Ciúmes

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Fico remoendo para onde Zabdiel teria ido, me perguntando se tinha saído com as garotas ou só com o amigo.

Mas logo afasto esses pensamentos, eu não tinha direito nenhum de ficar com ciúmes.

Porém... será que ele estava fazendo aquilo para se vingar? Poxa, ele tinha que aparecer com outra no dia seguinte? Se fosse antes eu poderia ter certeza da sua reação, mas agora eu não o conhecia mais.

Decido arrumar minhas coisas para semana, organizando meu material da faculdade.

Na manhã seguinte, acordo atrasada e nem tenho tempo de tomar café. O elevador demora, então saio correndo pela escada e abro a porta com tudo quando chego ao térreo e acabo acertando o porteiro.

- Mil desculpas Peter, eu não vi você – digo tentando ajudá-lo.

- Não tem problema, mas não precisa correr tanto – ele ri.

- Eu estou atrasada – me desespero novamente e saio. Atrás de mim a porta do elevador e eu escuto uma voz me chamar.

- Oi Zabd, tchau Zabd – digo quando me viro e vejo quem é.

- Ei, onde você vai com tanta pressa? – ele pergunta rindo.

- Estou atrasada para a faculdade – respondo.

- Eu te levo lá.

- Como?

- Aluguei um carro ontem, até conseguir ver um para comprar – ele pega minha mão – Vamos.

- Obrigada – sigo ele e entramos no carro, passo o endereço e vamos até lá.

- Se divertiu ontem? – ele pergunta no caminho.

- Bastante e você? Gostou dos amigos novos?

- Do Chris sim, das garotas não.

- Não? Por quê? Elas pareciam ser legais – comento com um falso tom de voz animado.

- Pareciam é? – ele pergunta debochado – Não eram, não sabiam conversar e passaram o almoço todo planejando ir para a balada como se fosse a coisa mais importante do mundo.

- Mas você foi junto – cutuco.

- Quem disse?

- Eu vi você saindo – dou de ombros.

- Me vigiando senhorita? – ele ri e eu fico tímida.

- Claro que não – eu queria me enfiar em um buraco – Foi uma coincidência, nem deveria ter falado isso.

- Eu sei porque falou isso – ele se vira para mim – Você está com ciúmes.

Começo a rir, de nervoso e logo vira uma gargalhada.

- Eu? Com ciúmes de você? – ele está sorrindo – Não, com certeza não.

- Eu aposto que está – ele estaciona e se inclina na minha direção – Eu conheço você Camilla, conheço seus olhares e sua reação.

- Eu posso ter mudado – sorrio de volta.

- Nem tanto assim – ele segura meu cabelo – A gente conversa depois.

Ele me rouba um beijo e sorri, me deixando atordoada.

Corro até a sala mas já perdi o começo da aula, peço as anotações emprestadas e tento me concentrar.

Minha semana de provas começaria em breve, então passo na biblioteca e pego alguns livros para começar a estudar.

Quando estou saindo, vejo Richard vindo em minha direção.

- Só me escuta um minuto, por favor – ele está cansado e sem fôlego.

- Diga – respondo sem paciência.

- Eu errei está bem? Deveria ter te escutado e ido embora com você, mas tenta me entender, eu estava com meus amigos e isso não é nenhum crime.

- Nunca disse que era, mas você combinou de sair comigo – respondo brava – Eu cedi e fui até lá com você, o mínimo era você ter me levado para casa quando eu quis ir embora.

- Desculpa de verdade.

- Agora já foi – suspiro – Foi bom no geral, mas repito que a gente não devia se ver mais, está óbvio que temos rotinas bem diferentes.

- Vou respeitar sua decisão por enquanto, mas não vou desistir de você – ele pega minha mão, beija e sai.

Respiro fundo e vou até o refeitório almoçar antes de ir trabalhar.

Chego na lanchonete e já está lotado de gente, então me apresso em trocar de roupa e ajudar.

Fico tão envolvida no trabalho que nem escuto meu celular tocar, apenas na segunda ligação que eu atendo.

*- Boa tarde Camilla, estou te ligando para dar o retorno da sua entrevista – a moça informa assim que eu atendo.

- Boa tarde – engulo em seco – Qual foi o resultado?

- Infelizmente nesse momento, não vamos continuar com você nesse processo mas manteremos seus dados conosco ok?

- Obrigada – respondo simplesmente e desligo*

Tenho que segurar as lágrimas e me segurar no balcão. Eu estava tão confiante e agora tinha sido dispensada.

- Está tudo bem? – Bob pergunta quando me vê.

- Eu não passei na entrevista Bob, acabaram de me ligar – minha voz é só um sussurro.

- Minha querida, eu sinto muito – ele me abraça – Tenho certeza que virá uma proposta melhor ainda.

- Era meu sonho Bob, eu não consigo acreditar – respiro fundo.

- Você quer ir embora? – nego com a cabeça.

- Só preciso de um minuto – ele concorda e sai, me deixando recuperar por um instante.

Volto a trabalhar no automático, tentando não pensar na ligação.

Quando termino o expediente, caminho até em casa lentamente, me permitindo chorar por alguns minutos. Não queria acreditar, não queria pensar no que fazer agora.

Chego no prédio, subo até meu apartamento e ele está vazio. Vejo a mensagem de Becca que iria participar de um happy hour com o pessoal do trabalho.

Ela estava focada em conquistar o crush e eu agradeci por poder ficar sozinha e remoer meu momento difícil.

Tomo um banho, como alguma coisa mas logo me incomodo com o silêncio. Ligo a tv e não tem nada, procuro um filme e não acho nenhum que me agrade.

Num impulso, decido ir até o apartamento de Zabdiel, vou o caminho todo pensando que ele poderia estar ocupado mas eu precisava de alguém.

Toco a campainha e aguardo. Ele aparece instantes depois, com uma toalha enrolada na cintura.

- Cams? – ele me olha confuso e eu admiro seu corpo descaradamente.

- Eu sei que eu saí daqui sem explicar e eu sinto muito mesmo, queria falar sobre isso depois mas agora eu preciso de você, como amigo – eu quase imploro – Por favor.

- Entra – ele abre espaço – Eu vou colocar uma roupa, mas fica a vontade, tem sorvete na geladeira.

Agradeço e me sento no sofá, dessa vez observando os detalhes do ambiente.

- Pronto – ele volta – O que aconteceu?

Então eu conto e não seguro as lágrimas. Com qualquer outra pessoa eu me fazia de forte, mas com Zabd eu não precisava mentir.

- Eu sinto muito – ele senta mais perto de mim – Percebi que significa muito para você mas talvez tenha uma razão para não conseguir agora, vai acontecer algo melhor eu tenho certeza.

- Tomara, mas agora eu não sei o que fazer – seco as lágrimas.

- Você não precisa saber agora, dá um tempo e pensa nas coisas com calma – ele acaricia meu rosto – Não se cobre tanto.

- Obrigada – seguro sua mão e ele me puxa para perto.

Enterro meu rosto em seu pescoço e sinto seu cheiro tão familiar. Sinto suas mãos nas minhas costas e relaxo.

- Quer assistir alguma coisa? – ele pergunta no meu ouvido e eu assinto.

Ele se levanta para escolher algo e volta para perto de mim. Me aconchego do seu lado e ele passa um braço pelo meu ombro, ficamos ali por um bom tempo.

Crossed WaysOnde histórias criam vida. Descubra agora