29 · Elise

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Após conversar com o Nuno, fiquei arrasada ao ver o estado que ele estava. Passei pelo quarto e ele nem estava conseguindo dormir. Sei que eu não gostava muito daquela garota, mas eu prometi ao Nuno tratar ela bem. Após essa história, sei que ela precisa de ajuda e não de alguém para julga-lá.
    Com o celular, procuro pelo número da casa de Dandara, mas ninguém atendia. Aquela situação estava estranha, por isso liguei para vizinha.
— Olá Anitta, desculpa incomodá-la, mas não estou conseguindo falar com ninguém na casa da Dandara.
— Você não sabe Elise? A garota foi embora, ela deixou uma carta para entregar a Dandara.
— Embora? Mas você sabe pra onde?
— Ela não me falou. Quando procurava a carta na bolsa, ela deixou cair um comprovante de compra do Aeroporto de Congonhas.
— Você lembra que horas era o vôo?
— Elise, você sabe que não sou fofoqueira.
— Claro que sei, é que ela esqueceu o cheque na loja. Queria dar a ela caso precise para viagem. – não acredito que mentir.
— Lembro que era à meia noite.
— Obrigada.

Desliguei o telefone imediatamente e com o carro do Mauro, sem ao menos contar a ninguém aonde eu ia às 23h, fui atrás dá Maísa. Estava aflita e preocupada em que ela tenha atrapalhado o horário e a Maísa tivesse viajado. Essa garota não pode ir assim, Nuno precisa dela, e ela precisa do Nuno e de nós.
      Conseguir avistar a Maísa assim que cheguei no aeroporto, fico feliz que não tenha sido tarde demais. Percebo que ela me viu também ao adiantar os passos, tive que correr como uma louca atrás dela.
— Maísa, você não pode ir embora assim.
— Como assim não posso? No fim das contas, eu vou estar te fazendo favor.
— Eu sinto muito, espero que você me desculpe. Eu estava passando por muita coisa naquela época, você deve saber.
— Me desculpa Elise, mas não vou voltar.
— Você foi vítima Maísa, mas você não precisa viver dessa forma. Não é consciente, você se relaciona com um pé atrás, se defende com agressividade dos relacionamentos.
— Você não sabe o que está falando.
— De fato não sei como você se sente, mas posso imaginar. Pode levar muito tempo, mas é o amor da família, de amigos e daquele que te ama, o meu filho, o amor do Nuno pode te ajudar.
— Eu não sei, a culpa disso foi minha. Eu deveria ter me defendido melhor ou gritado mais. – ela respondeu chorando.
— Tá vendo aquela criança ali? – aponto para uma menina – Provavelmente deve ter a mesma idade que você tinha quando sofreu o abuso. Se aquela criança sofresse um abuso, acha que seria justo dizer que ela é culpada por isso?
— Não, é apenas uma criança.
— Uma criança dessa idade é vulnerável, assim como você também era.
— Sinto que tirei um peso das minhas costas por ter falado sobre isso. Nunca contei para ninguém.
— Você fez bem minha querida. – a abracei – Manter o silêncio só iria te impedir de conseguir enfrentar essa situação. Vamos para casa!

Maísa dormiu durante o caminho. Imagino que Mauro deve estar preocupado, havia várias ligações perdidas. Quando chegamos preparei um quarto para ela dormir.
— E o Nuno? – perguntou Maísa
— Não se preocupe com ele, amanhã vocês terão tempo suficiente para conversar.

No quarto encontrei o Mauro dando voltas com celular na mão.
— Cheguei amor, desculpa ter saído sem avisar a essa hora. – contei o que havia acontecido
— Estou tão orgulhoso de você, mas deveria ter me chamado, eu iria com você.
— Eu sei que iria, mas está tudo bem agora.
— Graças a Deus.

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