Vizinhos e uma ajuda especial

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Zabdiel

Los Angeles era incrível. Eu estava adorando cada parte da cidade e mesmo que fosse tão movimentada quanto Nova York, tinha um ar de calmaria que eu nunca sentia na outra cidade.

Dona Noemi surtou quando soube da mudança, “para tão perto de casa” em suas palavras. Prometeu me visitar em breve, assim que eu me instalasse.

Meus três anos em Nova York tinham sido muito produtivos, eu fiz uma diversidade de coisas, me arrisquei no teatro, participei de concursos, conheci muita gente, novos ritmos e instrumentos.

Porém, eu ainda me sentia muito amador, então quando surgiu a oportunidade de trabalhar em uma gravadora, eu não pensei duas vezes antes de trancar a faculdade e me mudar para cá.

Tive sorte de conseguir um apartamento muito próximo da gravadora e assim que cheguei em LA, acertei todos os detalhes burocráticos. Minhas coisas ainda iam demorar um tempo para chegar então eu seguia no hotel.

A minha maior surpresa foi encontrar Camila assim que eu cheguei na cidade e apesar de pensar muito nisso assim que soube da mudança, jamais imaginei que seria tão rápido.

Deixei meu número com ela, mas ela não tinha retornado. Deveria estar tão surpresa quanto eu ou apenas não queria retomar contato comigo.

Afasto esses pensamentos quando entro na gravadora. Eu ainda tinha alguns dias antes de começar a trabalhar, mas queria conhecer o lugar.

- E aí cara, você deve ser o Zabdiel correto? – um rapaz se aproxima de mim, um pouco mais baixo que eu, cabelo de lado e algumas tatuagens.

- Acertou. Tudo bem? – estendo o braço e ele me cumprimenta.

- Tudo ótimo, eu sou Christopher Vélez e acho que vamos trabalhar juntos – ele sorri – Vem, vou te mostrar o lugar.

A primeira coisa que descobri sobre Christopher é que ele adorava falar. Ele tagarelou sobre tudo enquanto me mostrava cada canto do lugar.

Enfim chegamos na sala do meu chefe e ele me informa que passarei a primeira semana conhecendo a rotina junto a Chris.

- Só cuidado com esse cara ou você vai estar toda noite em uma balada diferente – Rick, o chefe, pisca para mim.

- Que isso Rick, me difamando desse jeito – ele faz cara de indignação – Eu não saio tanto assim.

- Qual foi a última vez você passou o final de semana em casa? – Rick pergunta e acrescenta – Sem que estivesse doente.

- Droga – Chris reclama e eu dou risada – Não deve fazer tanto tempo assim ok? Isso não importa agora, vou levar o Zabdiel para comer e conhecer os restaurantes da região.

Saímos os dois para um restaurante de comida italiana mas ele aponta vários outros ali próximo.

- Tem várias opções, aqui você nunca enjoa da comida – ele sorri quando se senta e faz seu pedido. Decido imita-lo e pergunto um pouco mais sobre as pessoas que trabalham lá.

- Muita gente famosa vem aqui? – pergunto enquanto tomo um gole do suco.

- Pelo menos um por semana, quando tem mais a gente tem que se virar para nenhum sair prejudicado – ele responde – Alguns são mais compreensivos, mas tem equipes que só querem chegar, ver tudo pronto, gravar e ir embora. Sem atrasos, sem contratempos, sem um errinho.

- Parece ser bem difícil.

- Só as vezes, mas você vai gostar.
Sorrio e nossos pratos chegam, então continuamos a conversar sobre amenidades.
...

No dia seguinte as minhas coisas finalmente chegam, e eu passo o endereço do meu novo prédio. O caminhão se perde e apenas no final da tarde eu consigo ter meus móveis e roupas.

Estou perdido no meio das caixas quando encontro com Camila. Nós íamos ser vizinhos e eu não poderia estar mais feliz.

- Poxa – ela diz saindo do transe depois que eu conto a novidade – Que surpresa boa.

- Sim, estou animado – sorrio – Não tanto agora, mas ficarei.

- Quer ajuda? Preciso ir ali mas volto logo.

- Olha, eu vou aceitar, não sabia que dava tanto trabalho me mudar sozinho – ela ri.

- Então eu já volto para te salvar.

Ela acena e sai e eu coloco as caixas mais pesadas no elevador enquanto subo com outras pela escada.

Entro no apartamento pela primeira vez como meu, mas nem tenho tempo para aproveitar. O pessoal da mudança entra em seguida e deixa as caixas pelo caminho.

Dou algumas instruções e volto lá para baixo.

- O que eu posso fazer por você? – Camila pergunta assim que me vê.

- Pode ir no elevador com essas caixas e só empurrar para fora, eu arrumo quando chegar lá em cima.

- Que andar você mora?

- No quinto e você?

- Terceiro – ela sorri e aperta o botão.

Pego as últimas caixas e subo exausto as escadas. Quando chego lá, os homens já estão saindo e após uma rápida despedida, entro no apartamento finalmente e sento no chão.

- Aposto que seu sofá é mais confortável do que isso – escuto a voz de Cams.

- Você ainda está aqui? – pergunto surpreso.

- Sim, pensei que você não iria conseguir arrumar isso tudo e precisaria de um lugar para jantar – seu sorriso é a coisa mais linda que eu já vi.

- Não quero incomodar – digo sem jeito.

- Não vai, estou terminando de fazer e você pode descer daqui a vinte minutos, pode ser?

- Claro – sorrio e me levanto – E muito obrigado pela ajuda.

- Não foi nada – ela me dá um último sorriso e sai.

Corro para tomar um banho e encontrar uma roupa no meio da bagunça.

Desço alguns minutos depois e já sinto o cheiro da porta. Bato e uma garota que eu não conheço abre a porta.

- Oi, você deve ser o Zabdiel – ela estende a mão – Eu sou Rebecca, ou só Becca e sou amiga da Mila.

- É um prazer e desculpa atrapalhar – entro no apartamento. Era simples mas eu poderia dizer quais eram as coisas que Camila havia escolhido.

- Imagina, Mila fez comida para um batalhão, não íamos dar conta sozinhas.

- Exagerada como sempre então? – dou risada e Rebecca concorda.

- Eu estou ouvindo – Camila surge rindo. Meu olhar passeia pelo seu corpo, ela veste um short jeans bem curto e uma camiseta da universidade mas ela absurdamente linda.

- Ele te conhece bem – Becca comenta e cai na risada.

- Posso te contar coisas que você nem imagina – digo para ela mas Cams se impõe.

- Nem pense em começar mocinho – ela aponta pra mim mas está sorrindo – Nós vamos comer antes que comece um complô contra mim.

- Quem não deve, não teme – digo e recebo um pano de prato na cara.

- Eita, que agora estou curiosa – Becca me indica uma cadeira – Acho que seremos bons amigos Zabd.

- Eu também acho – sorrio para ela.

- Acho que estou ferrada com vocês – Camila comenta quando se senta.

Nós três caímos na risada e começamos o jantar, onde relembramos alguns momentos do passado, alguns micos do presente e descobrindo que continuamos a ter muito em comum.

Crossed WaysOnde histórias criam vida. Descubra agora