Capítulo 4 (REVISADO)

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Paloma

Não foi muito esperto da minha parte dizer para a Brenda que faríamos o que ela quiser.
Agora estávamos em meu quarto, com ela me xingando e falando mal das minhas roupas.
Tenho culpa se não temos o mesmo gosto? Ao contrário da minha melhor amiga, eu era e sempre fui mais na minha. Talvez por isso a Brenda e eu nos dávamos bem, éramos como carne e unha, porém gostos totalmente diferentes. Não dizem que os opostos se atraem? Então, por aqui deu certo rs.

- Desisto, cara, suas roupas foram doadas por idosas, só pode!- Bufa.- Pode falar você tá pegando as roupas da sua avó não tá? - resmunga - Vou te emprestar umas minhas. Assim que eu encher o bucho, vamos apertar o passo para a minha casa. Hoje nem tu vai se reconhecer - bate palmas.

Lá vem.

Reviro os olhos e rio. Só minha amiga mesmo.

- Desiste, vamos fazer alguma outra coisa. Que tal um filme? - tento pela milésima vez.

Aí é ela que revira os olhos.

- Nem vem, D. Paloma! Nós vamos nesse baile e vamos arrasar! Quem sabe hoje tu não perde o lacre?! - diz e se acaba de ri, enquanto eu arregalo os olhos.

Essa aí é doidinha, sangue de Jesus.

- De qualquer forma, minha avó não vai deixar. Brenda, ela não gosta dessas coisas. E nem eu. Por favor, vamos deixar isso quieto, não tô com uma boa sensação.- insisto.

- Eu disse: Nem vem! - joga uma calça minha de volta em meu guarda-roupa - E com sua avó, eu me entendo.- pisca.

Lá vem ela.

- Meninas, desçam logo que a comida já tá na mesa - D. Zélia grita - E não me façam ir buscar vocês! - continua séria.

- Estamos indo, vó! - respondemos.

- Só me observa e aprende - diz Brenda.

Rio acompanhando-a até a cozinha. Que amiga!

Janto em silêncio. Ao contrário de Brenda e vovó, as duas põe as fofocas em dias. D. Zélia só sabe dizer que a minha amiga é doida e que ela e eu precisamos é ir para a igreja. Isso não vai dar certo. Eu era maior de idade, mas tenho muito respeito por minha velha. Além de não gostar de bailes como ela, também não curtia mentiras, na verdade eu odiava.

- Ih, vó Zélia, arrasou na comida - diz Brenda toda largada - Ah, e tá gatona, hein! Arrumou um varão e não contou, né danadinha? - começa a ri.

Me seguro.

Vovó só olha feio, mas ela nem liga.

- O que é que tu quer, hein, Brenda? Sou velha, mas não sou burra! - D. Zélia solta logo, arrumando os pratos.

Brenda se ajeita e eu fico toda desesperada.

- Deixa que levo, vó - olho para minha amiga, tentando dizer para ela deixar isso de lado. Vovó não vai permitir.

- Ô, minha velha, deixa a Palominha virar a noite lá em casa, deixa? Uma noite de meninas? Hein? - junta as mãos e faz os olhos de cachorrinho abandonado.

Se eu não soubesse, até acreditava. Que menina cara de pau, Senhor! Tento mais uma vez dizer para ela desistir, ficando atrás da minha avó, mas ela nem me olha. Mentira nunca dá certo. Vai que alguém me veja nesse baile e conte a vovó? O povo nem gosta e ainda vou dar esse vacilo.

- Deixo, mas vão um dia desses comigo na igreja. Tão precisando ficar mais perto de Deus.

- Adorei! É, isso aí, caralho!

- Brenda!

Vovó reclama dando um tapa no braço dela, que pula feito uma doida, comemorando. Começo a gargalhar. Ela se desculpa e vovó fica dando sermão, até eu entro no meio.

- Tá bom, Zelinha, já tá tarde - Brenda diz - Vai pegar tuas coisas.

Corro rapidinho no quarto e apanho minha mochila com algumas peças de roupas. Quando volto, me despeço de vovó, já me arrependendo. Ela me dá mil recomendações e que é para eu me divertir, pois mereço.

- Te amo, vó!

- Também, minha menina!

Nos abraçamos, ela e Brenda também se abraçam e saímos. Lá fora, a sensação de estar sendo observada retorna. E quando olho em volta a procura, encontro. Um arrepio percorre meu corpo. Um homem com um fuzil é responsável por isso, tento enxergar seu rosto mais ele vira as costas.

Quem será ele?

- Vamos, Paloma!

Desvio o olhar, seguindo minha melhor amiga.

Perdida no Dono do MorroOnde histórias criam vida. Descubra agora