar de assunto. Ainda confusa ela balança a cabeça indicando que não.
— E você? – ela pergunta
— Também não. – coloco meu casaco nela. Tento evitar mas a abraço, puxando para perto de mim.
— O que você está fazendo? – ela pergunta desconfortável.
— Como está frio tive que te aquecer com meu casaco, é justo que você me aqueça.
— Acho melhor não. – ela tenta se soltar.
— Fica aqui, por favor. – a seguro.
— Porquê?
— Preciso descobrir.
— O quê você quer descobrir?

Não a respondo e fico em silêncio acariciando o cabelo dela, o que fez com que ela adormecesse em meus braços. Me pergunto se naquela noite aconteceu algo entre nós. Estando sonolenta aproveitei para perguntar.
— Aquela noite.
— Que noite. – ela responde com a fala arrastada.
— Na noite em que dormir na sua casa, aconteceu alguma coisa entre nós?
— Claro que não.
— Seria uma pena não lembrar. – respondo desanimado
— O quê? – ela responde levantando assustada.
— Vamos para casa está tarde.

TEMPORALOnde histórias criam vida. Descubra agora