Capítulo 54

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Marcella

Assim que desço do avião, 12 horas depois, estou exausta. Mas nem assim eu consegui-o me acalmar. Passei o voo inteiro chorando e rezando para que nada tirasse Charles da minha vida para sempre, nem mesmo esse acidente horrível.

Procuro no salão de desembarque quem quer que tenha vindo me buscar. Provavelmente é meu pai, pois de nós três ele é o que melhor consegue conter as emoções. Eu não consigo nem andar direito nessa situação imagina dirigir.

Tenho uma surpresa imensa quando vejo que Stefano é quem veio me buscar. O que eu perdi nesse meio tempo?

Corro para dar um abraço nele e choro de soluçar, pois o cheiro dele é tão familiar que me faz lembrar de bons tempos. Como eu senti saudade dele.

"Desculpa não ter te dado notícia. Desculpa", digo me desmanchando em lágrimas.

"Marcella, olha para mim", diz ele segurando o meu queixo para olhar em sua direção.

Tenho medo de olhar e ele me dá uma notícia terrível.

"Vai, olha para mim", ele diz.

Junto toda a minha força e o encaro.

"Você não tem que se desculpar. Eu sei que você precisava desse tempo só para você. Sentimos sua falta pra caralho aqui, mas você não tem que se desculpar"

"Sentiram?", digo fungando.

"Sim. Eu, Charles, Arthur, seus pais... Todo mundo!". O nome de Charles me faz chorar mais ainda. Stefano solta as malas das minhas mãos e me abraça com tanta intensidade que quase fico sem ar.

Como eu senti sua falta.

"Vem, vou te levar para onde você quiser", diz Stefano.

"O único lugar que quero ir é para o lado do Charles", digo.







Marcella

Chego ao hospital onde Charles foi internado, e , sentados na emergência, vejo meus pais e os pais de Charles. Onde está Arthur?

Como se lesse meus pensamentos Stefano me diz que Arthur está em casa dormindo, pois o coitado estava acordado esse tempo todo cuidando de tudo que envolvesse Charles, pois seus pais não estão bem.

Abraço meus pais e dou um abraço demorado nos Leclerc. Dona Eleonor desaba nos meus braços e choramos juntas por uns 20 minutos.

Quando consigo me acalmar pergunto se alguém já pode ficar do lado de Charles. Eu quero vê-lo.

"Desculpa querida, os médicos disseram que ainda vamos ter que esperar um pouco. Ele está no centro cirúrgico", diz Eleonor.

"Como está o estado dele? Vim o mais rápido que pude. Não quero ficar longe dele e de vocês", digo.

"Ele ainda está insconsciente, mas conseguiram estabiliza-ló quando o transferiram para cá. Ele está na cirurgia porque quebrou a tíbia e rompeu dois ligamentos do joelho. Ainda estão fazendo exames para saber se não houve nenhum dano em outros lugares. O médico disse que ele teve sorte de estar inteiro, aquela batida era para ter sido...". Dona Eleonor não consegue nem terminar o que estava falando, pois volta a chorar. Abraço-a com tanta força que me sinto fraca.

Apesar de toda a exaustão que sinto, eu pareço estar melhor do que os pais de Charles. Eles estão acabados de tanta preocupação.

Enquanto abraço a mãe de Charles, que considero uma mãe, agradeço aos céus e a quem estiver ouvindo por ele não está morto, e não ter sido tão grave o seu caso. Eu acho que morreria junto se algo tivesse acontecido.

O meu melhor amigoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora