Capítulo 16 (REVISADO)

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Paloma

Levantei na esperança de dias melhores.
Abri as cortinas do quarto e percebi que o sol já estava bem forte, deduzi que deveria ser uma uma hora da tarde ou mais.
Pego minha toalha e vou para o banheiro fazer minha higiene pessoal, ao terminar começo a passar a pomada pelos roxos que tinham pelo corpo. No guarda-roupa pego um vestidinho soltinho e coloco. 

Lembro do recado do ogro sobre o lugar que iríamos mais tarde e decidi que já que irei viver aqui vou começar a  jogar o jogo dele, não vou dar o gosto dele continuar me ver sofrendo. Por mais que eu ainda não entenda, sei que foi algo que fez ele ficar assim, mas o que seria? Tenho que descobrir, e usar ao meu favor!

Afasto meus pensamentos e vou escolher minha roupa para mais tarde, certeza que seria algum tipo baile, percebi que ali tinha algumas peças de roupas que não eram minhas. Deduzi que ele deveria ter comprado, como eu queria arrasar hoje, já que o primeiro passo do meu plano começa hoje, fui atrás das mais chamativas. Escolhi um cropped de pedraria na cor branca, e uma saia colada preta de couro. Uns cinco dedos acima do joelho. Nos pés coloquei um salto grosso, porém, alto e de plataforma na cor preta.
Terminei de ajeitar os últimos detalhes do meu look e guardei a roupa num cantinho separado.

Estava morrendo de fome, até que escuto duas batidas na porta.

- Quem é? - pergunto com receio de ser ele.

- Oi, sou a Joana, eu cuido da casa. Desde cedo DG pediu pra mim te chamar para comer, mas na hora que eu vim acho que você estava dormindo ainda e não quis incomodar. Com toda certeza deve tá morrendo de fome, já são mas de três horas da tarde, desce pra comer, menina - explica numa voz adorável, porém preocupada.

Levanto e destranco a porta.

- Oi, Joana, mas ele disse se eu posso descer?

- Deixa de besteira, menina, pode sim. Ele mandou avisar que só não quer que saia da casa e nem entre no escritório ou quarto dele.
Mas vamos descer pra você comer e depois conversamos.

Diz e sai andando na frente.

Chego no final das escadas já sentindo um cheiro delicioso de comida caseira. Minha barriga chega ronca, de longe percebo que já devem ter comido, melhor assim, que não corro risco de me encontrar com ninguém agora.

- Eu sei que tá com fome! Tá esperando o que pra fazer seu prato minha filha?! - fala em um tom brincalhão e ri.

Nem pensei duas vezes, já fui fazendo meu prato. Coloco um pouco de tudo: arroz, feijão, lasanha e uma saladinha.

Meu Jesus! Depois da minha avozinha, certeza que a Joana viraria minha segunda cozinheira predileta.

Joana me olhava com os olhos de pena, mas fingi não me importar. Assim que termino de comer agradeço a ela, ia saindo da cozinha, porém ela me chama.

- Paloma, você não me conhece, mas eu lembro de você. Conheço sua avó há anos e sou a mãe do Lucas, mas você deve conhecer ele como LN, DG é meu filho do coração. Assim que fiquei sabendo sobre isso, prometi pra sua avó que cuidaria de você - conta - Conversei com o DG hoje pela amanhã e prometo que vou fazer tudo que tiver ao meu alcance pra ele não te machucar. Conheço DG desde que ele era um garoto e sou uma das únicas pessoas que conhece realmente a história dele. - continua, e atiça minha curiosidade - Diogo não é esse monstro que todos pensam e temem, ele só aprendeu a amar como a vida ensinou. O amor que o ele conheceu foi o que machuca, dói, fere... Enfim, ele sofreu nas mãos daquele que deveria ter dado só amor a ele - seus olhos enchem de lágrimas - E perdeu a única que tentava dar, em um golpe só. E por esse fato, ele acaba descontando nos outros, ferindo os outros do mesmo jeito que feriram ele, eu sei que nada justifica. Mas te garanto que meu filho tem o coração de ouro, ele só não sabe como demonstrar pras pessoas - termina limpando algumas lágrimas que surgem nos seus olhos.

Perdida no Dono do MorroOnde histórias criam vida. Descubra agora