A goteira que não cessa

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De passo em passo
Perco seu compasso
E o traço
em que me desfaço
soterra as migalhas
do teu abraço.

De canto em canto
Perco o infortúnio encanto
E a saudade – teimosa –
desfalece em pranto.

De grito em grito
Silencio o peito aflito
Perco seu jeito e todo seu brinco
E os teus cenários
morrem
no meu sonho infinito.

De pulsar em pulsar
Te expulso do latejar
Perco teu nome
e todo relicário de lar
E as palavras – tão doces – parecem amargas ao paladar.

De verso em verso
Desenlaço seu cheiro e desconverso
Perco suas certezas, torno novo universo
E a poesia te esquece,
vira inverso.

De beijo em beijo
Te deixo e te esqueço
perco lembrança e desejo
E te deixo espichar na sexta,
assim que me deito.

De adeus em adeus
Me refiz de versos seus
Perdi meus sorrisos ateus
E clamo às madres que te tragam, pelo amor de Deus!

De reza em reza
Não sinto teus passos na redondeza
Perco minha alegria, dando lugar a tristeza
E deixo de enxergar toda a beleza.

Eu até sei que minha rima é fraca
E nem se compara às canções da natureza,
Mas tudo isso vem com clareza
Só porque eu te amo, Tereza!

EpitáfioOnde histórias criam vida. Descubra agora