27 · Ela

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Ao voltar para loja o Nuno não estava mais lá. Ele havia me enviado uma mensagem e avisou a Dandara que iria na casa dela para conversar comigo. Antes que isso acontecesse, eu precisava conversar com o Gabriel. Liguei para ele marcando de o encontrar na casa dá Dandara durante a noite. Passei o dia nervosa imaginando o que irei dizer, na verdade irei repetir tudo o que a Isabella falou.

As horas se passaram e lá estava ele.
— Boa noite amor.
— Boa Gabriel.
— Sentiu saudades?
— Eu tenho algo muito sério para te falar.
— Claro, pode falar. – diz ele enquanto tentava me beijar.
— Não Gabriel. – o impedir
— O que foi? – ele alterou a voz.
— Eu errei, e me precipitei ao aceitar o seu pedido. Esse relacionamento não vai dar certo pra mim e não quero iludir você. Eu sinto muito.
— Como é? Você acha que sou um palhaço?
— Não é isso. – falei em baixo tom
— O que? Fala mais alto seu lixo.
— Ei seu idiota, não me chama de lixo. – Gabriel se transformou ao vim bruscamente em minha direção puxando meu cabelo.
— Você não acha que eu não sei que você é uma ladra?
— Está me machucando.
— Larga ela seu idiota. – era o Nuno.
— Vai dizer que ele é o cara que fez você me largar? Que idiotas. Pode ficar com o resto. – ele disse indo em direção ao carro

O Nuno partiu pra briga, não conseguir acreditar no que estava acontecendo. Ele estava brigando.
— Caraca! – sussurro

Chamei por ajuda quando percebi que Nuno estava apanhando.
      Ao separarem o Nuno estava com alguns machucados no rosto, o levei para dentro e Dandara ficou puro nervos.
— Isso tudo aconteceu e eu nem vi? Nem acredito que você fez isso Nuno, não é por nada, mas eu queria muito ter visto isso. – diz Dandara.
— Fala sério. – Nuno responde.
— Comportem se, vou dormir.
Estou com sono.
— Às 20h? Você não me engana Danda.
— Só não exagerem.

Ficamos em silêncio enquanto eu limpava as feridas. O Nuno não parava de olhar para mim.
— Você está me desconcentrando. – disse
— Me desculpa, estou pensando no que vou dizer.
— Um “obrigada pela ajuda com o Gabriel”, é o suficiente.
— Sempre disse que ele era um idiota.
— Ah sei.

Me virei para guardar a caixa com os primeiros socorros, e ele segurou a minha mão.
— Eu gosto de você. Sei que não gosta de mim, mas estou disposto a te conquistar e te esperar.
— Não precisa esperar.

Ele pareceu surpreso com minha a resposta, e eu fiquei mais surpresa ainda ao vê-lo se aproximar e me beijar. Naquele instante não conseguir imaginar ninguém no mundo além de mim e ele. Seu lábios suave me fez eu me sentir delicada para ele, o jeito que me segurava indicava o quanto ele queria me proteger. A maneira que estávamos envolvidos percebi que eu estava completamente fora de mim, eu estava nervosa e amava aquela sensação.
— Maísa, você​ quer namorar comigo?
— Isso não seria ir rápido demais?
— Cala a boca Maísa. – diz ele novamente me beijando.
— Tudo bem, eu aceito.

*

2 MESES se passaram e comecei a me acostumar com as garotas dando em cima do Nuno na loja, ou achei que havia me acostumado.
        Ao chegar na loja encontrei uma mulher conhecida bem próximo a boca dele. Era aquela modelo que tinha me chamou de lixo no evento. Escutei ela falando sobre mim, parece que nosso namoro não é uma novidade para ela e muito menos a incomodava.
— Sua querida namorada não leva uma vida tão limpa quanto você pensava. – disse ela
— O que é isso? – pergunto irritada.
— Olha ela aí. – ela sorriu satisfeita
— Não é o que você está pensando. – Nuno tenta me acalmar.
— Fala pra ele vai quem foi que você tentou seduzir quando tinha apenas treze anos.
— O que? – nesse momento toda a culpa que pensei que não tinha, voltou a mim.
— Cala a boca Patrícia. – diz Nuno

Não suportei ouvi-la, por isso sair dá loja apressada. Dandara logo em seguida me alcançou.
— Aquela mulher não vale nada, não se aborreça.
— Você viu Danda? Eles estão bem próximos.
— Você sabe como são essas garotas.
— Pelo que eu vi ele queria beija lá.
— Isso nunca aconteceria Maísa. Aquela cobra da Patrícia apareceu na loja falando muito mal de você. Nuno discutiu com ela, ele te defendeu. Quando a Patrícia te viu se jogou em cima dele pra te provocar.
— O que ela falou de mim?
— Isso não importa minha criança, sabemos que não é verdade.

Sem conseguir dizer mais nenhuma palavra comecei a chorar lembrando do passado. Eu devia ter me defendido, deveria ter gritado mais alto. Apesar de sentir confortável para contar o que houve há sete anos atrás a Dandara, chorei tanto que não conseguir dizer nada.
— Calma Maísa, seja o que for que aconteceu está no passado. Não permita que essa cobra te afete. – ela me acalmou mesmo não sabendo o que havia acontecido comigo.
— Está mais calma?
— Estou. – enxugo as lágrimas
— Quer conversar?
— Não, está tudo bem. Muito obrigada Danda. Podemos voltar pra loja agora.
— Você tem certeza?
— Sim.

Como eu imaginava, o Nuno não veio atrás de mim porque não havia ninguém para tomar conta da loja.
— Maísa, você entendeu errado. – ele disse
— Ela já entendeu Nuno. – Dandara faz sinal para que ele não tocasse nesse assunto
— Tenho um programa pra hoje a noite caso queira ir. – Nuno se esforça para me fazer sentir bem.
— Vamos sim. O que vamos fazer?
— Jantar com meus pais.

Se tem algo que conseguia me preocupar no momento mais do que o episódio com a Patrícia, era jantar com os pais dele.
— Hoje Nuno?
— Você disse que queria ir.
— Isso até eu saber o que era.
— Vamos amor, vai ser bom.
— Tá bom.

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