O relógio da praça insistia em fazer com que os ponteiros corressem, levando os minutos de um agora que há pouco tempo me pertencia. Bendito sejam eles que ficavam dando voltas e mais voltas, tirando a oportunidade de me fazer livre de todo o resto do mundo.
Suspirei fundo, me julgando um total insano por estar brigando com o relógio. Sentia-me pesado, como se estivesse carregando perguntas em minha mochila que as energias de minhas costas não eram fortes o suficiente para carregar.
Olhei a minha volta, observando os casais que passeavam de mãos dadas pela praça. Eles pareciam tão felizes, sorrindo feito uns babacas, como se o sol nascesse em formato de coração e as nuvens fossem o chão que pisavam.
Tinha que confessar, eu desejava ser normal como algum deles. Conhecer alguém do jeito certo sem que depois de um tempo, eu o ouvisse dizer que havia algo de errado. Comecei me apaixonando pelo meu melhor amigo, este que acabou se tornando meu inimigo da escola, até o passado voltar com um papo de querer conversar sobre o que ele sempre resolveu com violência. E para completar, eu estava desejando alguém que não me pertencia, que se mostrava por muitas vezes, não pertencer a lugar nenhum.
Eu só era um garoto que desejava um amor simples, daquele tipo extremamente clichê que se conhece numa cafeteria, num passeio da tarde com um cachorro de latido irritante ou até mesmo, num ponto de ônibus enquanto garoa. Eu não estava pedindo demais, certo?
Os curativos cortados e já gastos em meus dedos não adiantavam de nada, principalmente quando se tem um coração infestado com cicatrizes, pronto a desatar no chão em migalhas. Mas acho que ninguém consegue mantê-lo inteiro o tempo todo, certo?
— É claro que não — respondi para mim mesmo, sorrindo forçado.
Na volta para casa, agradeci mentalmente as forças divinas por terem me ajudado a recuperar minha mochila sem que no caminho eu fosse alcançado por Sehun e sua insistência em pagar com desculpas, o tanto que ele havia me marcado. Agradeci também, pela secretária não estar presente quando o show de um Park Chanyeol irritadinho comigo, aconteceu justamente no colégio, a céu aberto para o público assistir.
Quando finalmente cheguei em casa, joguei minha mochila em qualquer canto e desatei meu corpo na cama, sem me importar com as vestes do cotidiano ou que eu estivesse pegando no sono enrolado naquela minha bagunça de decepções e lágrimas ensopando meu travesseiro.
Eu não sonhei com um Sehun jovem deitado em minha barriga, muito menos com aquela leveza de sentimentos confusos quando eu era criança. O que minha mente criou foi algo intenso, forte o bastante para me fazer sentir na pele, como se estivesse realmente acontecendo.
Era Chanyeol me beijando, tirando minha roupa com tanta cobiça que eu senti que aquele sim, era um ato de vontade, uma precisão silenciosa em domar meu corpo sobre o dele, forçando os dedos em minha cintura enquanto gastava a saliva lambendo meu pescoço. Eu não precisaria me ouvir para ter certeza de que estive gemendo durante o sonho inteiro, principalmente na parte que estava angustiado para que todas aquelas tatuagens — embaçadas por conta do irreal — completasse minha pele totalmente desnuda. Mas, para a infelicidade de meus hormônios, os barulhos infernais na porta acabaram roubando-me a oportunidade de ir até o limite de minha imaginação fértil.
— Baekhyun? Acorda, moleque! As diaristas estão te chamando faz tempo.
Abri os olhos, espreguiçando-me. Levantei metade do meu corpo, tentando afastar o cobertor com minhas pernas.
— JÁ VOU! — gritei.
— Você tem dez minutos. Eu não sou sua mãe pra ter que ficar aqui te chamando.
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CLINCH | ChanBaek
RomanceO nome sempre repetido pelos torcedores era o mesmo, Park Chanyeol, o melhor lutador de boxe da atualidade. Era óbvio que eu me lembraria de suas inúmeras tatuagens, de seus olhos intensos e de sua atitude convencida. A tentativa de ir contra todo a...
