Teste

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Na manhã seguinte, acordei animada, apesar de ter passado a noite organizando caixas e roupas. Prendi o cabelo rapidamente e desci as escadas quase correndo. Pulei o último degrau e segui direto para a cozinha, onde meu pai já estava sentado à mesa enquanto minha mãe terminava o café.

- Bom dia, pais! - beijei a bochecha dos dois antes de me sentar.

- Bom dia, filha - meu pai respondeu. - Tenho uma boa notícia para você.

Olhei para minha mãe, que assentiu, sorrindo.

- Fui falar com o Hokage ontem, depois que deixei vocês em casa.

Assenti. Eu lembrava perfeitamente do momento.

- Pedi que ele lhe desse a chance de fazer um teste - franzi o cenho. - Para que você não comece do zero. Como sabe, a maioria na sua idade já é Chūnin.

Balancei a cabeça, ainda assimilando.

- Descobri que um Uchiha se tornou Capitão da ANBU.

- Quem é esse homem? - minha mãe perguntou curiosa, sentando-se conosco.

- Itadakimasu.

- Itadakimasu - repetimos antes de começar a comer.

- É um menino ainda. Tinha treze anos quando se tornou capitão - meu pai respondeu, quase indignado. - Dizem que é um prodígio... mas enfim. - Ele voltou o olhar para mim. - Se você fizer esse teste, prático e escrito, e passar, eles a promovem a Chūnin.

Engasguei levemente.

- É sério? Mas... eu não sei.

A insegurança veio rápida demais.

- Nós confiamos em você - mamãe segurou minha mão. - Te ensinamos tudo o que era necessário. Você é tão inteligente quanto eu e tão habilidosa quanto seu pai.

- Você me chamou de burro? - meu pai perguntou, fingindo indignação.

- De menos inteligente, querido.
Eu ri. Eles tinham o tipo de relação que eu queria ter um dia.

- Você tem meia hora até que o menos inteligente aqui te leve até a Academia.
Arregalei os olhos e corri para o quarto.

Calça de treino. Sandálias. Regata preta. Bolsa com kunais e shurikens.

Pronta.

- Quinze minutos - meu pai avisou do pé da escada, sorrindo. - É o que temos.

Maníaco por pontualidade.

- É o suficiente? - perguntei, fazendo careta.

- Sempre é.

Ele abriu a porta para mim e seguimos lado a lado.

- Mikoto! - meu pai chamou, acenando para uma mulher à nossa frente.

Ela tinha cabelos negros longos e olhos igualmente escuros, expressão suave e postura elegante.

- Takashi! - ela sorriu. - Que bom que voltou.

- Demorei, mas convenci meu marido.

- E eu agradeço - meu pai riu. - Essa é minha filha, Yuriko.

Acenei timidamente.

- Leve-a lá em casa qualquer dia. Quero que conheça meu filho. Acho que se dariam bem.

Internamente, fiz uma careta.

Adolescente Uchiha? Provavelmente convencido.

- Claro - meu pai respondeu.

Eu o puxei discretamente. Não podíamos nos atrasar.

A Academia não ficava longe do distrito Uchiha. Meu pai me conduziu pelos corredores com determinação absoluta.

Ele sabia exatamente para qual sala ir.

Sem cerimônia, abriu a porta.
E ali estavam eles.

Instrutores. Alguns ninjas de alto escalão.
E o Hokage.

- Takashi, que bom que chegou - o Terceiro Hokage sorriu. - Yuriko, suponho.

Dei um passo à frente e assenti.

- Seu pai nos disse que treinou você desde pequena. Apenas por ser filha de Takashi Uchiha e Aia Hyuga permitimos este exame.

O peso daquela frase caiu sobre mim.

- Agradeço a oportunidade e tenho plena noção da responsabilidade que estou assumindo.

Meu pai sorriu orgulhoso, beijou minha testa e murmurou um "boa sorte" antes de sair.

- Yuriko Uchiha Hy-

Levantei a mão antes que terminasse.

- Yuriko Uchiha, apenas. Por favor.

Os instrutores trocaram olhares.

- Como os Hyuga ainda não aceitaram oficialmente meus pais de volta e não me reconheceram, prefiro carregar apenas o nome Uchiha.

Um homem de olhos brancos - claramente um Hyuga - me observou com atenção.

- Minha mãe sempre será Hyuga. E eu também. Mas eles ainda não me veem assim.

O Hokage assentiu com compreensão.

- Muito bem. Vamos começar com os testes práticos. Alguns jutsus e avaliação de taijutsu. Depois você terá uma hora para responder ao questionário.

Assenti.

No início, minhas mãos suavam. O coração batia tão forte que eu quase podia ouvi-lo. Mas, à medida que executava cada jutsu com precisão, a tensão foi se dissolvendo.

Eu sabia o que estava fazendo.

Quando me sentei para o exame escrito, minha mente estava tranquila. Terminei antes do tempo previsto.

- Espere do lado de fora. Em quinze minutos traremos o resultado.

Curvei-me e saí.

Meu pai estava sentado no banco em frente à sala.

- Temos que esperar.

Sentei ao lado dele.

Não dissemos nada.

E, estranhamente, aquele silêncio me acalmou mais do que qualquer palavra poderia.

Quinze minutos poderiam definir meu futuro.

Chūnin.
Ou a Genin mais velha da Academia.

- Yuriko!

A porta se abriu. O Hokage veio
acompanhado dos instrutores.
Levantei-me imediatamente.

- Você acertou todas as questões. Executou todos os jutsus corretamente. E seu taijutsu é comparável ao do seu pai.

Meu peito inflou.

- Amanhã haverá uma avaliação final. Um Jōnin fará uma análise do seu nível. Ele decidirá se você sobe imediatamente, permanece como Chūnin ou, em raríssimos casos, retrocede. Mas isso quase nunca acontece.

Assenti.

- Entendido.

Um dos instrutores deu um passo à frente e estendeu a mão.

Uma bandana preta.

Por um segundo, fiquei imóvel.

Eu sabia o que aquilo significava.

- Eu agradeço.

Curvei-me profundamente para cada um deles.

Meu pai fez o mesmo.

Assim que saímos da Academia, amarrei a bandana no pescoço.

O tecido era firme. Real.

- Essa é minha garota - meu pai disse, orgulhoso.

- Graças a vocês - respondi, abraçando-o.

E, pela primeira vez desde que chegamos, senti que talvez... eu realmente pertencesse ali.

A HerdeiraOnde histórias criam vida. Descubra agora