Capítulo 48

742 35 2
                                        

Marcella

Depois de horas no avião, mais um tempo desfazendo minhas malas e arrumando o quarto que minha avó separou para mim em sua casa, resolvo tirar um cochilo. Até eu me acostumar com esse fuso horário vai ser osso lidar com esse sono, cansaço e de quebra um coração em frangalhos.

Antes de cochilar resolvo ligar para os meus pais e dizer que cheguei bem. Quando pego o celular tem várias ligações e mensagens de Charles, Stefano e Arthur. Mas que merda!

Eu vim para o Brasil com o propósito de recomeçar e fazer coisas que sempre quis fazer, como aprender português e passar mais tempo com a minha família, mas se eu ficar recebendo mensagens e telefonemas de Charles eu nunca vou conseguir superar esse sentimento que tanto me aprisiona.

Tenho que tomar uma atitude e já sei qual. Resolvo jogar o cartão sin do meu celular fora. Ahh! O celular também. Radical, eu sei, mas eu preciso recomeçar do zero. Tirando meus pais, mais ninguém vai ter meu novo número, nem Luke, nem Arthur, nem Stefano, nem Gunther, nem Callum, nem ninguém. Vou sair da minha zona de conforto e deixar para trás todos eles, pois seja lá quem for vai me lembrar de Charles. Não quero nunca mais lembrar dele, pelo menos até superar tudo.

Está na hora de eu mudar.





Charles

São quatro horas da manhã e eu não preguei os olhos. Me parece que nunca mais vou conseguir dormir sem Marcella por perto.

Alguma vez na vida você já teve a sensação de que somente o seu corpo continua em terra, pois de resto a sensação é de estar morto? Eu estou me sentindo morto. Meu coração está em tantos pedaços que acho que nunca mais vou ser capaz de amar alguém.

São quatro horas da manhã e eu não posso dormir, e estou muito bêbado. Ignorei os telefonemas e mensagens dos meus pais e do Arthur. Quero deixar o celular livre para o caso da Marcella me procurar.

O meu melhor amigoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora