Confronto

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Itachi

Yuriko dormiu nos primeiros minutos de caminhada, no momento em que eu encontrei Kisame ela já estava desmaiada em meus braços e o azul agradeceu imensamente por isso, mas não parou um segundo sequer de reclamar da espada que ainda estava paralisada.

— Acha que ela vai voltar ao normal? — Ele me perguntou.

— Se ela concertar a espada sim, caso contrario... — Eu não sabia o que falar, caso contrario a espada morreria? Isso se aplica aquela espada?

— Pestinha de garota, espero que acorde logo. — Não dei ouvidos, estava de saco cheio de ouvir a voz de Kisame e naquele momento havíamos chegado no nosso destino. Eu estava à alguns passos de dar de cara com o filho do Quarto Hokage, de dar o melhor de mim para ser o pior.

— Já vai seu velho. — O garoto loiro paralisou ao ver nossa figura, sua expressão demonstrava nada mais além de medo. — Vocês... — Ele gaguejou algumas vezes antes de concluir a frase. — São da Akatsuki.

— Garotinho espero. — Kisame sorriu.

— Esses olhos... — Ele engoliu a seco. — Você é o irmão do Sasuke! — Seus olhos azuis me miraram de cima a baixo, parando na garota em meus braços. — Yuriko? O que esta fazendo com ela? — Eu dei um passo para trás, senti seu chakara quente e consideravelmente.

— Segure ela e fique longe. — Entreguei-a à Kisame. — E você garoto, já sabe o porque estou aqui? — Havia algo, outro chakara, uma energia odiosa se aproximando.

— Itachi! - Alguém gritou, quase um rugido de raiva. — Eu te achei, e assim como você me disse eu te odiei minha vida toda. — Os olhos de Sasuke se tornaram vermelhos, quase como os meus, em sua mão ele concentrava chakara o transformando em pura eletricidade. Chidori. — E agora eu vou acabar com você! — Meus olhos captaram cada movimento dele, quase que em câmera lenta e quando seu punho tentou me acertar eu facilmente o segurei.

— Irmãozinho tolo — murmurei e sem exitar o chutei ate a parede do outro lado do corredor. — Você ainda é fraco. — Em um segundo estava na sua frente, minha mão em torno de seu pescoço. — Seus olhos não são nada comparados ao meu. — Ele engasgou, seu olhar mostrava todo o ódio que ele sentia. — Você é fraco, ainda te falta ódio.

— Você. — Ele sussurrou. — A pegou. — Seus olhos pararam em Yuriko. — Você é um canalha, vai mata-la dessa vez? Não basta o que fez com o pai dela, com nossos pais! — Aos poucos o larguei no chão. — Não acha que a fez sofrer demais? — Eu senti raiva, raiva de mim, raiva dele, raiva porque era verdade, e eu fiz o que eu fiz sem pensar.

— E agora você vai sofrer um pouco mais. — O reino dos pesadelos não era pra onde eu o queria levar, mas era onde ele precisava estar naquele momento.

— Acho melhor se afastar dele. — Meu olhar virou lentamente para o dono da voz. — Eu bem que estranhei uma mulher tão linda e tão interessada em mim. — Ele sorriu enquanto deitava a mulher encostada na parede.

— Sábio Tarado!  — Naruto sorriu ao ver Jiraya.

— Sou o sábio dos Sapos garoto. — Ele bradou. Os dois tinham uma relação bonita, mas tudo o que eu menos queria agora era um Sannin aqui.

— Quem é esse velho Itachi? — Kisame perguntou.

— Jiraya, um dos tres Sannins Lendários — murmurei. — Um problema agora.

— Então foram vocês  que levaram nossa Yuriko? — Nossa? De onde ele tirou esse "nossa"? — Infelizmente não vou poder deixar que a levem. — Ele era rápido e em poucos minutos ele havia nos deixado presos na barriga de um sapo. — Nada saí daqui enquanto eu não quiser. — Ele murmurou. — Ela absorve tudo.

— Itachi. — Kisame murmurou. — Acho que esta na hora da gente ir.

— Até a próxima Naruto. — Não dei muito mais tempo para raciocinarem, me virei em direção ao final do corredor, que agora era apenas um estômago, e lancei o Amaterasu naquela direção e como eu esperava em poucos minutos o caminho estava aberto. — Foi por pouco — murmurei cansado. Meus olhos doíam e embaçavam, eu abusei demais de algo que não poderia usar.

— Vamos parar, não quero ter que carregar mais uma pessoa. — Kisame murmurou apontando com o queixo a caverna à frente.

— Me dê ela aqui. — Parei imediatamente estendendo o braço. — Vamos.

— Qual é a sua relação com essa garota? — Ele não moveu um músculo, pelo contrario a apertou mais contra seu corpo. — Seu irmão parecia gostar muito dela e insinuou que você fez algo com o pai dela, até onde eu sei as únicas pessoas que você machucou foram as do seu próprio clã. — Prendi a respiração. — Isso me faz concluir que ela é do seu clã. — Ele sorriu. — Mas por que a deixou viva?

— Me dê ela, não te interessa. — Ele riu, quase que diabolicamente. Filho da puta.

— Minha perna. — Ouvi ela murmurar. — Aonde eu estou? — Seus olhos castanhos abriram lentamente, sua cabeça ainda estava meio cambaleante. — Você? — Ela olhou para Kisame. — Me solta! — Seus olhos se arregalaram e ela começou a socar o peito dele desesperadamente.

— Solte ela, vamos — bradei. — Não ouse me desafiar. — Acho que aquelas palavras acenderam algo em Kisame, porque no instante seguinte ele jogou Yuriko contra a arvore a frente.

— Você a quer, é toda sua.

— FILHO DA PUTA! — Eu nem me virei para vê-la, meu corpo se moveu sozinho e quando eu vi minhas mãos estavam em torno de seu pescoço.

— Vai usar seus olhos em mim Itachi? — Ele riu.

— Isso só iria me atrasar agora — murmurei. — A próxima vez eu acabo com sua vida e eu não vou precisar dos meus olhos para fazer isso.

— Você nunca agiu assim antes.

— Não toque em um fio de cabelo dela. — Eu o soltei lentamente me virando para encontrá-la. — Yuriko. — Me abaixei ao lado dela, seus olhos estavam vermelhos, seu sharingan estava ativado, eu sentia ódio transbordando dela. — Olhe pra mim, não faça isso. — Segurei seu rosto entre minhas mãos.

— Ela é como você, uma Uchiha. — Kisame murmurou.

— Por que esta me ajudando? — Ela perguntou, seus olhos saindo do vermelho para o castanho lentamente.

—Por que eu não ajudaria? — perguntei de volta.

— Você matou meu pai, esqueceu? — Eu nunca havia parado pra pensar naquele dia, eu sempre eu evito aquelas lembranças mas seus olhos machucados e lacrimejados trouxeram tudo aquilo de volta de uma única vez.

— Consegue levantar? — Troquei de assunto o mais rápido que pude.

— Consigo. — Suas mãos apoiaram na árvore, e como se ela não tivesse com a perna dilacerada, ela se levantou com a graça de uma bailarina. — Vamos logo. — Ela estendeu as mãos, com os punhos unidos. — Não quero ser carregada, me prenda. — Seus olhos estavam frios, seu pai não era um bom assunto e eu não era uma boa companhia.

— Você não vai fugir — respondi por fim. — Kisame vai na frente, você atrás e eu vou atrás de você, assim você não tenta nenhuma gracinha.

— É só guiar o caminho. — Ela sorriu de modo mais falso possível. — E ficar longe de mim.

— Isso já não prometo — respondi por fim.

A HerdeiraOnde histórias criam vida. Descubra agora