Capítulo 55

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Marcella

Estamos sentados no mesmo lugar há horas. Nenhum de nós saiu nem para comer. Stefano trouxe alguns lanches para nós, mas eles estão quase intocados, ninguém tem muita fome.

Stefano foi embora, pois disse que queria deixar a família de Charles mais confortável, mas me implorou para ligar se eu ou os pais de Charles precisássemos. Meu pai e minha mãe disseram que iriam dormir e voltavam mais tarde. Eles tentaram me levar com eles para casa, mas eu não saio daqui até ver Charles.

Arthur parece que ainda está dormindo, e dona Eleonor implorou para que o marido fosse para casa dormir. Com muita resistência ele acabou aceitando o pedido da esposa e foi para casa.

Todo mundo está tão cansado...

Eleonor está cochilando em meus braços quando o médico responsável pelo caso de Charles aparece para falar conosco.

"Parentes de Charles Leclerc?", pergunta o médico.

"Somos nós!", digo em resposta. Dona Eleonor dá um salto da cadeira na mesma hora.

"Boa noite, meu nome é Lucio Julien. Sou o médico responsável pelo paciente Charles Leclerc"

"Como está Charles?", Eleonor e eu dizemos ao mesmo tempo. Sei que estou sendo mal educada em não me apresentar, mas eu não aguento mais essa espera.

"Bom, Charles ainda está inconsciente. O colocamos em coma induzido para ter certeza de que nenhuma parte do seu sistema nervoso sofreu com o impacto do acidente. Até agora não encontramos nada muito grave. Porém, ele vai permanecer na UTI para acompanharmos o seu estado"

"Graças a Deus!", diz Eleonor e em seguida ela me dá um abraço de alívio.

"Lamento dizer, mas somente uma pessoa pode ficar de acompanhante dele. Amanhã talvez liberemos para visitas, mas só uma pessoa por vez. Pelo menos até ele estar melhor e liberarmos Charles para o quarto"

Olho para Eleonor e sei que ela está tão cansada quanto eu, mas eu posso aguentar todas as noites acordada se for para cuidar de Charles.

"Dona Eleonor, se a senhora não se importar eu posso ficar e cuidar de Charles. Eu não estou tão cansada assim, e vejo nos seus olhos que a senhora precisa descansar. Podemos trocar de turno amanhã na hora da visita", digo. Não estou cansada uma ova, mas ela não precisa saber. Eu só quero vê-lo.

Dona Eleonor parece pensar por um momento, mas acho que o cansaço acaba vencendo-a.

"Tudo bem. Amanhã eu volto para ficar com Charles e você vai descansar. Muito obrigada, filha".

Dou um abraço nela para me despedir e desejo um bom descanso, mesmo sabendo que eu no lugar dela não pregaria os olhos em nenhum momento.

O médico me guia até a UTI e me dá instruções para caso eu precise de algo pela madrugada. Agradeço e entro no leito de Charles.

Obrigada por ele estar vivo.

O meu melhor amigoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora