30 · Ele

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Essa sem dúvida é a pior noite que já tive, mudei diversas vezes de posição na cama. Mesmo assim não conseguir dormir. Me perguntava onde estava a Maísa, se ela estava bem, se já comeu, se estava dormindo ou se algum dia poderia me perdoar.
       Essa dor que estou sentindo é como se o meu corpo estivesse em febre, tremendo, meus nervos estavam me agonizando. Sentia minhas mãos geladas transpirar e o pior de tudo, sentir o meu coração doer. Se eu pudesse eu o arrancava, para não poder pensar, nem sentir mais nada por ela. Mas só o fato de tentar não lembrar, já me fazia pensar nela.

Como solução para minha insônia fui em direção a adega e o que vir me fez perguntar: Estou bêbado antes de beber ou fiquei louco? É mesmo ela?
— Oi Nuno. – disse Maísa percebendo o quão surpreso eu estava.
— Maísa… como?

Sem que me respondesse ela me abraçou e chorou em meus braços.
— Eu não quero ficar longe de você. Não conseguirei viver em paz sem sua ajuda, eu fui uma boba. Não deveria ter agido daquela forma com você. Te tratei como se você fosse o culpado, você não é. Só estava tentando me ajudar.
— Não meu amor, eu que agir mal. Eu nunca deveria ter falado daquela maneira sobre aquelas garotas.
— Podemos voltar no tempo em que ainda sou sua namorada?
— Não só podemos. Devemos! – a beija – Mas como você está aqui? Será que o remédio para insônia causa alucinações e eu que estou maluco?
— Para seu bobo. Eu estava indo embora de SP, mas sua mãe descobriu e foi me buscar. Ela me trouxe para cá.
— Minha mãe?
— Eu também não esperava por ela, percebi que essa minha sogra é uma boa pessoa.
— Ela é sim. Você não está com sono?
— Dormir vindo para cá, desde então não consigo mais dormir.
— Ou será que era o fato de saber que eu estava bem aqui?
— Sem essa. Eporque você está acordado?
— O contrário.
— Como assim?
— O fato de saber que você não estava aqui me tirou o sono e a paz também.
— Como é que você consegue ser mais romântico que eu que sou mulher?
— Verdade, eu deveria parar com isso não é? – parei de abraça-lá
— Porque me soltou? Aqui está tão quentinho e confortável.
— Meu abraço é confortável?
— Eu não vou repetir, nem pense.
— Ah é? Então vou subir e te deixar aqui sozinha.
— Não Nuno, não faça isso.
— Por que não?
— Pensei que poderíamos assistir um filme abraçadinhos.
— Quer meu abraço?
— Ah de novo não…

Foi uma alegria tê-la comigo, nunca imaginei que poderia mudar de humor em questões de minutos. Minutos atrás me sentia como se estivesse desfalecendo por dentro. Agora era como se uma chama reacende dentro de mim. Ama-lá me proporciona alegria, me dá mais motivo para viver. Agora consigo entender o que meu pai sempre me dizia em relação aos sentimentos que ele tem por minha mãe. Ele sempre me disse que amar é bom, mas o aprendizado que vem com ele às vezes é doloroso. A forma que agirmos a tal aprendizado irá mostrar se estamos prontos para reaprender amar, e amar. Para seguir em frente, é preciso deixar pra trás os traumas do passado. Quero muito ajudar a Maísa a superar e cicatrizar as suas cicatrizes. Maisa é para mim uma continuação de mim mesmo. Ela é minhas reticências, ou como qualquer homem apaixonado diz ela é me completa.

Não se passou nem 20 minutos do filme é já estávamos dormindo.

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