Alguém.

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Minha cabeça doía antes mesmo de eu abrir os olhos, as fisgadas agudas nos meus braços e em minhas costas evidenciavam que eu precisaria de mais uns dias para me recuperar totalmente. Assim que os cílios se movimentaram, me dando a visão embaçada do teto branco, eu compeli uma careta dolorosa no rosto, mostrando insatisfação com o incômodo físico. A primeira coisa no qual me deparei foi com a claridade do local, logo depois, as vestimentas hospitalares se tornaram evidentes em meu corpo e o verde musgo do tecido me aborreceu pelo simples fato de eu estar sendo obrigado a me adaptar a sempre vê-lo presente nos últimos dias.

Consegui impulsionar força o suficiente para levantar metade do meu corpo na maca e analisar todo o ambiente em minha volta. Eu estava num dos quartos hospitalares, porém, não conseguia identificar qual, afinal, a maioria deles era a cópia perfeita um do outro.

Levantei com pouco ânimo, fazendo uns grunhidos estranhos quando meu pé tocou no chão e precisei de energia para ficar de pé. Os treinos misturados aos golpes de Zitao haviam acabado comigo, o que era óbvio que aconteceria, só não imaginava que me deixariam tão desgastado.

Ninguém estava no quarto comigo, e eu só desejei sanar minha dúvida do que tinha acontecido nas últimas horas depois que apaguei e principalmente durante este meio tempo, ansioso por saber se eu tinha realmente tido uma ilusão ao ver Chanyeol no término da minha luta.

Vesti os chinelos, analisei melhor minha condição no espelho do banheiro, notando minha palidez exacerbada e as marcas de agulha no braço esquerdo por conta do soro.

Ao buscar com os olhos o corredor frente à porta, foi então que eu reconheci onde estava. A imagem veio como um assombro. Do outro lado do corredor, em frente ao meu quarto, a maca bastante notória estava com os lençóis brancos remexidos, a televisão ligada em algum programa jornalístico e os quadros sobre a estante não me deixaram nenhuma dúvida.

Dei passos vagarosos, sentindo-me fraco, mas incrivelmente determinado a ir até lá e entender o motivo por aquela maca estar desocupada. A cada passo, meu coração disparava feito louco, batendo mais alto do que a voz do jornalista que usava do meu nome para anunciar a última vitória de uma luta de boxe. E então, eu ouvi um barulhinho. Paralisei no lugar assim que escutei. Alguém estava lá dentro, caminhando e batendo alguma coisa nos móveis.

Meus olhos mal piscavam. Achei que iria desmaiar ali mesmo, mas insistia mentalmente em não deixar que isso acontecesse. Precisava ficar acordado dessa vez, precisava ou acabaria perdendo a esperança e eu não queria isso, por conta do cansaço ela já não estava tão aparente.

Caminhei pelo corredor respirando com dificuldade pela afobação que me tomava o peito conforme eu me aproximava do quarto á frente. Quando faltavam apenas mais alguns passos para obter a visão perfeita do quarto por completo, eu tive a mesma sensação que experimentei quando estava com o braço erguido, um cinturão de ouro sendo colocado no corpo e inúmeros gritos dos torcedores que comemoravam em meu lugar. Eu tive a sensação que o alvoroço ainda ecoava em meu ouvido e me perguntei se ainda continuavam tão recentes em minha audição por aquele momento também se tratar de uma nova vitória.

E sem avisos prévios, eu o vi. Parecia real demais para se tratar de apenas uma alucinação motivada por algum provável medicamento que tinham me dado. Confiei que ele estava realmente ali, acho que tanto como o meu coração como o restante do corpo todo, desejaram que ele estivesse de fato.

O lutador apareceu aos poucos, arrastando um pé de cada vez junto ás muletas embaixo do braço, o que o deixava ainda mais corcunda. A falta de equilíbrio estava bastante evidente por conta da fraqueza recente e ele recostou-se na estante para que conseguisse manter-se em pé, sem reparar na minha presença imóvel no meio do corredor

CLINCH | ChanBaekHistórias para pegar e não largar. Descubra agora