Capítulo 2

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DG

Cresci sempre vendo meu pai agredir minha mãe e me agredir. Sempre deixando claro para mim que assim que se tratava uma mulher, era isso que elas mereciam o nosso pior.
Eu chorava, gritava para ele soltar ela e ele nunca me escutava. Os pedidos de socorro dela parecia hino para os ouvidos dele, quando mais ela batia mais ele batia.
Até que um dia, eu vi uma arma escondida em casa, mais nunca tive vontade de toca-lá, pelo contrário minha mãe sempre me disse que isso não era brinquedo de criança. Até que numa tarde de sexta feira, novamente os gritos de socorro da minha mãe ecoavam por toda a casa. Eu só tinha 8 anos porra, não merecia ver aquilo de novo, não merecia ter que ver aquela cena mais uma vez. Ele começou a me chamar igual doido, mandando eu ir ver como que tratava vagabunda.
Não pensei duas vezes em por a arma na cintura e ir de encontro com ele, eu me tremia todo pois nunca tinha pegado em uma. Mais seria hoje que eu acabava com o inferno que minha mãe e eu vivíamos.
Mal entro no quarto e ele já vem.

- Ta surdo Diogo, Ta ouvindo eu te chamar não?- Diz Rogério bêbado. De longe sentia o cheiro de cachaça que exalava, no pequeno quarto.

-Larga a minha mãe Rogério, deixa ela em paz- peço chorando, com meu corpo tremendo de ódio.

Rogério começa a rir, rir de gargalhar.

- O que vai acontecer se eu não largar?  Oque o menininho da mamãe vai fazer? Você é um frouxo Diogo.- diz e acerta um soco na minha mãe, que volta a chorar.

Eu já não conseguia enxergar mais nada. Com medo e raiva ao ver minha mãe quase morta na mão daquele desgraçado. Nem pensei em nada, só tirei a arma e atirei.
Atirei com ódio, só parei quando vi que o pente tinha sido totalmente descarregado nele, mais só ai que percebi que a última bala minha mãe entrou na frente.
A mulher que eu tentei defender, tomou a bala junto com ele, preferiu morrer com ele, do que ficar comigo.

E ali percebi que o monstro que eu não sabia que existia em mim saiu pra fora, pra nunca mais sair de mim. Naquele momento eu vi que aquela que eu mais amei, preferiu o homem que eu mais odiei.

15  anos depois

Mais uma vez acordo assustado, lembranças de 15 anos atrás ainda me atormenta, pego meu rádio e chamo meu irmão, se hoje estou aqui comandando esse morro da Rocinha tenho que agradecer a familia do LN e a ele, o cara que me acolheu quando todos viraram as costas após saber que eu matei meu pai e minha mãe, só ele sabe minha realidade e a verdadeira história.

- Fala minha puta, oque se quer comigo?-
Revirei os olhos, LN brinca demais cara.

- Porraa LN, começa com suas biolagem não. Esqueceu q você é sub desse morro e tem obrigação caralho? - pergunto.

- Calma grande DG, to tomando café aqui na Aninha 'tá ligado'? Encosta pra cá, se deve ta varado de fome.

Pensei em não ir mais, como tava na mó fome mesmo mandei ele marcar dois e desci bolado na minha XRE preta. Parei no Bar da Aninha, e já vi os mais chegados.
Tava descendo da moto mais logo vi uma cabeleira preta, com uma bunda enorme descendo o morro correndo. A mina parecia estar na mó presa.
Fiquei curioso, nunca vi essa mina aqui. Sai do transe com o LN me chamando.

- Despouza Urubu.- ele diz e eu o encaro.- Nem vem que a mina é sofrida e faz o melhor que pode, não da trela pra ninguém desse morro. Não nasceu pra sofrer na sua mão não DG, garota já nem bota a cara pra não ter amizade com ninguém.

Nem respondi, só sei que queria aquela mina e quero ver quem vai falar ao contrário, afinal o dono sou eu.

O que estão achando meninas?👀👀

Perdida no Dono do MorroOnde histórias criam vida. Descubra agora