A solidão
Que me molha
Na tua ausência.
O samba de roda
Te canta na esquina
Da Guanabara.
E teus pés de areia
Se perdem
N’outro samba
D’outra vez
N’outra pessoa
D’outro abraço,
Que me desconhece
E nem há de me enxergar.
Solidão.
Só.
Só
Li
Do.
Na espera de um brilho
Diferente vindo do mar;
Os quadris que um dia
Me abrigaram feito casa
Sumiram antes de fazer dia.
A solidão tomou tua cadeira no jantar,
Tua taça nas quintas
E teu abraço líquido
De fevereiro.
Talvez as rosas ainda te esperem;
Ou a saudade ainda seja assinada em teu destinatário.
Ainda não sei organizar a casa tão bem
Sem teu lugar ocupado,
Parece ter perdido a função.
Nem meu maço sabe mais queimar,
Nem minha boca chupar.
Saudade do teu gosto,
Todavia, não gosto dessa
E trato de expulsá-la
Sem remediar.
Te quero por inteira
Na calada da noite
Despedaçada.
Queria namorar teus olhos
E casar tua boca na minha.
Fazer teu jeito
Meu samba mais profundo,
Teu silêncio
Minha tempestade em noite primaveril.
Te quero, Lola,
Mesmo sabendo que você não ouvirá essas linhas
Enquanto fode com o Carlos
No banheiro do escritório.
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Epitáfio
PoesiaLivro de poesias e desabafos dedicado aos momentos de maior sensibilidade do eu lírico. A vulnerabilidade de ser e o infortúnio de sentir. Jaz as últimas páginas de uma vida; seus últimos suspiros. E o que restou depois do fim. *** Plágio é crime e...
