Carta aberta a mim mesma.

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É difícil olhar no seu rosto,
Essa outra pessoa que datilografou.
Gostaria de, num ímpeto, arrancar a máscara que escolheu para a noite
E revelar a todos os convidados
o que se esconde aí dentro.

A pior mentira que contou
Fora a si próprio,
Quando achou prudente deixar
A única pessoa que te entendia.

Pensou mesmo num mundo
Onde enxugariam suas lágrimas
às quatro de um domingo qualquer?
O coração é enganoso.
Deveria saber.

Não moro mais em sua vida de aluguel
Suas escolhas nos trouxeram até aqui,
Arcar com essa dor que me rasga o peito
É a pior coisa.
Saber que tudo é uma grande farsa
E suas palavras nunca serviram para nada.

A que público queria mesmo encenar?
Às vezes, gosto de criar situações hipotéticas
Onde tudo foi uma verdade,
Mas há sempre uma incrível parte
Onde o quebra-cabeça não fecha.

O pedaço em que você fode outra
Na minha frente
Pelo simples fato de ser insuficiente
A si mesmo.

Como ousa usar corpos
Como se fossem objetos,
E corações como passatempo
Da sua mente vazia.

Queria poder cuspir em teus olhos
A cada lembrança suja que restou.
Por que não levou esse baú também?
Deixa de recordação pra ela ver
O quanto foi infeliz comigo
E como não sirvo nem para as fodas de quarta a noite.

EpitáfioOnde histórias criam vida. Descubra agora