Mudanças

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   Ainda no topo da escada, Regina me disse que usaria magia para rastrear Hans aonde quer que ele estivesse. Para tal feito, conseguiu a atenção de sua irmã no meio daquele caos no salão.

   Zelena nos olhou e, com um sorriso vitorioso, foi a primeira entre todos os outros a conseguir vencer um dos soldados de Hans. As irmãs Mills já não me surpreendiam mais.

   A ruiva subiu as escadas com pressa, mas de uma forma tão graciosa e fria que não parecia em batalha. Foi recebida por um sorriso tão frio quanto vindo de Regina.

   - Nós vamos procurar o Hans, Zel. Killian te substitui.

   - Claro. Killian, acho que a sua.... ex precisa de ajuda. Hans trouxe de volta mesmo a Cruella. Longa história. Desce lá logo.

   - Estou indo. Vocês têm que procurar também algumas pessoas que estão faltando. O Hans pode ter as pego e...

   - Nós vamos achar aquela sua sereia. Agora vai logo, Killian!

   Desci as escadas com uma urgência crescendo dentro de mim. Não consegui prestar atenção nos rostos conhecidos que me cercavam. De relance reconheci um ou outro marinheiro, mas corria até alcançar um vulto loiro e muita magia de luz. Não que isso estivesse sendo suficiente, já que Cruella parecia ter aprendido alguns truques.

   Eu precisava intervir. Vi sangue pingando do nariz de Emma, enquanto a outra tinha um corte muito superficial próximo ao rosto.

   Rezando para que minha espada fosse mesmo tão encantada quanto estava se demonstrando ser, contornei as duas e me aproximei das costas de Cruella. Swan só me reparou quando eu já estava com a espada na posição que, em um segundo, estragou toda aquela roupa peluda branca com sangue vermelho.

   Consegui um corte suficiente em seu pescoço. Não a mataria, mas tirou sua atenção de cima de Swan.

   Com toda a raiva centrada em mim, Cruella tentou me atacar. Antes que eu pudesse erguer a espada, Emma a jogou longe com magia.

   - Você não precisava me salvar. Eu sei me virar sozinha.

   - Eu sei bem, Swan. Mas quero você viva. Uma ajuda nunca é demais.

   Com um lenço que tirei do bolso da calça, limpei o sangue no rosto de Emma. Me encarando, deu um encantador sorriso discreto. Em meio a todo o caos, ela estava sendo um ponto de paz.

   - Você sabe que não precisava ter terminado comigo, não sabe?

   Ela suspirou, encerrando o contato visual.

   - Sei. Pareceu o certo a se fazer.

   - Nós vamos sair daqui vivos, Swan. E eu não vou desistir. A primeira coisa que eu fizer, depois de acordar minha filha, vai ser te convidar para um jantar.

   - Eu vou ficar esperando o convite, então.

   Emma me surpreendeu com um breve selinho, se posicionando ao meu lado. Estávamos ocupados ainda, óbvio. Mas isso não significava que eu deixaria de cuidar dela em cada minuto, zelando por sua vida enquanto eu pudesse.

   Um soldado de Hans decidiu acabar com nosso breve intervalo, juntamente com Cruella. Recuperamos o fôlego e voltamos; juntos.

[...]

  Na hora, eu achei que o cansaço físico estava vencendo o meu corpo. Já tinha ouvido marujos e soldados relatarem momentos que a visão parece nos pregar um peça.

  "São nesses momentos que você sabe que precisa descansar um pouco, Capitão", era isso que eu ouvia.

  Entrei num desses momentos. No meio de toda aquela confusão, vi as pessoas sumirem do nada. De uma vez só, como mágica. O barulho enlouquecedor de espadas sumiu e deu lugar a um silêncio mórbido.

A Princesa & O PirataHistórias para pegar e não largar. Descubra agora